segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Preferência pela democracia

Um histórico de levantamentos feitos pelo Datafolha revela aumento de preferência pela democracia entre os brasileiros. Perfeito, oxalá sigamos assim. O que não ficou bem foi mostrar os resultados em gráficos de setores circulares, um por levantamento, prejudicando a visualização das tendências. Vejam a sequência publicada na sessão Poder da Folha de hoje:



Há várias opções de gráficos de tendência ou de barras que são melhores para isso. Usando o Tableau para fazer exercícios, fiz o quadro abaixo com as seguintes sugestões:

1 Gráficos de tendências: podemos usar o próprio calendário no eixo X, ou a sequência de levantamentos (mantendo a ordem cronológica, mas sem espaçar conforme o calendário). Este último é a minha preferência.

2 Gráficos de barras verticais: podemos usar empilhadas (é muito usado, mas não recomendo, pois não se visualiza a tendência das barras no meio do sanduíche), ou barras deslocadas (gosto porque vemos a tendência de todas as categorias).

3 Gráficos de barras horizontais: não são minha opção, mas poderiam ser usadas para espaços largos e de pouca altura, como o do texto da Folha.

Cliquem abaixo nos tópicos para visualizar essas opções:




Qual sua preferência? Democracia, espero. E quanto ao gráfico a ser mostrado na matéria?

Até
Roberto

sábado, 15 de novembro de 2014

Como nascem os paulistas?

Em 2012 nasceram 610 mil bebês em São Paulo. Mais de 60% desses paulistinhas vieram ao mundo via cesariana. 60 é muito? Sim, muito. A OMS diz que o percentual de cesáreas não deveria passar de 15%. Minha irmã Priscila, parteira contemporânea da Primaluz, diz que há uma histórica epidemia de cesáreas no Brasil e que somos os campeões nesse procedimento.

Há um mês, a ANS lançou algumas propostas para enfrentar o problema que foram mostradas pela Folha do dia 15/out, veja:



Esse gráfico me deixou mais curioso sobre os dados dos nascidos vivos disponíveis no SINASC. Deu um certo trabalho porque tive de extrair as bases do velho TABWIN que atualmente está bem tabajara, com perdão do trocadilho.

Coletei os últimos dados publicados sobre São Paulo (2012), e resolvi fazer uma história. Como eram mais de 610 mil casos, tomei uma amostra aleatória de 10 mil para facilitar o estudo dos comportamentos por tipo de parto (cesárea e normal).

Foi fácil achar coisas interessantes nesses dados. Na história contada no Tableau abaixo, você terá três tópicos cujas conclusões principais são:

Tópico 1: Durante o ano de 2012, as cesáreas oscilaram entre 60 e 65% ao mês. Abrindo-se por dia da semana, vemos que há uma redução delas nos finais de semana, sobretudo no domingo. Vemos também uma redução durante a madrugada. Isso me parece associado a um comportamento de agendamento das cesáreas por parte de médicos e mães.

Tópico 2: Entre as mães mais jovens há menor proporção de cesáreas, assim como para as solteiras. As cesáreas aumentam com o aumento da escolaridade da mãe.

Tópico 3: Nas principais cidades de SP, as cesáreas são bem acima dos 15% preconizado pela OMS

Agora convido você a manipular os gráficos do Tableau e tirar suas próprias conclusões. Comece clicando no tópico que desejar, espero que goste:


Diante desse quadro, sugiro a você, que está grávida ou pretende estar, procurar mais informação a respeito. Minha comadre Marici Braz, que é médica, recomenda um grupo do qual ela faz parte, o Sumaúma, cujo objetivo é levar informações à gestate para que ela tenha seu parto com escolha consciente e não passe por uma cesariana desnecessária.

Até
Roberto

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Mapa do trânsito selvagem

Ontem saiu na Folha uma reportagem sobre a queda das mortes em acidentes de trânsito no Brasil de 2012 para 1013. E hoje, o mesmo assunto ocupou destaque no seu editorial. Os textos destacaram o Rio de Janeiro com a maior queda, 44% em valores absolutos. Mas os gráficos mostram um quadro ainda assustador, vejam:



Fiquei curioso sobre os dados. Gostaria de vê-los por estado e em valores relativos (índice de óbitos por 100 mil habitantes), mas não havia as fontes declaradas da matéria.

