segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Segurança: uma questão estratégica

Os comentários do último post "Estatísticas derrubam secretário da Segurança em SP" me aguçaram a curiosidade a respeito do tema. O Edu Rocha, por exemplo, destacou o fato da violência aqui em SP ter caído muito em relação aos outros estados.

Ele tem razão, no Mapa da Violência (http://mapadaviolencia.org.br/) você encontra o gráfico mostrando a queda dos índices do nosso estado, e que a partir de 2005 estamos menos violentos que o Brasil:



Compare agora os mesmos indicadores para o Rio e Bahia:





Assustadora a situação da Bahia, né?

Voltando a SP, não há dúvidas de que houve melhoria na segurança. Então, que mudanças foram feitas para obter esses resultados? Afinal, nem toda mudança é melhoria, mas toda melhoria necessita de mudança...

Entrei no site da SSP-SP e logo temos uma lista de explicações que vou tentar resumir em 10 itens:

1. Melhoria de dados e indicadores
  • Mapa da criminalidade
  • Transparência nas Estatísticas
  • Gestão da redução de Homicídios
2. Melhoria da inteligência
  • Sala de Situação
  • Sistema de Informações Criminais (Infocrim)
  • Programa de Policiamento Inteligente (PPI)
3. Aumento e modernização de equipamentos
  • Grupamento Aéreo
  • Novas Viaturas, armas e equipamentos
  • Rádio Digital
4. Novos modelos de atuação
  • Olho de águia
  • Videomonitoramento
5. Mais policiais na rua
  • Centrais de Flagrantes
  • Redução de burocracia do policial
  • Delegacia Eletrônica
6. Atuação de maneira especializada
  • DPPC: Proteção à Cidadania
  • Condomínios mais Seguros
7. Combate à corrupção interna
  • Corregedoria mais forte (ligada ao próprio secretário)
8. Aumento de esclarecimento dos crimes
  • Criação do Geacrim, Grupo Especializado de Atendimento a Locais de Crimes
  • Fotocrim e controle de provas
  • Melhoria da Polícia Técnico-Científica
9. Atuação em fatores críticos
  • Operação Desarmamento
  • Policiamento de Trânsito
  • Fiscalização da Lei Seca
10. Aumento da participação da população
  • CONSEG: 857 unidades
  • Polícia Comunitária

Agora eu pergunto a você, especialista em segurança, executivo de negócios, gestor de uma instituição, Black Belt, cidadão, o que for, não lhe parece uma estratégia bem definida? Você proporia algo diferente?

Se você fosse um investidor da bolsa e analisasse os resultados obtidos mais a estratégia acima, você não compraria as ações da Secretaria de Segurança?

Voltando, agora, à troca de secretários, você acha que essa mudança vai ser uma melhoria? Oxalá o novo secretário tenha mais jogo de cintura com a mídia e dê continuidade à estratégia anterior.

Até
Roberto

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Estatísticas derrubam secretário da Segurança em SP

Um dos principais assuntos de hoje é a queda do secretário da Segurança em SP, Ferreira Pinto. Todos os jornais estão discutindo as causas, porém quem deu o empurrão final foram as estatísticas. A Folha foi direto ao ponto na sua manchete:



Para entender melhor o assunto, a primeira pergunta que me fiz foi: "a violência realmente piorou?" Para tentar responder, fui completar o gráfico discutido no post "Boa notícia" abaixo



Na página da Secretaria de Segurança Pública de SP há dados atualizados até o terceiro trimestre deste ano. Veja o gráfico:



Surpreso com o que viu? Eu também fiquei. Não me parece, pelos dados, que estamos vivendo a guerra que a TV nos mostra. Resolvi, então, fazer o gráfico mensal para aparecer o resultado de outubro (que não aparece ainda nas estatísticas trimestrais).



Ah, esse é o tal pontinho, a bala que derrubou o antigo secretário.

Como é que pode, de repente, um valor aparecer assim tão alto em relação ao comportamento normal do indicador? É sem dúvida uma causa especial a ser investigada, correto? Deve ter uma explicação específica e lógica para isso, segundo a teoria de Shewhart a respeito dos gráficos de controle.

Ocorre que nenhum jornalista aponta uma causa específica única para que o mês passado fosse mais sangrento que os outros, eles apontam várias. Estamos, na verdade ouvindo o noticiário de violência há meses. Surge então uma outra hipótese, a de que os dados não estavam sendo coletados corretamente, o que você acha dela? Pode ser, pode ser...

No próximo post gostaria de continuar esse assunto: as causas da queda do secretário.

Até
Roberto

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Pesquise preços antes de vender seu carro

Temos uma pick-up Strada ano 2008 com 60mil km, bem conservada, mas gostaríamos de trocá-la por um carro novo. O preço dela na tabela Fipe é de R$ 27,7 mil.

Chegamos à concessionária, escolhemos o carro novo e esperamos uns 20min pela avaliação técnica do nosso usado. A vendedora trouxe toda sorridente o laudo: "Acho que podemos fazer um ótimo negócio, seo Roberto, pagamos R$ 18mil na sua Strada.

Eu disse, como assim? Na Fipe consta R$ 27,7mil? Ela continuou sorrindo e nos explicou que a tabela Fipe é uma referência para as seguradoras e que os dados são manipulados e blá, blá... Agradeci e sai da loja sem fazer o negócio.

Chegando a casa, fiz uma pequena pesquisa num grande site de venda de veículos e achei 33 ofertas de carros idênticos ao meu. Coletei dados de cada oferta em duas variáveis: preço e km rodado. Logo descobri, pelo gráfico de dispersão abaixo, que não há uma relação forte entre essas variáveis.



Veja a comparação dos preços do mercado com a proposta que obtive num histograma:



São R$ 10mil de diferença com relação à média das ofertas, perto de um terço do valor do carro. Esse é o preço da comodidade que se tem ao trocar o carro na concessionária.

Você é tão rico assim para pagar tanto por essa comodidade?

Até
Roberto

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dica: um processo de análise de dados

Na hora de analisar dados as pessoas pulam muitas etapas importantes. Deixo uma dica aqui sobre o processo de análise de dados em 8 passos fundamentais:



Qual desses passos a gente se esquece?

Até
Roberto