quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O Facebook pode prever até início de relacionamento?

Recentemente vi uma manchete no site da Folha de São Paulo que me chamou a atenção e ao mesmo tempo me deixou ligeiramente confuso:

Início de namoro diminui quantidade e “alegra” posts no Facebook
O começo de um relacionamento amoroso no Facebook é caracterizado por um decréscimo significativo no número de publicações feitas na rede social e um incremento no uso de palavras que indicam sentimentos positivos, como “feliz”, segundo um estudo realizado pela própria empresa
Folha de São Paulo

Mas o que isso quer dizer? Que o namoro ocupa muito meu tempo e assim não consigo compartilhar mais tanta coisa na rede social? Ou que fico preocupado com as minhas publicações por medo de ciúmes da minha namorada? Achei isso um pouco contra intuitivo e talvez fosse mais bem explicado no gráfico disponibilizado pela pesquisa.


A dúvida não foi resolvida pela análise do gráfico, que mostra a evolução do número médio de posts na Timeline do Facebook ao longo do tempo, de 100 dias antes a 100 dias depois do início de um relacionamento.

Fui procurar então o post original, feito por Carlos Diuk, da equipe da rede social, que fez um estudo sobre a relação entre a quantidade de dias que um casal está namorando e quantidade de interações entre os dois na timeline do Facebook. Foi utilizada uma base de dados gigantesca, 460 mil casais, e o resultado é bastante interessante, existe uma tendência de aumento das interações alguns dias antes do início do relacionamento (valor 0 do eixo), que foi apelidado por ele de época de “cortejo”, quando se quer chamar a atenção da pessoa desejada. Existe então uma clara queda na média dessa quantidade de interações após o relacionamento se tornar “oficial”.

Ai fica fácil achar a falha de interpretação feita pelo jornal, não?

O termo “Numbers of Timeline posts” colocado no gráfico pode levar à conclusão feita pela Folha de São Paulo. Uma simples adição da palavra “interactions” poderia ter resolvido a confusão, ou uma leitura mais atenta do texto no post original, já que ao ler o texto colocado pela equipe do Facebook minha dúvida desapareceu.

Confusões à parte, é incrível como as redes sociais abrem espaço para a análise de coisas que há muito tempo seriam inimagináveis. O comportamento humano é algo extremamente fascinante e igualmente inexplorado. Muito pouco se sabe ainda sobre o assunto, ainda estamos engatinhando na tarefa de entender o nosso próprio cérebro, e quem sabe o Facebook seja uma grande ferramenta para entendê-lo melhor. As bases de dados das redes sociais são fascinantes e gigantescas, e podem proporcionar, se usadas com criatividade, a análise e a previsão de comportamentos que são dificilmente analisados em experimentos. O post original pode ser encontrado aqui

Ricardo Ziegelmeyer