sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Falso alarme ou erro de detecção?

Li com muito interesse hoje no caderno Folha Saúde+Ciência o artigo: "Teste evita biópsia de próstata desnecessária", porém não encontrei dados para concluir isso no gráfico da matéria:



O novo teste (Scanner) é rápido e não invasivo, muito melhor que uma biópsia, mas apresenta ainda 10% de erros. Ocorre que o texto não explica quais erros são esses. Há basicamente dois tipos: falsos alarmes e erros de detecção dependendo de qual veredito a biópsia (exame tido como correto) produziu: biópsia deu negativo, ou positivo.

Veja uma tabela mostrando esses erros:



Para eu concluir que o Scanner evita biópsias, ele teria de ser bom para garantir que um indivíduo está são. Ele não pode produzir erros de diagnóstico, dizendo que está tudo bem quando na verdade há doença. Poderíamos até suportar alguns falsos alarmes, que exigiriam a biópsia desnecessariamente.

Exemplificando a falta de dados na matéria, apresento duas situações hipotéticas extremas em que os mesmos 15 erros foram distribuídos de maneira diversa conforme os resultados das biópsias. Uma premissa que usei foi de que normalmente 40% dos teste de biópsia dão positivo na prática. Esse dado sim, está na matéria. Na primeira hipótese, coloquei todos os erros como se fossem falsos alarmes:



Veja que os 15 erros se concentram nos casos cuja biópsia deu negativo e nenhum erro ocorreu com biópsia dando positivo. A taxa de falso alarme seria de 15/90=17% e a taxa de erro de detecção seria 0/60=0%. Dessa forma, o Scanner foi bem rigoroso. Toda vez que ele disse não haver câncer, realmente não havia, apesar de algumas vezes ele ter detectado câncer quando não havia. O novo teste evitaria assim que os 75 casos em que o Scanner apontou negativo passassem pela biópsia. É uma redução de 50% de indicação para biópsia.

Veja uma segunda situação em que os erros sejam todos de detecção:



Aqui temos um sério problema. Com os 15 erros ocorrendo somente nas biópsias com resultado positivo, o Scanner deixou de detectar o câncer em 15/60=25% dos pacientes realmente doentes. Ou seja não se pode confiar quando ele fala que está tudo bem, né? Assim, qualquer diagnóstico do Scanner, seja positivo ou negativo, teria de ser confirmado. Portanto, nenhuma redução de biópsia.

Conclusão?

Folha: não dá pra não mostrar todos os dados.

Até
Roberto

2 comentários:

  1. Roberto, interessante essa forma de pensar: devemos ter mais certeza quando os exames não apontam nada. Mas parece que vc está certo...

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    1. É Renata, por isso que se criam exames com cada vez mais resolução (maior poder de detecção). O desafio é que sejam também simples de serem realizados.
      Obrigado pela participação!

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