domingo, 27 de novembro de 2016

Furo de reportagem vira Reportagem Furada...

Um erro de cálculo deu um caráter bombástico a uma notícia do Estadão, e pode ainda causar muito transtorno. Aconteceu na matéria publicada hoje na página B4 de Economia:



Tanto o título como o texto, são pautados no resultado do gasto com servidores federais em relação ao PIB que chegou ao recorde de 5,7% em 2016, segundo o jornal. O curioso é que o gráfico não mostra o indicador em relação ao PIB, mas em relação à receita corrente líquida do governo.

Os dados em relação ao PIB estão só impressos no pé de cada ano, mas não plotados no gráfico. Incluindo uma linha com esses dados, veja o que temos:



Note o salto brusco em 2016 na série do % do PIB. Você não desconfiaria desse resultado? Fui aos dados originais e fiz eu mesmo as contas. Todos os pontos da série % do PIB estão corretos, exceto pelo último valor (2016), que em vez de 5,7%, no cálculo que fiz deu 4,4%.

O gráfico certo seria assim:



Mas, isso é muita coisa? Muitíssima coisa! Estamos falando de um erro que corresponderia a uma diferença de R$80,4 Bilhões de aumento do funcionalismo.

Mas, como foi que o Estado errou? Minha hipótese é que houve confusão porque as tabelas de PIB e de gasto com funcionalismo são distintas, e os indicadores são calculados sob meses diferentes em 2016 (que não terminou ainda). Esse é o cuidado que devemos ter usando dados de um ano em curso ainda.

Outra coisa,  com um simples gráfico de tendências eles notariam a discrepância do último resultado, né? Será que não fizeram? Por que não plotaram a série de interesse da matéria?

Então, visando reduzir os possíveis estragos que o jornal fez, avisa lá o pessoal pra desconsiderar essa matéria toda, ok?

É Pau na Reportagem!

Até
Roberto

P.S. para quem quiser conferir, segue links para as tabelas para fazer o cálculo:
Gasto Servidores
PIB



quarta-feira, 23 de novembro de 2016

China expande presença, só que não.

Veja se você nota algo estranho nesses gráficos que Folha trouxe hoje:



Tá difícil? Veja mais de perto, então:



Pra me certificar, fui ao dicionário. Expandir é sinônimo de dilatar, estender. Mas, não é o que mostra um simples gráfico de linhas desses mesmos dados:



Folha, melhor mudar o título da matéria para "China expande presença na América Latina, só que não".

É Pau no Gráfico!

Até
Roberto

sábado, 19 de novembro de 2016

Gráficos inúteis ou bregas do Excel (parte 2)

Pra continuar a lista de perigos do Excel, vou usar um simples gráfico de linhas que saiu hoje na Folha e que ilustra a notícia: "Patrimônio de mulher de Cabral cresceu durante sua gestão":



Dei meu "curti" para o gráfico (não para o feito da família Cabral, óbvio!) porque trouxe a informação precisa e de maneira eficiente pra mim. Mas, e se nosso redator quizesse tentar algo mais "criativo" com o menu de gráficos do Excel, será que se daria bem? Vejamos alguns "mirabolismos" que ele poderia criar.

Gráfico de Pizza:



Tome cuidado ao usar os gráficos de Pizza pra não fazer coisas do outro mundo. Veja os dado do Cabral em Rosca:



Gráfico de Dispersão:



São usados para ver relações entre variáveis numéricas ou para posicionar tens, não use para dados ao longo do tempo senão...

É Pau no Gráfico!



Gráfico de Radar:



Tome muito cuidado ao usar esse gráfico. Eu diria pra você fazer só use se seu chefe pedir... Veja o que pode acontecer:



Então vamos combinar, cuidado ao usar o Excel pra fazer seus gráficos. Como já dizia um ditado, acho que chinês,"O certo é o simples e o simples é o certo".

Mais uma dica, veja outro exemplo de "criatividade excessiva" no nosso post: "Um caso para gráficos com dois eixos".

