quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Divórcio cresce 46%? Como assim?!...

Você já deve ter ouvido falar em resiliência, ou seja, o poder de resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto psicológico. É uma característica pessoal em moda no mercado. Cuidado para não confundir resiliência com falta de capacidade de se espantar com as coisas.

Quando li a matéria sobre o aumento de divórcios de ontem da Folha, tomei um susto. 46% de aumento é muita coisa, não?



As explicações para o fato são as facilidades para se obter o divórcio a partir de 2010. Hum, isso não me convenceu. Havia, então, uma "falta" de divórcios no passado por conta da burocracia? Casamentos eram desfeitos na prática, e não na formalidade?

O susto me fez desconfiar da informação. Não que ela estivesse incorreta, acredito que o IBGE tenha publicado um número bom, mas que estivesse pelo menos incompleta.

Fui até a fonte da qual o jornal se baseou, o IBGE, e logo percebi que realmente faltava uma variável nessa conta, as Separações Judiciais. Notei que esses eventos, perto de 100 mil por ano até 2009, foram praticamente extintos em 2011. Veja o gráfico do total de dissoluções de casamentos abaixo:



Agora todo ficou mais claro. O número a ser noticiado seria 16,5% de aumento de dissoluções e não 46% (só divórcios). Precisamos complementar as explicações dadas na matéria, os divórcios aumentaram porque as facilidades fizeram migrar Separações Judiciais para Divórcios, é isso. E Isso não aparece em nenhum parágrafo do texto da Folha.

Ah, Folha, gosto muito de você, mas vamos lá: pau na matéria!

Até
Roberto

6 comentários:

  1. Não podemos acreditar em tudo que é publicado. Temos que ir aos fatos.
    Gostei da análise, esclarecedora.
    abraços,
    Graça

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  2. Obrigado, Graça! Apareça sempre!

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  3. Gostei do seu gráfico, ficou bem bacana. Fez em qual software? Fez no R?

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    Respostas
    1. Manoel, usei o Minitab. Modifiquei o formato default para melhor visualização. Obrigado pelo feedback!

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  4. Parabéns pelo gráfico. A análise é muito interessante. Definitivamente não podemos acreditar em tudo que lemos. Esse exercício de análise crítica é fundamental.

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  5. A informação parcial pode ser muito perigosa. A complementação da informação foi fundamental para esclarecer a notícia.
    Parabéns pelo belo trabalho!
    Maurício Murari

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