Penei um pouco para achar os valores absolutos no site do DATASUS e as populações estimadas dos estados no IBGE. Feitas as contas, fui tentar fazer mais um exercício no Tableau. Veja o gráfico que produzi abaixo. Escolhi começar com um mapa em que podemos escolher o ano de medição, coloquei abaixo dois gráficos de tendência (Regiões e Estados).

Eu sei que o gráfico por Estado está meio poluído, mas como podemos interagir com ele, achei conveniente manter todas as curvas. Inseri também a meta que o Brasil se comprometeu com a OMS para 2020 (50% de redução do valor de 2011) que é de 11,25 mortes para cada 100 mil habitantes.


Diante dessa grande variação entre os Estados, vemos que o esforço será grande para atingirmos a meta. Só apertar a gravidade das multas não será, com certeza, suficiente.

Até
Roberto

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dilma e o Bolsa Família

Hoje o Estadão trouxe interessante estudo sobre a provável influência do Bolsa Família nos votos de Dilma no 1o turno. Um gráfico de bolhas foi usado para mostrar essa relação. Veja como ele ficou na versão impressa:



Gostei dos detalhes e notas explicando como o gráfico funciona. Cada bolha representa um município do Brasil e quatro variáveis aparecem no gráfico:

Eixo X: Percentual de famílias que recebem o Bolsa Família;
Eixo Y: Percentual de votos para a Dilma no 1o turno;
Tamanho da Bolha: População do município;
Cor da bolha: Região do país.

Vemos uma nuvem de bolhas indicando haver uma relação linear e positiva entre as variáveis X e Y do gráfico. Conclui-se que quando a participação no Bolsa Família aumenta, a votação de Dilma também cresce.

A visualização do gráfico por região parece vital para o leitor fazer uma análise mais adequada do contexto e tirar suas próprias conclusões. Ocorre que as cores me confundem um pouco e não consigo aproveitar o potencial dessa análise.

Veja uma alternativa para esse caso. Plotando os dados em gráficos distintos e mantendo as escalas dos eixos, podemos visualizar facilmente as regiões ainda na forma impressa:



Outra alternativa é a publicação do gráfico em mídias eletrônicas. No blog do Estadão, blog.estadaodados.com, você encontra um gráfico interativo que facilita muito essa análise. A preocupação dos autores do blog foi justamente essa possibilidade de enxergar diferenças entre regiões.

Fazer gráficos interativos está cada vez mais fácil e acessível por meio de aplicativos. No entanto, eles não conseguem, sozinhos, elaborar os detalhes cruciais que facilitam a análise dos dados. Portanto, não deixe de focar no interesse e na melhor experiência do seu cliente, seja qual for a mídia escolhida.

Até
Roberto

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os números para presidente nos estados.

As eleições surpreenderam muita gente e entre centenas de gráficos tentando explicar o pleito de domingo, hoje o Estadão e a Folha trouxeram exatamente o mesmo gráfico mostrando os resultados para presidente por estado. Veja só:

Estadão


Folha


Com os mesmos dados fiz um exercício no software Tableau Public para deixar o gráfico mais manipulável. Veja o resultado e tente você mesmo mexer um pouco nele.

Que reviravoltas será que ainda teremos nesses números no 2o turno?

Até
Roberto

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Ranking da analfabetização de crianças

Faz algum tempo que quero comentar uma matéria da Folha de 26/set passado porque ela mexe com o que deveria ser a nossa maior prioridade, a Educação. A primeira ANA (Avaliação Nacional da Alfabetização) mostrou resultados assustadores.

O gráfico da reportagem traz o percentual de alunos classificados nos níveis mais baixos (1 e 2) de uma escala de 1 a 4 para três habilidades: Leitura, Escrita e Matemática.

Esses alunos não conseguem, por exemplo, localizar informação explícita no meio ou no fim de um texto, escrever textos narrativos com mais de uma frase, ou não conseguem resolver problemas de subtração com até dois algarismos. Veja quadro dos níveis e o gráfico publicados na Folha abaixo:





Quanto ao estilo, o gráfico está bem leve para o olhar, parecendo uma tabela. Para você analisar pontualmente o seu Estado, basta descer em ordem alfabética até encontrá-lo. Fica difícil, porém, ter uma visão conjunta dos Estados. Portanto, precisão e design o gráfico já contém, o que falta é análise.

