sexta-feira, 21 de março de 2014

Gráfico de Pizza: usar ou não?

O Marcelo Melgaço deixou no último post um comentário sobre a condenação do uso do Gráfico de Pizza pelo Stephen Few, um papa no assunto de gráficos. Complemento que, não só ele, mas muitos autores importantes também o fazem. A principal justificativa é a dificuldade de comparar o tamanho das "fatias da pizza" porque é difícil para nós, seres humanos, distinguir diferenças em ângulos.

Eu leio os argumentos e ainda tenho minhas dúvidas. Acho que há casos em que ele se encaixa muito bem, mas realmente, por ser muito popular, o amigo Pizza pode provocar muitas escorregadas das pessoas que o usam de maneira desenfreada.

Vamos tomar como exemplo o gráfico que fizemos no post "Serviço doméstico é o novo vilão da inflação?":



Minha intenção era passar a ideia de distribuição dos pesos (despesas das famílias) dos itens que compõem o IPCA. O uso de uma pizza está correto do ponto de vista de representar partes de um todo. Não me interessa o total do gasto, pois cada família teria uma renda, mas sim a sua composição. A pizza é uma figura interessante porque, em si, é um todo.

O Stephen Few argumenta que o uso de barras neste caso é mais adequado para se comparar os tamanhos dos pedaços entre si. Vejamos o resultado:



Ok, dá pra ver claramente a diferença entre as barras (há mais resolução gráfica). Porém, eu perco a noção clara de que as barras somam 100%. Muitas vezes me peguei fazendo continhas pra confirmar. No gráfico de Pizza isso é indiscutível. Outro detalhe, as cores nas barras ajudam? Em nada, veja como ficaria mais elegante o gráfico monocromático:



Já o de Pizza, precisa das cores (ou diferenças de tonalidades) para se distinguir seus pedaços. Veja-o no modo monocromático que coisa feia...



E agora?



Bem melhor. Um detalhe: coloquei a divisão do 1o para o 2o pedaço da fatia bem na posição 12h. Veja a seta abaixo:



Dona Wong, em seu livro “The Wall Street Journal Guide to Information Graphics: The Dos and Don'ts of Presenting Data, Facts, and Figures” defende isso porque a parte superior dos gráficos é a mais nobre, isto é, onde normalmente o leitor foca o olhar primeiro. Note que desta forma fica fácil comparar as duas primeiras fatias. Fiz aí o gráfico de Pizza "normal" pra você comparar:



Eu não gosto assim, prefiro a ideia da Dona Wong. Falando sério, eu ensino nos nossos cursos o uso que considero correto do Gráfico de Pizza - só pra representar partes de um todo. Frisando que é preciso parcimônia no seu uso. Imagine que você queira comparar os índices anuais do IPCA, nunca faça uma coisa dessas:



Tenho certeza de que pro céu é que você não vai.

Até
Roberto

5 comentários:

  1. Roberto,

    Obrigado pela referência. E parabéns pela exposição! ;)

    Acho o enfoque do Stephen Few fantástico, mas mesmo eu penso ser, por exemplo, difícil evitar as cores do semáforo em 'dashboards', usado pelas bolsas de valores em todo o mundo e, segundo Paul Palady, "O padrão mais reconhecido no mundo": http://asq.org/qic/display-item/?item=14352

    Um abraço!
    Marcelo Melgaço

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  2. Ah! A questão das barras não evidenciarem o 100% também é interessante, Roberto.

    Um abraço,
    Marcelo Melgaço

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  3. Fato!! As barras não evidenciam os 100%, simples, mas nem sempre é lembrado nas apresentações corporativas.
    Beijos Giselle Colacioppo

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  4. Como faço para trabalhar em cima de uma fatia apenas do gráfico pizza?

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