Até
Roberto

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Gráficos inúteis ou bregas do Excel (parte 1)

Todo mundo usa o Excel, mas não é por isso que quaisquer dos seus gráficos estão liberados para uso. Dos mais populares (barras, pizza, linhas, áreas e dispersão), a metade considero adequada, a outra é inútil, ou até mesmo brega. Veja a classificação por tipo de gráfico:

Gráfico de Barras (equivalente ao de coluna):



As três primeiras opções, "Colunas Agrupadas", "Empilhadas" e "100% Empilhadas" são muito úteis e você pode ver como usá-las no nosso post de gráficos com a tabela dinâmica.

Eu não recomendo as opções na forma 3D porque, além de distorcer a informação, eu diria que hoje é uma coisa brega. Você por acaso vê o Google ou o Facebook usando em seus relatórios atuais? Os gráficos 3D fizeram sucesso na década de 90 do século passado. E não pense em usar a última opção 3D, parece uma cidade em Lego.

Gráfico de Linhas:



Para uso diário escolha o simples "Linha", com ou sem marcadores. Não use o "Linha Empilhada", esse nem deveria existir no Excel porque ele empilha as linhas umas sobre as outras. Isso só confunde as pessoas e prejudica a análise. O "Linha 100% Empilhada" só serve para fazer indicadores de %Y categóricos binomiais (tipo comprou, não comprou). Mas isso é um uso particular. Os dois de linhas empilhadas devem ser substituídos pelo de área, veja mais adiante. Ah, de jeito nenhum use o de linha 3D, faça-me o favor!

Gráfico de Área:



São ótimos gráficos para mostrar perfil de uma variável categórica Y versus outra variável X que pode ser numérica, categórica ou mesmo o calendário. Veja esse exemplo em que vemos o perfil de estado civil por idade de mães de crianças nascidas em 2014 em SP:



Mas cuidado, a primeira opção, ou simplesmente "Área", não deve ser usada nunca. Ela esconde as categorias umas atrás das outras, e isso não tem literalmente nada a ver. Use o "Área Empilhada" e o "Área 100% Empilhada" para substituir o de "Linha Empilhada" sem medo. E você já sabe, não arranhe sua reputação com as opções em 3D.

No próximo post vou comentar sobre os gráficos de Pizza e os de Dispersão do Excel. Quais seriam os perigos que os cercam?

Até
Roberto

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Uma análise dos dados de Cesáreas no Brasil - parte 1

Muito se tem falado sobre a elevada taxa de parto cesáreo no Brasil. O assunto voltou à tona com a recente resolução do Conselho Federal de Medicina, que estipula que o parto cesáreo por escolha da gestante não poderá ocorrer antes da 39ª semana de gestação, conforme o critério de maturidade fetal adotado em 2013 pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas.

Através da consulta ao Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) obtivemos os dados de partos em todo o território nacional ao longo dos anos de 1994 a 2014. O gráfico abaixo mostra o percentual de cesáreas ano a ano neste período.

Até o ano de 2003 o indicador se mostra estável, variando em torno de 38%, mas a partir daí vem crescendo ano após ano, encontrando-se na faixa dos 57% em 2014, último ano com dados disponíveis no SINASC.



A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta o Brasil como o líder mundial na taxa de partos por cesárea. Desde 1985, a comunidade médica internacional considerava que a taxa ideal de cesárea estaria entre 10% e 15%, mas em 2015 a OMS divulgou documento recomendando a adoção de uma classificação universal para a medição da taxa de cesáreas (veja aqui).

Segundo o Ministério da Saúde, considerando as características do Brasil, a taxa de referência ajustada pelo instrumento desenvolvido pela OMS estaria entre 25% e 30% (veja aqui)

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão regulador vinculado ao Ministério da Saúde responsável pelo setor de planos de saúde no Brasil, divulga as Taxas de partos cesáreos por operadora de plano de saúde.

Estão disponíveis os dados de 2013 a 2015. Por diferença com os dados do SINASC obtivemos a informação para o SUS, para o ano de 2014. Os dados estão organizados na tabela abaixo:



Chama a atenção a diferença de 86% para 51% quando analisamos o percentual de cesáreas conforme o parto tenha sido feito através de Planos de Saúde ou SUS, respectivamente.

O índice geral fica na casa dos 57%, levando-se em conta que cerca de 18% do total de partos é feito através de Planos de Saúde e os 82% restantes através do SUS.