No mínimo, o que se busca nesses dados são os piores e melhores casos e isso se dá pela ordenação dos itens. Outra informação que poderia facilitar seria a localização por região. Refiz o gráfico com essas modificações:



Uma coisa ainda me incomoda no gráfico: como os dados são relativos aos níveis 1 ou 2 (os piores de 4 níveis no instrumento de medida), as UF são ordenadas do menor para o maior valor.

Ocorre que somos acostumados a ranquear do maior para o menor valor. Computei os valores complementares para 100% (correspondendo aos níveis 3 e 4) e refiz o gráfico, agora não mais do analfabetismo.



É a mesma informação vista agora pelo lado positivo. Pode ser toc, mas gostei e passou o incômodo...

Vejo que crianças das regiões Sul e Sudeste (com excessão do Rio de Janeiro) estão com nível bem melhor no conjunto, e o Norte e Nordeste ficam muito atrás.

Complementando a análise, resolvi fazer os gráficos de dispersão relacionando as variáveis e notei que a correlação entre Leitura e Matemática é a maior entre as duplas. Isso é bem interessante e faz sentido. Ler textos e interpretar gráficos são versões diferentes da mesma habilidade que é a de compreender informações.



Com certeza, todos os meus votos nessas eleições irão para os candidatos mais engajados na Educação. Precisamos disso, e muito, e pra ontem.

Até
Roberto

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Um caso para gráficos com dois eixos.

No suplemento "Eleições 2014" da Folha de hoje, apareceu um gráfico em forma de espiral que deve ter chamado bastante a atenção dos leitores. Espaçoso, ele tomava quase uma página inteira:



Talvez quem o viu possa pensar que sua informação seja complexa para ser entendida e passe a tomar mais cuidado para interpretá-lo, ou simplesmente desista dele por não lhe parecer muito familiar. Vamos vê-lo mais de perto então...



Com dados anuais de 2001 a 2013, ele traz somente dois indicadores: gastos com saúde em todas as esferas de governo, e o percentual correspondente à esfera federal.

Minha sugestão neste caso é não causar, como se diz na gíria. Basta usar um gráfico com dois eixos, deixando um deles para barras (gasto total) e o outro para a linha (percentual federal). Isso daria um entendimento rápido e preciso ao leitor. Veja o resultado:



Vale lembrar que o gráfico da Folha não é uma invenção própria. Trata-se de um diagrama polar e foi desenvolvido e usado durante a Guerra da Crimeia (1853-1856) pela enfermeira e estatística Florence Nightingale, fundadora da moderna Enfermagem.

Ela sensibilizou o parlamento inglês para a importância de cuidar da higiene básica das tropas mostrando que a maior causa das mortes no fronte de batalha não era a guerra, mas doenças adquiridas nela.

Eis o gráfico que fez história:



Até
Roberto

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Juntando gráficos de barras

Sem dúvida, os gráficos de barras são as ferramentas mais usadas e conhecidas para se representar informações quantitativas. Todo mundo os lê e interpreta com facilidade desde que sejam bem construídos e mostrem conteúdos do repertório comum das pessoas.

Vejam uma série de gráficos de barras que saiu na Folha nesta semana. Eles comparam quatro instituições financeiras quanto ao atraso em pagamentos de parcelas de empréstimos para vários produtos.



Não há nada de errado com eles. Normalmente as pessoas avaliam corretamente indicadores de proporção de itens classificados como nesse caso. A comparação entre bancos e para cada produto também me parece uma análise natural a ser feita pelos leitores.

O que pegou pra mim foi ter necessidade de ler a informação em seis gráficos diferentes, um para cada produto. Decidi então fazer ensaios para ver se, juntando os gráficos, a gente teria mais eficiência na análise. No primeiro, padronizei as cores para bancos e coloquei os gráficos dispostos lado a lado.



Melhorou, mas ainda faltam ajustes. Coloquei gráfico sobre gráfico e ordenei-os pela média do indicador. Veja o produto.



Opa, acho que valeu a ordenação e alinhamento, ficou bom. Animado, resolvi deitar as colunas para parecerem "Paretos" em cada instituição. Olha o resultado.



Gostei. Viu só como um simples conjunto de gráficos podem ser melhor arrumados? Paro por aqui. Você teria uma alternativa para contribuir?

