segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dilma e o Bolsa Família

Hoje o Estadão trouxe interessante estudo sobre a provável influência do Bolsa Família nos votos de Dilma no 1o turno. Um gráfico de bolhas foi usado para mostrar essa relação. Veja como ele ficou na versão impressa:



Gostei dos detalhes e notas explicando como o gráfico funciona. Cada bolha representa um município do Brasil e quatro variáveis aparecem no gráfico:

Eixo X: Percentual de famílias que recebem o Bolsa Família;
Eixo Y: Percentual de votos para a Dilma no 1o turno;
Tamanho da Bolha: População do município;
Cor da bolha: Região do país.

Vemos uma nuvem de bolhas indicando haver uma relação linear e positiva entre as variáveis X e Y do gráfico. Conclui-se que quando a participação no Bolsa Família aumenta, a votação de Dilma também cresce.

A visualização do gráfico por região parece vital para o leitor fazer uma análise mais adequada do contexto e tirar suas próprias conclusões. Ocorre que as cores me confundem um pouco e não consigo aproveitar o potencial dessa análise.

Veja uma alternativa para esse caso. Plotando os dados em gráficos distintos e mantendo as escalas dos eixos, podemos visualizar facilmente as regiões ainda na forma impressa:



Outra alternativa é a publicação do gráfico em mídias eletrônicas. No blog do Estadão, blog.estadaodados.com, você encontra um gráfico interativo que facilita muito essa análise. A preocupação dos autores do blog foi justamente essa possibilidade de enxergar diferenças entre regiões.

Fazer gráficos interativos está cada vez mais fácil e acessível por meio de aplicativos. No entanto, eles não conseguem, sozinhos, elaborar os detalhes cruciais que facilitam a análise dos dados. Portanto, não deixe de focar no interesse e na melhor experiência do seu cliente, seja qual for a mídia escolhida.

Até
Roberto

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

IPCA de setembro

A inflação segue, infelizmente, o modelo Atirei:



Sem comentários...

Até
Roberto

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os números para presidente nos estados.

As eleições surpreenderam muita gente e entre centenas de gráficos tentando explicar o pleito de domingo, hoje o Estadão e a Folha trouxeram exatamente o mesmo gráfico mostrando os resultados para presidente por estado. Veja só:

Estadão


Folha


Com os mesmos dados fiz um exercício no software Tableau Public para deixar o gráfico mais manipulável. Veja o resultado e tente você mesmo mexer um pouco nele.

Que reviravoltas será que ainda teremos nesses números no 2o turno?

Até
Roberto

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Ranking da analfabetização de crianças

Faz algum tempo que quero comentar uma matéria da Folha de 26/set passado porque ela mexe com o que deveria ser a nossa maior prioridade, a Educação. A primeira ANA (Avaliação Nacional da Alfabetização) mostrou resultados assustadores.

O gráfico da reportagem traz o percentual de alunos classificados nos níveis mais baixos (1 e 2) de uma escala de 1 a 4 para três habilidades: Leitura, Escrita e Matemática.

Esses alunos não conseguem, por exemplo, localizar informação explícita no meio ou no fim de um texto, escrever textos narrativos com mais de uma frase, ou não conseguem resolver problemas de subtração com até dois algarismos. Veja quadro dos níveis e o gráfico publicados na Folha abaixo:





Quanto ao estilo, o gráfico está bem leve para o olhar, parecendo uma tabela. Para você analisar pontualmente o seu Estado, basta descer em ordem alfabética até encontrá-lo. Fica difícil, porém, ter uma visão conjunta dos Estados. Portanto, precisão e design o gráfico já contém, o que falta é análise.

No mínimo, o que se busca nesses dados são os piores e melhores casos e isso se dá pela ordenação dos itens. Outra informação que poderia facilitar seria a localização por região. Refiz o gráfico com essas modificações:



Uma coisa ainda me incomoda no gráfico: como os dados são relativos aos níveis 1 ou 2 (os piores de 4 níveis no instrumento de medida), as UF são ordenadas do menor para o maior valor.

Ocorre que somos acostumados a ranquear do maior para o menor valor. Computei os valores complementares para 100% (correspondendo aos níveis 3 e 4) e refiz o gráfico, agora não mais do analfabetismo.



É a mesma informação vista agora pelo lado positivo. Pode ser toc, mas gostei e passou o incômodo...

Vejo que crianças das regiões Sul e Sudeste (com excessão do Rio de Janeiro) estão com nível bem melhor no conjunto, e o Norte e Nordeste ficam muito atrás.

Complementando a análise, resolvi fazer os gráficos de dispersão relacionando as variáveis e notei que a correlação entre Leitura e Matemática é a maior entre as duplas. Isso é bem interessante e faz sentido. Ler textos e interpretar gráficos são versões diferentes da mesma habilidade que é a de compreender informações.



Com certeza, todos os meus votos nessas eleições irão para os candidatos mais engajados na Educação. Precisamos disso, e muito, e pra ontem.

Até
Roberto