Infelizmente o SINASC não traz essa informação, de financiamento do parto (SUS ou plano de saúde), impossibilitando assim analisarmos esse indicador num período mais longo.

Mas voltando à Resolução do CFM, nos perguntamos se de fato as cesáreas estão ocorrendo mais cedo.




A escolha pelo indicador %cesáreas<37 semanas, quando a resolução fala em 39, deve-se ao fato que este dado já está agrupado nas seguintes faixas: menos de 22 semanas; se 22 a 27; de 28 a 31; de 32 a 36; de 37 a 41 e 42 semanas ou mais.

Claramente vemos uma mudança no comportamento a partir de 2011, mas há de se dizer aqui que o sistema traz uma nota, que em 2011 houve uma mudança no conteúdo da Declaração de Nascidos Vivos, com maior detalhamento das informações coletadas.

Não temos como saber se a mudança vista no gráfico acima deve-se a uma mudança de comportamento ou à forma como os dados são coletados e classificados a partir de 2011.

E como será que é o percentual de cesáreas por estados? Vejamos o gráfico para 2014.



Mesmo que o estado de São Paulo não seja o “campeão” no critério de percentual de cesáreas, com um índice de 61%, por esse último gráfico vemos que ele representa mais de um quinto dos nascimentos no Brasil. Vamos ver então com mais detalhes o que acontece por aqui.

Esse será o assunto do nosso próximo post.


Até breve!

Dani

terça-feira, 14 de junho de 2016

Metas de curto e longo prazos

Cumprir metas diárias, semanais ou mesmo mensais é importante. É por meio desse esforço que alcançamos o resultado desejado, a verdadeira meta. Além disso, bater metas de curtíssimo prazo - dentro do dia mesmo - dá uma sensação agradável de dever cumprido. Mesmo se a tarefa for algo desagradável ou indesejado, livrar-se dela com a consciência de tê-la realizado bem, traz certa felicidade. Os neurocientistas associam isso à produção de dopamina, o neurotransmissor das recompensas e motivações.

Por isso, o gestor precisa desdobrar adequadamente grandes metas em metas de curto prazos desafiadoras, mas alcançáveis. Para que, ao serem cumpridas a equipe se motive ainda mais para o próximo desafio.

Outro ponto é não se esquecer do longo prazo e perder o controle. Os indicadores ajudam a gente a avaliar como estamos nos saindo frente ao desfecho desejado.

Na semana passada saiu novamente o resultado do IPCA, indicador de inflação do qual já falamos bastante aqui. Vários jornais mostraram o gráfico do IPCA acumulado 12 meses como este da Folha:



O que você me diz sobre a inflação? Está melhorando? Bateremos a meta no fim do ano? Com esse indicador vemos alguma melhora, mas ele não nos fala sobre nossa meta final: chegar a 4,5% de inflação anual no final de 2016. Vejamos os indicadores mensais, então. Fizemos aqui o gráfico de controle mensal do IPCA, lembra-se dele? Vamos atualizá-lo para 2015 e para 2016:





O que vemos: 2015 foi péssimo e este ano está bem ruim. Há vários pontos fora de controle, mas não deixaram de aparecer os efeitos sazonais que formam um V ao longo do ano.

Não fiquei satisfeito com esses gráficos para responder se bateremos ou não nossa meta do final do ano. Então, construí um indicador diferente, o de afastamento da meta. Seu cálculo é afastamento no mês = soma até o mês dos desvios da metas mensais. Seria muito simples se as metas mensais fossem resultado de uma regra de três, ou seja, meta do mês=4,5%/12meses. Mas, como há um tal efeito sazonal, podemos incluir isso no cálculo. Fiz isso para vários anos. Veja o resultado para o centro da meta (4,5%):



Só 2006, 2007 e 2009 se salvaram nesse caso. Notem que 2015 o acumulado de afastamento da meta ao final do ano foi de perto de 6% (como o acumulado de inflação em 2015 foi de 10,67% e ficamos devendo 6,17% para a meta de 4,5%, ok?). Hoje, já estamos devendo quase 2% para a meta. Hummm, acho que não vai dar pra recuperar isso... Mas, faz tempo que a gente não dá conta dessa meta, então a gente apela para o teto dela pra tentar obter alguma dose de dopamina (?!!).

