quinta-feira, 17 de abril de 2014

A “Mágica” da Economia Nigeriana

A Nigéria, país do oeste africano, parece ser a bola da vez entre as relevantes economias emergentes do planeta. Muitos veículos de mídia noticiaram que o país passou a ser a maior economia do continente africano, ultrapassando inclusive a África do Sul. O PIB do país (soma de tudo que foi produzido dentro do período de um ano) passou de 296 bilhões de dólares para 510 bilhões, um aumento de 89%!!!

O que os jornais falharam em destacar é que a economia da Nigéria não mudou em nada, não houve mágica, o que houve foi uma mudança na metodologia de cálculo do PIB, que não vinha sendo atualizada desde 1990. Vários setores que não tinham importância até a mudança de metodologia passaram a ser contabilizados corretamente, como o setor de telecomunicações e a nascente indústria cinematográfica nigeriana.



Source: The Economist

Na Nigéria nenhum dos seus 170 milhões de habitantes está mais rico do que estava antes da mudança de metodologia, e como podemos ver no post Indicadores da extrema pobreza no mundo, a extrema pobreza ainda é um problema relevante, mas isso foi um passo extremamente importante para o país. O tamanho da economia nigeriana vinha sendo subestimada por muitos anos. Por bastante tempo não foi dada a devida importância ao país no cenário econômico internacional, e isso se deve à falta de empenho em contabilizar corretamente o mais importante indicador do tamanho de uma economia, o PIB.

Hoje a Nigéria está sob os holofotes do mundo e passa a ser a maior potência econômica do continente. A estimação correta de um indicador é muito importante para que a figura correta seja mostrada, afinal, agora a Nigéria não é só mais um país com grandes reservas de petróleo que reconhecemos por ter uma forte seleção de futebol.


Ricardo Ziegelmeyer

terça-feira, 15 de abril de 2014

Indicadores da extrema pobreza no mundo

No relatório que o Banco Mundial soltou na semana passada sobre a situação da extrema pobreza no mundo, "Prosperity for All: Ending Extreme Poverty", os indicadores é que contam uma história de melhoria e apontam os focos para atingir a meta de acabar com ela até 2030. Vou destacar aqui esses dois pontos no relatório em que vemos claramente os conceitos de gestão por indicadores na execução de uma estratégia.

O primeiro ponto, contar uma história, trata da função estratégica de indicadores que é a de fornecer feedback. A gente sabe que nem toda mudança é melhoria, então precisamos de indicadores que nos mostrem se estamos melhorando.



Para ver se estamos no caminho certo quanto à extrema pobreza, o relatório traz esse primeiro quadro:



Sem dúvida estamos melhorando. O gráfico de tendência (ou um gráfico de controle) é a ferramenta nesse caso.

O segundo ponto, apontar focos, lida com a função estratégica dos dados de buscar oportunidades para direcionar mudaças. Significa ter inteligência para investir nossos esforços, que são sempre limitados, nos focos de maior probabilidade de obter melhoria.



O Banco mundial aponta que em poucos países se concentram o maior numero de pessoas em situação de extrema pobreza. Veja isso no gráfico abaixo:



Pelo princípio de Pareto, é importante focar em poucos países para reduzir a complexidade de atuação. Contudo, um país pode aparecer na lista por estar relacionado a uma taxa alta de extrema pobreza e/ou ao gigantismo da sua população. A China, por exemplo, tem cerca de 12% de taxa de extrema pobreza (mundo=18%) e figura ali devido à sua enorme população.

Foquemos, também, nos países em situação crítica por ter alta taxa de extrema pobreza (maior que 40%):



Urgência é a palavra relacionada a esses países.

Poderíamos atirar facilmente o pau nesses gráficos quanto às suas formas e detalhes. Claro que não vamos. Pelo contrário, que bom que vieram para iluminar essa triste realidade do mundo em que habitamos.

Até
Roberto

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A bola de cristal de Mantega

Lembra-se do V da Inflação? Pois ontem saiu um comentário do Mantega na Folha fundamentado nele, suponho:



Ocorre que estamos cada vez mais distantes desse padrão. Dê uma olhada no gráfico atualizado do post:



Ainda penso que o nosso V aparecerá meio tortinho, certamente ajudado por mão de ferro do governo. Deixa chegar mais perto das eleições e veremos...

