quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Estatísticas derrubam secretário da Segurança em SP

Um dos principais assuntos de hoje é a queda do secretário da Segurança em SP, Ferreira Pinto. Todos os jornais estão discutindo as causas, porém quem deu o empurrão final foram as estatísticas. A Folha foi direto ao ponto na sua manchete:



Para entender melhor o assunto, a primeira pergunta que me fiz foi: "a violência realmente piorou?" Para tentar responder, fui completar o gráfico discutido no post "Boa notícia" abaixo



Na página da Secretaria de Segurança Pública de SP há dados atualizados até o terceiro trimestre deste ano. Veja o gráfico:



Surpreso com o que viu? Eu também fiquei. Não me parece, pelos dados, que estamos vivendo a guerra que a TV nos mostra. Resolvi, então, fazer o gráfico mensal para aparecer o resultado de outubro (que não aparece ainda nas estatísticas trimestrais).



Ah, esse é o tal pontinho, a bala que derrubou o antigo secretário.

Como é que pode, de repente, um valor aparecer assim tão alto em relação ao comportamento normal do indicador? É sem dúvida uma causa especial a ser investigada, correto? Deve ter uma explicação específica e lógica para isso, segundo a teoria de Shewhart a respeito dos gráficos de controle.

Ocorre que nenhum jornalista aponta uma causa específica única para que o mês passado fosse mais sangrento que os outros, eles apontam várias. Estamos, na verdade ouvindo o noticiário de violência há meses. Surge então uma outra hipótese, a de que os dados não estavam sendo coletados corretamente, o que você acha dela? Pode ser, pode ser...

No próximo post gostaria de continuar esse assunto: as causas da queda do secretário.

Até
Roberto

9 comentários:

  1. Infelizmente na muitas vezes as decisões são tomadas politicamente e depois procuram-se números para explicar os fatos.

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    1. Concordo, Xará. O Gov. Alckmin pareceu um presidente de clube demitindo um bom treinador porque perdeu uma partida muito visada...

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  2. Minha hipotese e com relacao a politica de nao haver prisoes no periodo de eleicoes. Veja:
    1. “No dia da eleição, ninguém pode ser preso”
    A menos que haja flagrante ou que a pessoa seja condenada. No caso dos eleitores, a regra começa a valer cinco dias antes das eleições e vai até 48 horas depois. Já os mesários, fiscais de partido e candidatos têm liberdade garantida nos 15 dias anteriores ao pleito. O motivo é evitar o uso político das prisões e abusos de autoridade que possam influenciar o resultado da eleição.

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    1. Entendi sua hipótese para explicar o aumento súbito de outubro. Continuo, porém, achando que os dados dos meses anteriores estavam subestimados. Obrigado!

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  3. Beto, você escreveu (e mostrou dados) sobre um ponto que vinha me incomodando (não só a violência, mas também o que a imprensa fala dela).

    Algumas perguntinhas que os jornalistas (mais sabidos do que eu) não se fazem:

    1) A folha diz "Homicídios Dobram". Em relação a qual base ?

    2) Qual é a referência, para saber se o processo é capaz ? São Paulo é o único estado abaixo da violência epidêmica (até o mês de setembro) que segundo a ONU é definida como taxas acima de 10 homicídios por 100 mil habitantes por ano.

    3) Uma hipótese é de uma ação terrorista de grupos criminosos querendo que a população deixe de confiar na polícia. Outra é de que grupos rivais querendo "acertar as contas" aproveitem o barulho (já que os crimes ficam na conta da polícia ou do PCC). As duas hipóteses são afetadas pela cobertura jornalística - que por exemplo, não veícula notícias sobre crimes em outros estados. Mesmo durante nossa crise, a taxa do restante do Brasil é pelo menos o dobro, o que significa que o número de assassinatos fora do estado ainda é maior em números absolutos.

    4) E se o objetivo era derrubar o secretário ? Até o ministro da justiça estava interessado nisso...


    Edu Rocha

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    1. Edu, ótimo comentário! Acho que o caminho da análise passa pelo seu quarto item: queriam a cabeça do Secretario. Nosso governador cedeu ao crime de dentro e de fora da policia pressionado pela mídia que "mordeu a chumbada" do terrorismo.
      Obrigado pela análise. Seu comentário abre caminho pra outro post. Abraço!

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  4. Eu fiz uma análise parecida e cheguei as mesmas conclusões. A taxa de violência no Estado de São Paulo tá caindo e muito. Eu fiz um análise por municípios, também. Nesta análise, vejo que a violência está caindo nas grande cidades e indo para as médias. Porém, a imprensa gosta mesmo de causas especiais. É lá que mora o "fato" gerador da notícia.
    O pessoal quer aproveitar politicamente da causa especial.

    Já sob a ótica do PCC, podemos falar que a ação deles foi um sucesso. Terrorismo é isto. O terrorista, como não tem força para mudar o indicador, procura provocar uma causa especial e com isto, enfraquecer seus opositores. Só lembrarmos o 11 de setembro.

    O que podemos fazer é uma vaquinha. Comprar alguns livros (O Andar do Bebado, Fooled by Ramdoness, Cisne Negro, Thinking fast and slow, Blink ...) e mandarmos para o Geraldo. Quem topa?

    Abraços

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  5. Boa, Virgílio, adorei a ideia da vaquinha. Melhor seria se ele passasse uma tarde com o prof. Ademir. Abraço!

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    1. Ai ele seria evangelizado. Igual a gente.

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