Vejamos o que acontece quando se persegue o teto da meta (6,5%):



Nem isso de lambujem salvou 2015, que continuou perdido, e 2016 tá indo pro brejo também. É, e como se não soubéssemos disso... Problemas nacionais à parte, gostei do indicador. Veja uma aplicação para uma equipe de vendas que tem uma meta orçada mensal e também a principal, que é anual. Pode-se usar o mesmo princípio:



Nesse caso, mesmo batendo metade das metas mensais até agosto, eles estavam indo pro brejo. Ações gerenciais implementadas, e eles conseguiram inverter o quadro a partir de setembro. Terminando o ano acima do orçado. Parabéns!

Até
Roberto

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Planejamento pessoal a vista

Quem conhece a estória de Alice nos País das Maravilhas, talvez se lembre de quando ela, numa encruzilhada, pergunta ao Gato de Cheshire qual o caminho a seguir. O Gato lhe volta com uma nova pergunta: "aonde é que você quer chegar?". Ela diz que não se importava com isso, e o Gato lhe responde que não importa, então, qual o caminho tomar.

Essa estorinha serve pra gente se lembrar de como nossos objetivos deveriam direcionar nossas ações do "aqui e agora". E talvez isso também ajude a organizar nossa agenda diária. A Alice poderia perguntar ao Gato: "o que devo fazer esta semana?". É provável que o Gato dissesse: "o que você quer realizar?".

Eu me fiz essa pergunta, e vi que muitas das atividades da minha semana não se relacionavam com as coisas que eu gostaria de realizar. Então, decidi criar um quadro de gestão a vista em que aparecesse essas duas dimensões: Realização x Agenda Semanal, veja só como ficou:



A parte de cima do quadro começa pelos desafios ou temas de realização que organizam as colunas do quadro. Escolhi cinco para Pessoal (lado esquerdo) e cinco para Profissional (lado direito). Abaixo deles, no próximo nível, descrevo os objetivos importantes de médio prazo para cada tema. No terceiro nível, temos as atividades de curto prazo (próximos passos). Nesse nível eu descrevo coisas que devem entrar na agenda nas próximas semanas. E abaixo de tudo vem minha agenda da semana. E é no "aqui e agora" desta semana, que eu posso realmente construir o futuro que desejo, assim eu decido as coisas que vão fazer parte do meu dia-a-dia.

Segue um quadro esquemático para lhe ajudar, caso você queira fazer um seu.



Tem dado certo, fique à vontade para copiar ou fazer um quadro parecido com esse e me dê um feedback se está funcionando para você.

Até
Roberto

P.S.: talvez você tenha de fazer um esforço extra para resolver quais temas a adotar, ou quais objetivos a escolher. Eu fiz isso com a ajuda de um competente coach pessoal que se chama Luiz Felipe Ormonde: http://coachingdeintegracao.com.br

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Tabela Dinâmica do Excel 1: tutorial inicial

Já ministrei muitos cursos de Análise de Dados. Recentemente um participante me revelou ao final do treinamento que se sentia realfabetizado na linguagem dos gráficos. Noto que muita gente também gostaria de se aperfeiçoar nessa linguagem, e os próximos posts serão dedicados a ajudar as pessoas a lidarem melhor com seus dados no Excel. Especialmente por meio da Tabela Dinâmica que evita o vício de ficar filtrando e perdendo a noção do todo na análise.

Neste primeiro tutorial você verá como entrar com dados na tabela dinâmica e como iniciar seu uso. Nos próximos você verá:

Tutorial 2: Gráficos a partir da tabela dinâmica

Tutorial 3: Hierarquia de variáveis

Tutorial 4: Agrupamento de casos

Tutorial 5: Cálculo de percentuais

Tutorial 6: Desafios

A Tabela Dinâmica do Excel é uma ferramenta das mais úteis para a análise e exploração de uma base de dados. Com ela você pode entender melhor quais padrões se escondem numa quantidade enorme de registros de casos ao agrupá-los da maneira mais conveniente para você. Tornar-se um bom usuário de tabelas dinâmicas é muito fácil. Mas primeiro é preciso algum esforço para compreender bem sua estrutura, começando por pelo formato de uma base de dados. É o que você verá a seguir.