Até
Roberto

terça-feira, 8 de abril de 2014

As águas do palácio

22% foi quanto o Palácio dos Bandeirantes gastou a mais de água em janeiro deste ano, segundo o Estadão de hoje. Veja a manchete:



Os títulos, manchetes etc, são muito importantes num texto, pois são eles que resumem o que vem pela frente e o leitor vai levar consigo essa informação. Todo cuidado é pouco. Quando você coloca um número num título então, fique bem atento! Ele ficará "carimbado" no cérebro de quem o vir. Pois bem, vamos estudar um pouco esses 22%, eles são em relação a quê? No gráfico da matéria isso fica esclarecido:



Veja que a referência escolhida foi o mês anterior. Será que isso é um bom critério? Isto é, devemos apresentar a variação de um indicador sempre em relação ao valor anterior? A resposta é não. Não porque há sempre uma variação comum no indicador, fruto de uma variação natural nos dados. Pode acontecer de num mês o indicador oscilar pra baixo e no outro oscilar pra cima, a diferença pode ser grande, mas ainda assim pode ser fruto de variação comum.

Para tirar essa teima, usamos um gráfico de controle. Falamos sobre eles em vários posts, principalmente em "Análise de séries com Gráficos de Controle". Veja o resultado para as águas do palácio (média e limites foram calculados com os valores de 2013 somente):



Conclui-se que o consumo da sede do governo está estável. Não podemos dizer que houve aumento, nem queda. Somente variação comum dos valores.

E aí?

Aí, que nosso governador, que deveria trabalhar focado em coisas muito importantes (tomar medidas para enfrentar a enorme seca atual, por exemplo), passou o dia dando explicações sobre a conta de água do palácio. Claro que ele não fez a lição de casa e merece um corretivo.

Ah, esqueça então os 22% de aumento. Se você quiser ainda um número para jan/14, que pelo menos seja em relação à média de 2013. Nesse caso podemos falar: "Em janeiro de 2014 o Palácio dos Bandeirantes teve um consumo 11% maior que a média mensal de 2013".

E, se você não tem um software para fazer um gráfico de controle, use o bom e velho gráfico de tendências. Veja este em que coloquei a meta de redução de 20% (em relação à média mensal de 2013):



Governador, eis mais um indicador para sua gestão!

Até
Roberto

sábado, 5 de abril de 2014

Atiraram o pau no gráfico

Foi grande a repercussão do erro do IPEA na divulgação da sua pesquisa sobre a violência contra a mulher. Choveram manifestações nas redes sociais e deu na primeira página dos principais jornais. Veja a do Estadão:



Estávamos muito tocados ainda com os resultados da pesquisa, que eram muito provocadores, e agora muito insatisfeitos com a divulgação dos erros. A confiança e respeito ao IPEA, construídos em 50 anos, podem ter sido muito abalados pelo episódio. Isso mostra a responsabilidade que há ao divulgar pesquisas e análises.

Apontaram-se vários erros, dentre eles:

- Erros de construção do instrumento (questões elaboradas)
- Erros de amostragem (escolha de entrevistados)
- Erros de processo de análise (falha de checagem e troca de dados)
- Erros de divulgação (demora a partir da data das entrevistas)

São erros dos quais podemos sempre aprender e aprimorar nossa habilidade de lidar com dados.

É por isso que, aqui no Atirei, a gente convida a todos para aprendermos juntos. Aprender a ter cuidados ao fazer e divulgar análises e também a fazer uma crítica construtiva quando recebemos informações com dados e gráficos. Vamos em frente!

Até
Roberto

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Descubra onde estão os turistas na sua cidade!


Se você quisesse saber quais os principais locais que turistas frequentam quando visitam a sua cidade, como faria? Pergunta difícil, e com uma resposta mais complicada ainda.

O pessoal do Mapbox teve uma solução inovadora e genial para responder a essa pergunta. Usando a base de dados do Twitter eles selecionaram todos os tweets que vieram de São Francisco na California durante um período de tempo, o resultado foi um gráfico bem legal e bonito que remonta o mapa da cidade.





Certo, e como eles sabem se esses pontos são tweets de locais ou turistas? Eles identificaram os turistas olhando se no mês anterior a pessoa que escreveu o tweet costumava ter atividade em outra cidade, já que cada tweet contém uma informação de localização geográfica. Assim todos os turistas aparecem no mapa em pontos vermelhos. E faz sentido, já que as regiões em vermelho são regiões turísticas como Chinatown, o Pier 39 e a Golden Gate Bridge.

Imagina se fizessem um desse para as cidades sede da Copa do Mundo? Seria mais fácil descobrir os restaurantes e bares mais vazios para assistir aos jogos do mundial.

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Ricardo Ziegelmeyer

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O "V" da Inflação

No post Analisando a série histórica do IPCA, havíamos chegado à conclusão de que a inflação, medida pelo IPCA, teria um comportamento sazonal durante o ano. Ela tem uma espécie de comportamento em "V": alto no início e fim de ano, e baixo no meio do ano. Publicamos, em fev/13, o gráfico abaixo para mostrar isso:



Vejamos o que aconteceu de lá pra cá:



Legal, né? Olha o "V" da inflação de volta em 2013. Será que teremos o mesmo comportamento neste ano? Façam suas apostas...

Até
Roberto