sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Ranking da analfabetização de crianças

Faz algum tempo que quero comentar uma matéria da Folha de 26/set passado porque ela mexe com o que deveria ser a nossa maior prioridade, a Educação. A primeira ANA (Avaliação Nacional da Alfabetização) mostrou resultados assustadores.

O gráfico da reportagem traz o percentual de alunos classificados nos níveis mais baixos (1 e 2) de uma escala de 1 a 4 para três habilidades: Leitura, Escrita e Matemática.

Esses alunos não conseguem, por exemplo, localizar informação explícita no meio ou no fim de um texto, escrever textos narrativos com mais de uma frase, ou não conseguem resolver problemas de subtração com até dois algarismos. Veja quadro dos níveis e o gráfico publicados na Folha abaixo:





Quanto ao estilo, o gráfico está bem leve para o olhar, parecendo uma tabela. Para você analisar pontualmente o seu Estado, basta descer em ordem alfabética até encontrá-lo. Fica difícil, porém, ter uma visão conjunta dos Estados. Portanto, precisão e design o gráfico já contém, o que falta é análise.

No mínimo, o que se busca nesses dados são os piores e melhores casos e isso se dá pela ordenação dos itens. Outra informação que poderia facilitar seria a localização por região. Refiz o gráfico com essas modificações:



Uma coisa ainda me incomoda no gráfico: como os dados são relativos aos níveis 1 ou 2 (os piores de 4 níveis no instrumento de medida), as UF são ordenadas do menor para o maior valor.

Ocorre que somos acostumados a ranquear do maior para o menor valor. Computei os valores complementares para 100% (correspondendo aos níveis 3 e 4) e refiz o gráfico, agora não mais do analfabetismo.



É a mesma informação vista agora pelo lado positivo. Pode ser toc, mas gostei e passou o incômodo...

Vejo que crianças das regiões Sul e Sudeste (com excessão do Rio de Janeiro) estão com nível bem melhor no conjunto, e o Norte e Nordeste ficam muito atrás.

Complementando a análise, resolvi fazer os gráficos de dispersão relacionando as variáveis e notei que a correlação entre Leitura e Matemática é a maior entre as duplas. Isso é bem interessante e faz sentido. Ler textos e interpretar gráficos são versões diferentes da mesma habilidade que é a de compreender informações.



Com certeza, todos os meus votos nessas eleições irão para os candidatos mais engajados na Educação. Precisamos disso, e muito, e pra ontem.

Até
Roberto

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