O que é uma base de dados?

Precisamos saber isso porque a tabela dinâmica só funciona se os dados estiverem dispostos no formato padrão de uma base de dados.

Você terá indicadores e informações quantitativas do seu processo se você coletar dados dos casos gerados por ele. Por exemplo, para acompanharmos o consumo de combustível do nosso carro, deveríamos coletar dados a cada abastecimento realizado (os casos desse processo são os abastecimentos). Mas quais dados deveriam ser anotados? Vai depender da análise que você quer fazer. No caso do consumo de combustível, uma tabela com Data, Litros de combustível consumido, Quantidade de km rodado, Local de abastecimento e Tipo de uso do veículo poderia ser útil.

Podemos dizer que uma base de dados é o registro das características e medições coletadas para um conjunto de casos que foram observados. O nome base de dados é como todos conhecem, eu acho mais apropriado se se chamasse base de casos, não é?

Há um formato padrão para uma base de dados? Sim, trata-se de uma tabela com linhas e colunas que, por convenção, cada linha é um caso observado, e as colunas são as variáveis cujos dados foram coletados para cada caso. Vejamos um exemplo:



Note, portanto que nem toda tabela pode ser chamada de base de dados. A tabela a seguir contém os dados de faturamento para cada resort e em cada ano. Foi usada para montar um gráfico 3D terrível que nem mostrarei aqui. Já adianto: ela não está no formato de base de dados.



Você poderia alegar que os casos são os anos e as variáveis, os resorts, certo? Não é bem assim, veja que os três diferentes resorts poderiam formar uma única variável, simplesmente uma só coluna chamada de Resort. Na verdade, essa tabela é chamada de relatório e foi produzida por meio de manipulação de uma outra base. Portanto eu lhe pergunto: quais seriam os casos que originam essas informações?

Para defini-los, pense no processo que nesse caso é o de faturamento de hospedagens nos resorts. Ao final de cada check-out, dados de Faturamento, Resort, Data entrada, Data saída etc. são registrados.

Mesmo esse relatório não sendo uma base de dados, poderíamos analisar seus dados com a tabela dinâmica? Sim, desde que façamos uma tabela que se “pareça” uma base, isto é, colocando casos em linhas e variáveis em colunas.

Observe o relatório acima e me responda: quantas e quais são as variáveis que estão ali presentes? Você respondeu: Ano, Resort e Faturamento? OK! Os casos serão os cruzamentos de Ano x Resort dispostos empilhados. Veja o resultado:



Pronto, agora a tabela tem o formato de uma base de dados. O próximo passo é usar a tabela dinâmica para manipulá-la.

Usando uma tabela dinâmica

Copie esses dados numa planilha de Excel (ou baixe aqui). Clique em qualquer célula preenchida da tabela e peça: inserir > tabela dinâmica



Clicando OK, teremos essa nova planilha:



Duas coisas aparecem: o local do relatório e o formulário de Controle de Campos para a construção do relatório. É nesse formulário que trabalharemos. O Excel já sabe que a 1a linha da sua base de dados corresponde aos nomes das variáveis, e ele as chama de campos.

Na parte de baixo do formulário há quatro áreas para onde arrastaremos os campos (variáveis). A área de Filtros não será usado por enquanto. Cuidado com os filtros, só use em caso de extrema necessidade! As outras áreas vão ser usadas para a engenharia do relatório.

Um relatório é feito do cruzamento de linhas e colunas e, em cada cruzamento, haverá (ou não) casos agrupados. Faça isso então, clique e arraste a variável Ano para Colunas, assim, cada coluna terá um dos anos. Colocando Resort nas Linhas, cada linha será um resort (temos três deles). E levando Faturamento para  Valores, os cruzamentos do relatório serão preenchidos pela soma de Faturamento dos casos que ali se encontram. Soma é a configuração default para essa área.

Como temos um caso em cada cruzamento, veja o resultado:



Note o que acontece trocando-se linhas por colunas:



Percebeu como controlamos o formato do relatório? Agora ele se parece com a tabela original de dados, ok? No próximo tutorial veremos como controlar o eixo X do gráfico por meio de agrupamento de casos, não percam!