Até
Roberto

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Eleições: candidatos x segmentos

Ontem o Ibope soltou mais uma pesquisa eleitoral e o Estadão publicou esses interessantes dados de associação entre candidatos e segmentos econômicos:



Não me pareceu ter nenhum sentido a ordem dos gráficos no quadro acima. Olhando cada um individualmente, a gente tira conclusões isoladas. Como a própria manchete do jornal diz: "Petista é mais associada a bancos que rivais". Tentei então fazer algum agrupamento, já que os dados seriam mais interessantes se a gente soubesse interpretar essas associações em conjunto. O resultado é esse gráfico:



E de onde eu tirei essa ordem?

Vamos lá, a soma dos percentuais é praticamente constante, deve haver então duas dimensões que predominam nesses dados (2 = número de candidatos - 1). Eu gostaria de saber qual a carga de cada candidato nessas duas dimensões. Rodei (por conta e risco) uma ferramenta da Análise Multivariada chamada Componentes Principais e obtive os seguintes pesos:

Componente 1 (70% da variação): Dilma (0,471); Marina (-0,687); Aécio (0,553)
Componente 2 (30% da variação): Dilma (0,774); Marina (0,022); Aécio (-0,633)

Hã...? E o que isso quer dizer? É mais ou menos isso: a primeira componente é um contraste entre a Marina de um lado (valor negativo) e uma média de Dilma e Aécio do outro (valores próximos e positivos); a segunda componente é um contraste somente entre Dilma e Aécio. Eles têm sinais opostos e a Marina tem praticamente zero de carga nessa componente. Com isso fiz um gráfico de dispersão cujo X é Marina e Y é a diferença Dilma-Aécio, e plotei cada segmento nele.



Observando o posicionamento dos itens, vemos as seguintes associações:

Marina (meio ambiente, agricultura, jovens e pobres);
Dilma (pobres, trabalhadores, aposentados, funcionalismo e comércio);
Aécio (comércio, indústria, financeiro e ricos).

Ordenei os setores conforme essas associações e fiz o gráfico de barras abaixo:



O resultado final foi aquele primeiro gráfico. Observe que como a componente 1 é a que explica 70% da variação, esse gráfico é praticamente o ranking conforme o % de Marina.

Puxa, me surpreendi com essa análise, para mim fez bastante sentido esses agrupamentos. E para você, é muita viagem?

Até
Roberto

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Gráfico de bolhas: bom recurso de análise

Na semana passada, saiu uma matéria na Folha analisando a situação dos afastamentos por uso de drogas no Brasil. A Reportagem trazia dois quadros. O primeiro mostrava o aumento de 2009 a 2013 na frequência (total e por tipo de causa) e no valor gasto em nível Brasil.



O seguinte trazia os estados ranqueados pela variação nos anos. Veja o gráfico de barras abaixo:



Como você interpretou esse último quadro? O Amapá, por ser o estado no topo, corre o maior risco de afastamentos? Em Alagoas, sendo o último da lista, a política antidrogas está funcionando? Veja os estados da região Sul, esta é a melhor região do país em afastamentos por uso de drogas?

Se você ficou em dúvida quanto às questões acima, talvez tenha sido por causa das enormes diferenças nos números absolutos entre estados. Por exemplo, São Paulo tem quase 1000 vezes mais casos que o Amapá. Como comparar coisas tão diferentes?

É simples, procure usar indicadores relativos.

Tomar os totais (Brasil) de cada ano como referência não é uma boa ideia, pois não saberíamos analisar se os aumentos foram grandes ou pequenos. Isso ocorre porque na matéria não há dados de trabalhadores empregados, só de afastados.

Fui, então, ao site da RAIS e achei os totais de empregados por estado nos anos de 2009 e 2013. Com isso, calculei o número de afastamentos concedidos por auxílio-doença para cada 100 mil trabalhadores empregados em cada ano e por estado. Veja o ranking de estados com maiores índices em 2013:



Esse gráfico nos mostra uma realidade muito diferente. Santa Catarina e Rio Grande do Sul saem da base da lista anterior para o topo desse novo ranking, passando dos 500 afastamentos para cada 100 mil empregados em 2013. No país, a média é de 277 concessões de auxílio-doença por drogas para cada 100 mil empregados.

