sexta-feira, 28 de março de 2014

Live Charts: Vale uma olhada!


A The Economist sempre foi conhecida por divulgar gráficos muito interessantes, de maneira intuitiva e visualmente atraente, mas a série de gráficos animados da revista leva a interpretação dessas informações a outro nível. Em vídeos curtos (por volta de 1 minuto) os gráficos da publicação são apresentados de forma animada e com comentários que transmitem a informação com agilidade e maior riqueza de detalhes.






Esse vídeo feito recentemente pela revista explica a evolução do PIB mundial desde a crise financeira de 2008. Um leigo ao simplesmente olhar o gráfico consegue visualizar perfeitamente que houve uma recessão em 2009, e que o crescimento foi retomado no ano seguinte acompanhado de uma queda gradual do crescimento da produção mundial de 2010 até os dias de hoje.

Mas a animação nos oferece mais. O narrador explica, em 53 segundos, que a causa da queda do PIB em 2009 foi a crise de 2008, essa queda foi acompanhada de estímulos dos Bancos Centrais dos países desenvolvidos para aumentar a liquidez na economia mundial o que resultou na volta do crescimento. Esses estímulos perderam força nos últimos anos e resultaram hoje no tapering do FED americano, tão temido pelos mercados emergentes, que junto com a crise entre Rússia e EUA podem levar o crescimento mundial ainda mais para baixo.

Apesar de bastante úteis, vídeos ainda resultam em rejeição de muitos leitores, já que clicar, esperar carregar, e quem sabe, ter que esperar a propaganda do Youtube terminar, transforma o vídeo em uma experiência custosa. De qualquer maneira, acho que os Live Charts da The Economist valem uma olhada.


Ricardo Ziegelmeyer

sexta-feira, 21 de março de 2014

Gráfico de Pizza: usar ou não?

O Marcelo Melgaço deixou no último post um comentário sobre a condenação do uso do Gráfico de Pizza pelo Stephen Few, um papa no assunto de gráficos. Complemento que, não só ele, mas muitos autores importantes também o fazem. A principal justificativa é a dificuldade de comparar o tamanho das "fatias da pizza" porque é difícil para nós, seres humanos, distinguir diferenças em ângulos.

Eu leio os argumentos e ainda tenho minhas dúvidas. Acho que há casos em que ele se encaixa muito bem, mas realmente, por ser muito popular, o amigo Pizza pode provocar muitas escorregadas das pessoas que o usam de maneira desenfreada.

Vamos tomar como exemplo o gráfico que fizemos no post "Serviço doméstico é o novo vilão da inflação?":



Minha intenção era passar a ideia de distribuição dos pesos (despesas das famílias) dos itens que compõem o IPCA. O uso de uma pizza está correto do ponto de vista de representar partes de um todo. Não me interessa o total do gasto, pois cada família teria uma renda, mas sim a sua composição. A pizza é uma figura interessante porque, em si, é um todo.

O Stephen Few argumenta que o uso de barras neste caso é mais adequado para se comparar os tamanhos dos pedaços entre si. Vejamos o resultado:



Ok, dá pra ver claramente a diferença entre as barras (há mais resolução gráfica). Porém, eu perco a noção clara de que as barras somam 100%. Muitas vezes me peguei fazendo continhas pra confirmar. No gráfico de Pizza isso é indiscutível. Outro detalhe, as cores nas barras ajudam? Em nada, veja como ficaria mais elegante o gráfico monocromático:



Já o de Pizza, precisa das cores (ou diferenças de tonalidades) para se distinguir seus pedaços. Veja-o no modo monocromático que coisa feia...



E agora?



Bem melhor. Um detalhe: coloquei a divisão do 1o para o 2o pedaço da fatia bem na posição 12h. Veja a seta abaixo:



Dona Wong, em seu livro “The Wall Street Journal Guide to Information Graphics: The Dos and Don'ts of Presenting Data, Facts, and Figures” defende isso porque a parte superior dos gráficos é a mais nobre, isto é, onde normalmente o leitor foca o olhar primeiro. Note que desta forma fica fácil comparar as duas primeiras fatias. Fiz aí o gráfico de Pizza "normal" pra você comparar:



Eu não gosto assim, prefiro a ideia da Dona Wong. Falando sério, eu ensino nos nossos cursos o uso que considero correto do Gráfico de Pizza - só pra representar partes de um todo. Frisando que é preciso parcimônia no seu uso. Imagine que você queira comparar os índices anuais do IPCA, nunca faça uma coisa dessas:



Tenho certeza de que pro céu é que você não vai.

Até
Roberto

quarta-feira, 19 de março de 2014

Atirei foi ao Mundo Corporativo hoje!

Hoje fui ao programa "Mundo Corporativo" do Milton Jung na CBN. Falamos de gráficos e melhoria num tom bem descontraído.

Agradeço a todos os internautas pelas ótimas perguntas que me fizeram.
Agradeço também ao Milton e ao pessoal da CBN que foram "dez" ao dar destaque para nosso tema.

A entrevista irá ao ar em breve, aguardem!

 

Até
Roberto

sábado, 15 de março de 2014

Serviço doméstico é o novo vilão da inflação?

Faz pouco tempo era o tomate, no passado era o chuchu, hoje o vilão da inflação é o serviço doméstico. A Folha fez uma análise muito interessante comparando o comportamento da inflação medida pelo IPCA e a variação do custo do item Serviços Domésticos para as famílias (veja reportagem aqui).

O gráfico de tendências abaixo mostra a grande diferença entre essas medidas desde 2004:



A matéria está muito boa, sem rodeios e traz uma informação relevante e completa em si. Mas será que o serviço doméstico é o atual vilão da inflação mesmo? Essa dúvida me despertou uma curiosidade sobre a forma de medição dos índices de inflação. Podemos saber como é feito? Esse é um ponto interessante, hoje qualquer pessoa tem acesso a bases de informação para fazer suas próprias análises. Você que gostaria de praticar e aprimorar sua habilidade de lidar com dados pode fazer isso bem mais facilmente que no passado. Fui, portanto, ao site do IBGE e coletei informações e dados a respeito do IPCA.

Pareceu-me fácil calcular a inflação em princípio. É só comparar preços de produtos e serviços que as famílias consomem de uma mês contra o outro. Aí começam os problemas, quais são esses produtos e serviços? É preciso definir uma cesta que represente os gastos da família brasileira. O IPCA tem uma cesta de mais de 400 subitens agrupados em 9 itens.

Outro problema é definir os pesos dos itens e subitens que indicam quanto contribuem para o total de gastos das famílias. Nada melhor que um gráfico de pizza para representar partes de um todo, né? Em janeiro passado os pesos dos 9 itens eram o seguinte:



Vale dizer aqui que os Serviços Domésticos estão contidos no item Despesas Pessoais contribuindo com quase 4 dos 10,6 pontos percentuais do item. Note como Alimentação e Transportes pesam bastante (somam quase 44%). Voltarei a eles daqui a pouco.

Veja agora o que aconteceu com a variação do custos para cada item da cesta, tendo como referência a média do IPCA do periodo de 2003 a 2013:



Foi bom ver todos os itens juntos. Podemos notar que, nos últimos anos, os vilões da inflação foram os itens Alimentação e Despesas Pessoais. Principalmente Alimentação, porque seu peso é bem maior. E quem "segurou" o IPCA foi Transportes. O item em que o governo pode atuar (controlar) por meios artificiais de política econômica (controle de preços de combustíveis, por exemplo).

Resta nos perguntar: até quando essa política vai resistir ao dragão?

Até
Roberto