Até
Roberto

Tabela Dinâmica do Excel 2: gráficos a partir dela

Nosso assunto aqui é: como fazer gráficos usando a Tabela Dinâmica?

Estamos no Tutorial 2 de uso da Tabela Dinâmica do Excel. Se você não fez o Tutorial 1, recomendo começar pelo nosso post Tabela Dinâmica do Excel 1: tutorial inicial. Caso contrário, vamos em frente:

Podemos fazer gráficos diretamente a partir da Tabela Dinâmica do Excel, isso facilita muito nosso trabalho. Começamos sempre pensando num formato gráfico que seria interessante de se produzir para nossa análise. Por exemplo, no eixo X podemos colocar os Anos, no eixo Y o valor de faturamento e para representar o valor de cada resort para cada ano, podemos escolher barras (veja que seria bom Resort estar “dentro” de Ano).

Para fazer isso no Excel mantenha a última configuração do relatório da tabela dinâmica do tutorial - parte 1 (baixe aqui a planilha, se precisar), isto é, Ano nas linhas e Resort nas colunas. Selecione uma célula do relatório e peça para inserir um gráfico de colunas agrupadas. Veja o resultado:



Importante: a variável que você arrastar para Linhas será o X do gráfico e o que você colocar nas Colunas vai servir de Legenda. Isso serve para o Excel. Em outros Softwares como o Tableau, por exemplo, é o contrário.

Note que há mais dois outros tipos de gráficos de barras 2D, além desse que fizemos. Obviamente você não usará o 3D, claro. Clicando no gráfico e pedindo para alterar o tipo você poderá produzi-los. Vamos comentar sobre eles.

Colunas Empilhadas: preservam-se os valores e empilham-se as barras, simplesmente. Bom pra ver o total de faturamento dos três resorts juntos.



Colunas 100% Empilhadas: Em cada ano, calculam-se os percentuais de cada resort relativos ao total do ano. Bom pra ver a proporção de contribuição de cada resort nos anos.



Podemos também usar gráficos de linha neste caso: bom pra ver a evolução de cada resort ao longo dos anos.



Agora que começamos a fazer gráficos com a Tabela Dinâmica, o próximo passo é controlar bem a configuração do eixo X. No próximo post você verá como fazer isso por meio do conceito se Hierarquia de Variáveis. Clique aqui para ir ao Tutorial 3:

Até
Roberto

Tabela Dinâmica do Excel 3: hierarquia de variáveis

Nosso assunto aqui é: como controlar o eixo X dos gráficos usando a Tabela Dinâmica?

Estamos no Tutorial 3 de uso da Tabela Dinâmica do Excel. Se você não fez as partes 1 e 2, recomendo começar pelo nosso post Tabela Dinâmica do Excel 1: tutorial inicial. Caso contrário, vamos em frente:

Talvez você já tenha notado que há uma hierarquia entre as variáveis arrastadas para Linhas e Colunas, vamos aprender o que é isso.

Hierarquia de variáveis

Na tabela dinâmica do Excel você pode usar mais de uma variável para linhas e colunas. Abra o arquivo que usamos no Tutorial 2 (ou clique aqui para baixá-lo). Veja o que acontece se arrastarmos Resort para Linhas e debaixo da variável Ano:



Viu só? O relatório apresentará os resultados de cada resort dentro de cada ano. O Excel chama a variável que primeiro estratifica os casos de Pai. Acima vemos que Ano é pai de Resort. Ano é Linha Pai.

Se você está com o gráfico de barras (colunas agrupadas), verá que o eixo X se comporta do mesmo modo: Resort está dentro de Ano



Exercício: mova Resort para acima de Ano, tornando Resort a Linha Pai e veja o que acontece.



Seu gráfico ficou assim? Agora, Ano está dentro de Resort.

E quando uma variável está nas Linhas e outra nas Colunas, haverá hierarquia entre elas? Sim, a variável que está nas colunas estará dentro das que estão nas linhas, como legendas. Portanto, Linha é Pai de Coluna!