Assim, para se fazer uma análise mais sistêmica, deveríamos ver mais de um indicador no gráfico. Um bom recurso pra isso é o gráfico de bolhas que pode receber pelo menos 3 variáveis numéricas (X, Y e tamanho da bolha) e uma categórica (cor da bolha). Como exercício, usei os seguintes indicadores para o caso em questão:

  • X: Variação percentual do índice de concessão de 2009 para 2013;
  • Y: índice de concessão por 100 mil empregados em 2013;
  • Tamanho da bolha: número de afastamentos em 2013;
  • Cor da bolha: região do país.

Veja o resultado:



Agora sim, podemos enxergar algumas coisas bem interessantes. Veja as posições de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, apesar de terem os maiores índices, houve recuo do indicador em 2013. Ao contrário da maioria dos estados que caminhou para pior nos índices. Alertas soam, por exemplo, para o Espírito Santo (com o maior aumento), e para Minas Gerais, (estado de grande contingente, com índice superior a da média nacional).

Fique craque na interpretação de gráficos de bolhas visitando o site do Hans Hosling: Gapminder. Lá você aprende a analisar dados de centenas de países modificando as variáveis de um gráfico de bolhas interativamente. É uma forma lúdica e didática de mostrar ao mundo como estamos e donde viemos.



Até
Roberto

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Gráfico mirabolante

Quem procura mirabolâncias, pode achar algo mirabolante. Explico pelas definições do Michaelis:



Eu já estava incomodado com esse gráfico de barras curvas que sai toda segunda no caderno de economia do Estadão:



Agora dêem uma olhada nesse gráfico do Especial de Economia que o próprio Estadão publicou hoje. Digam-me se não se trata de algo mirabolante:



Até
Roberto

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Inflação em ano de eleições

Hoje saiu o IPCA de agosto e atualizei nosso gráfico de controle da inflação.



Ela até está bem comportada. Não que isso seja bom porque dá pra esperar que chegaremos ao fim do ano com 6,5% acumulado no mínimo. É só comparar com o comportamento do IPCA em 2010, o último ano de eleições para presidente no Brasil.



O que você acha que teremos após outubro?

Até
Roberto

domingo, 3 de agosto de 2014

O gráfico de barras empilhadas.

Toda semana um bom jornal traz ao menos um gráfico de barras empilhadas. Isso também vale para apresentações profissionais. Trata-se de um recurso para se entender ou monitorar diferenças na composição de resultados conforme uma estratificação dos dados, ou mesmo ao longo do tempo.

A Folha desse último domingo mostra, em seu caderno Mercado, o perfil de participação de vendas de várias marcas de tablets nos anos de 2012 a 2014, veja o gráfico:



O gráfico não é tão ruim, e tem a vantagem de ser feito em qualquer excel. Minha crítica é que, tirando a primeira e última barra, fica difícil observar com eficiência a variação dos valores das barras do meio. Isso ocorre porque elas não estão com suas bases numa mesma posição inicial (estão sobre as de baixo).

Para ajustar isso, basta deixar um espaço idêntico em cada barra empilhada, assim todas podem começar do zero. Fica uma espécie de tabela gráfica, veja o resultado:



O que você acha? Ficou melhor? Aceito sugestões...

Até
Roberto

P.S.: o último gráfico foi feito no Minitab.

sábado, 10 de maio de 2014

Controle da Inflação versão Atirei.

Saiu na última sexta a variação do IPCA de abril. Variou +0,67%.

Como sempre, muitas explicações vieram, e me perguntei novamente: é variação comum ou variação especial? Eu poderia ver isso simplesmente num gráfico de controle, mas com base nos estudos que já fizemos aqui, a variação histórica do IPCA tem uma sazonalidade em V durante o ano (veja post O "V" da inflação). Vejamos então o ponto de abril no gráfico do V:



Esse gráfico mostra que estamos perigosamente longe dos pontos dos anos anteriores.

Resolvi tentar modelar o tal formato em "V" via análise de regressão. E não é que um modelo quadrático coube bem? Para estatísticos: o parâmetro quadrático deu significante mas com r-quadrado baixo. Mesmo assim, pedi os intervalos (95%) de predição (já que queremos predizer valores individuais do IPCA, e não a média mensal).

Com esses intervalos, fiz o gráfico abaixo que chamei Gráfico de controle da inflação, versão do Atirei.



