terça-feira, 8 de setembro de 2015

Meu avô e o Big Data



Eu tinha 16 anos em 1982, quando recebi um único telefonema do meu avô que foi direcionado só pra mim: “Roberto Celso, preciso falar-lhe. Venha me ver, por favor”. Meu avô era uma pessoa muito respeitada no bairro do Ipiranga em São Paulo. Na porta da sua casa havia uma placa escrito “Perito Contador” embaixo do seu nome. Isso devia ser importante porque nenhuma outra casa tinha aquilo. Duas semanas antes, eu lhe escrevera um bilhete que pus dentro da sua correspondência do Itaú, dizendo que era jovem aprendiz ali e que tinha envelopado sua carta. Esse deveria ser o motivo do seu chamado.

Sua primeira pergunta foi se eu gostava de trabalhar no Itaú. Respondi que sim, trabalhava na área de logística e que, um dia, a minha equipe envelopou as cartas da agência em que ele tinha conta corrente. Disse que fiz questão de arrumar os papeis dele tudo direitinho e incluí um bilhete na sua correspondência. A próxima pergunta me deixou sem palavras: “Quando não houver mais cartas para envelopar, o que você vai fazer?” Ele me explicou que um dia, num futuro próximo, as pessoas mandarão mensagens de outra forma, e que cartas serão feitas e envelopadas por máquinas.

Acabou a conversa com um conselho: “Você tem de trabalhar fundamentalmente em algo de que goste, mas, mesmo assim, vai ter de se adaptar a várias mudanças na vida profissional porque as coisas e os processos sempre mudam. O melhor a fazer é nunca parar de aprender e ganhar muita habilidade com leitura e interpretação de dados que são a essência de qualquer trabalho, e comunicar bem o que aprendeu com eles.

Esse conselho nunca me foi esquecido. Hoje, trabalho transformando dados em informação para que meus clientes possam tomar boas decisões em seus negócios. Uso técnicas que aprendi na graduação de Engenharia e no mestrado em Estatística, mas nunca parei de aprender nessa área. Ensino essas técnicas às pessoas para poderem lidar com um mundo cada vez mais monitorado e governado por meio de enormes quantidades de dados, o mundo do Big Data. Essa habilidade está cada vez mais valorizada e disseminada de maneira horizontal nas organizações. As pessoas - elas mesmas - estão produzindo suas análises baseadas em dados e apresentando seus resultados com ajuda de gráficos.

Para os casos mais complexos, há equipes nas organizações que cuidam do gerenciamento de grandes bases de dados e fazem análises mais sofisticadas para serem usadas em controles ou decisões estratégicas. Essas equipes cuidam do chamado MIS (Management Information System) ou das Áreas de Modelagem de Dados. São equipes de especialistas em predizer os comportamentos mais prováveis dos clientes e como podemos melhorar sempre os produtos e serviços baseados nessa informação.

Hoje eu daria o conselho do meu avô para um jovem aprendiz e acrescentaria: para se fazer uma boa análise de dados é preciso ter uma boa dose de curiosidade. Ela é a matriz de boas perguntas, e não há técnica que funcione sem ter uma boa questão a ser respondida.

Até
Roberto

2 comentários:

  1. Bom dia Roberto, tudo bem?
    Você conheceu algum instituição ou curso que recomendaria que abrange MIS?
    A propósito, excelente post!

    ResponderExcluir
  2. Lembro bem dessa história em uma de suas aulas, que bom que voltou a postar! Sempre acompanho!
    Abraços.
    Marcus

    ResponderExcluir