Veja, por exemplo, o primeiro gráfico que fizemos, Ano nas Linhas e Resort nas Colunas. Ano é Pai de Resort:



É dessa maneira que podemos controlar como o eixo X se apresenta. Você é quem está no controle agora. Não faça como algumas pessoas que jogam as variáveis pra lá e pra cá conforme a sorte!

No próximo tutorial veremos como controlar o eixo X do gráfico por meio de agrupamento de casos, não percam!

Até
Roberto

Tabela Dinâmica do Excel 4: agrupando casos

Nosso assunto aqui ainda é: como controlar o eixo X dos gráficos usando a Tabela Dinâmica?

Estamos no Tutorial 4. Se você não fez as partes 1 a 3, recomendo começar pelo nosso post Tabela Dinâmica do Excel 1: tutorial inicial. Caso contrário, vamos em frente:

Proponho exercitar neste tutorial 4 o agrupamento de casos para controlar eixos de gráficos, principalmente o eixo X. Para isso, vamos usar a planilha “Base mensal” do arquivo que estamos usando nos tutoriais (clique aqui para baixá-lo).

Note que, nesta planilha, os dados são mensais ou seja cada caso corresponde a um mês de um resort e um ano específicos.

As variáveis continuam quase as mesmas, mas Ano é Mês/Ano agora. Peça para inserir uma tabela dinâmica e leve Mês/Ano para Linhas e Resort para Colunas como fizemos anteriormente.



No Excel 16, apareceu praticamente a mesma tabela que já fizemos. Isso porque ele já agrupou os casos segundo a variável Mês/Ano sem eu pedir, em versões anteriores do Excel, aparece sem agrupamento como abaixo:



Como agrupar de volta? Simples, clique com o botão direito numa célula qualquer dos Rótulos de Linha (por exemplo junho/2012) e vai aparecer um formulário para Agrupamento. Clique em Meses e Anos juntos e dê OK.



O resultado será esse: a variável Mês/Ano por ter formato de data na sua planilha original, pode ser agrupada de várias formas (conforme o formulário de Agrupamento). Eu escolhi agrupar por meses e anos, assim e aparecerá uma nova variável no Controle de Campos chamada Anos, veja:



Essa variável Anos não está explícita na base de dados, mas podemos usá-la como se fosse uma, por exemplo se eliminarmos a variável Mês/Ano das Linhas, o relatório ficará exatamente como aquele original:



Observe uma célula deste relatório, por exemplo a mostrada acima com valor 400. Como estamos usando a planilha de valores mensais, o valor 400 é resultado de uma conta.

Façamos a leitura desse número por meio do Controle de Campos: trata-se da Soma dos valores de Faturamento para todos os casos da base de dados original cujo Ano (Linhas) é 2014 e cujo Resort (Colunas) é Praia do Forte.

Soma foi a operação realizada porque pedimos, na área  Valores, a Soma de Faturamento, essa opção pode ser modificada para fazer aparecer o que nos interessa como “conta” nas células do relatório.

Falei em “todos os casos”, você entendeu isso? A planilha da base mensal tem vários casos. Há 12 para cada mês, e como temos 3 anos e 3 resorts, temos um total de 12x3x3=108 casos. Você pode verificar isso.

Os casos que somam 400 são um agrupamento menor. São 12 meses, de 1 ano e de 1 resort, 12x1x1=12 casos. Se você clicar com o botão direito no valor 400 e pedir Mostrar Detalhes (ou simplesmente clicar 2x no valor 400), aparecerá a tabela com todos os casos que geraram esse valor. Abaixo mostro essa tabela acrescida de três linhas: soma, contagem e média.



Vejamos como contar casos. Volte à tabela dinâmica e clique com o botão direito no valor 400. Peça Resumir Valor por > contagem. Como abaixo:



As células do relatório apresentarão o número de casos da base original em cada cruzamento do relatório. Neste caso são 12 em cada casela. Exercício: peça agora a média e veja o que acontece.

Estamos chegando quase ao fim desta série básica de tutoriais. Como você está indo? Eles estão lhe ajudando? No próximo tutorial trabalharemos com outras contas bem úteis, os percentuais. Clique aqui para acompanhar.

Até
Roberto