Pronto, esse será o gráfico em que acompanharemos o IPCA deste ano. Note que esse modelo é feito com base nos dados históricos, portanto estamos somente testando se a variação do IPCA deste ano se parece com os anos anteriores (2005-2013),ok? Não confunda com o valor que o IPCA deveria seguir... perto de zero, claro.

Pra ficar fácil de interpretar: digamos que abaixo da curva média é gol; acima, mas dentro do limite, é bola na trave; e acima do limite é bola pro mato. Temos nesse ano um gol, duas bolas na trave e uma pro mato. Assim não dá pra passar de fase hein!?

Até
Roberto

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A “Mágica” da Economia Nigeriana

A Nigéria, país do oeste africano, parece ser a bola da vez entre as relevantes economias emergentes do planeta. Muitos veículos de mídia noticiaram que o país passou a ser a maior economia do continente africano, ultrapassando inclusive a África do Sul. O PIB do país (soma de tudo que foi produzido dentro do período de um ano) passou de 296 bilhões de dólares para 510 bilhões, um aumento de 89%!!!

O que os jornais falharam em destacar é que a economia da Nigéria não mudou em nada, não houve mágica, o que houve foi uma mudança na metodologia de cálculo do PIB, que não vinha sendo atualizada desde 1990. Vários setores que não tinham importância até a mudança de metodologia passaram a ser contabilizados corretamente, como o setor de telecomunicações e a nascente indústria cinematográfica nigeriana.



Source: The Economist

Na Nigéria nenhum dos seus 170 milhões de habitantes está mais rico do que estava antes da mudança de metodologia, e como podemos ver no post Indicadores da extrema pobreza no mundo, a extrema pobreza ainda é um problema relevante, mas isso foi um passo extremamente importante para o país. O tamanho da economia nigeriana vinha sendo subestimada por muitos anos. Por bastante tempo não foi dada a devida importância ao país no cenário econômico internacional, e isso se deve à falta de empenho em contabilizar corretamente o mais importante indicador do tamanho de uma economia, o PIB.

Hoje a Nigéria está sob os holofotes do mundo e passa a ser a maior potência econômica do continente. A estimação correta de um indicador é muito importante para que a figura correta seja mostrada, afinal, agora a Nigéria não é só mais um país com grandes reservas de petróleo que reconhecemos por ter uma forte seleção de futebol.


Ricardo Ziegelmeyer

terça-feira, 15 de abril de 2014

Indicadores da extrema pobreza no mundo

No relatório que o Banco Mundial soltou na semana passada sobre a situação da extrema pobreza no mundo, "Prosperity for All: Ending Extreme Poverty", os indicadores é que contam uma história de melhoria e apontam os focos para atingir a meta de acabar com ela até 2030. Vou destacar aqui esses dois pontos no relatório em que vemos claramente os conceitos de gestão por indicadores na execução de uma estratégia.

O primeiro ponto, contar uma história, trata da função estratégica de indicadores que é a de fornecer feedback. A gente sabe que nem toda mudança é melhoria, então precisamos de indicadores que nos mostrem se estamos melhorando.



Para ver se estamos no caminho certo quanto à extrema pobreza, o relatório traz esse primeiro quadro:



Sem dúvida estamos melhorando. O gráfico de tendência (ou um gráfico de controle) é a ferramenta nesse caso.

O segundo ponto, apontar focos, lida com a função estratégica dos dados de buscar oportunidades para direcionar mudaças. Significa ter inteligência para investir nossos esforços, que são sempre limitados, nos focos de maior probabilidade de obter melhoria.



O Banco mundial aponta que em poucos países se concentram o maior numero de pessoas em situação de extrema pobreza. Veja isso no gráfico abaixo:



Pelo princípio de Pareto, é importante focar em poucos países para reduzir a complexidade de atuação. Contudo, um país pode aparecer na lista por estar relacionado a uma taxa alta de extrema pobreza e/ou ao gigantismo da sua população. A China, por exemplo, tem cerca de 12% de taxa de extrema pobreza (mundo=18%) e figura ali devido à sua enorme população.

Foquemos, também, nos países em situação crítica por ter alta taxa de extrema pobreza (maior que 40%):



Urgência é a palavra relacionada a esses países.

Poderíamos atirar facilmente o pau nesses gráficos quanto às suas formas e detalhes. Claro que não vamos. Pelo contrário, que bom que vieram para iluminar essa triste realidade do mundo em que habitamos.

Até
Roberto