quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Erro de digitação e de inferência



Li esse título na Folha de hoje e quando cheguei ao gráfico, "Pau no Gráfico"! Veja que tanto as vendas, como os preços dos tablets, aumentaram.

Provavelmente o erro seja de digitação porque, no próprio texto da matéria, a autora explica que os preços dos tablets na verdade diminuíram. Veja o texto:



Claro que esse erro não condenaria ninguém, mas certamente provocaria um desconforto numa apresentação. Imagine você estampando seu gráfico num telão e dizendo para um diretor comercial:
"Observe, Sr.Diretor, como a queda dos preços dos tablets fizeram as vendas crescer em 120%, e as projeções para..."

Nesse momento o diretor interrompe você afirmando: "Espere um pouco, por favor, o gráfico não diz exatamente isso que o senhor afirma!"

Você, agora tenso, se arruma na cadeira, verifica o telão e tenta esclarecer o erro: "Ah claro! Me desculpem, lamentavelmente digitei os valores trocados! Inverti os preços de 2011 e 2012, portanto os preços caíram, ok?"

Ele continua com um olhar doce, mas firme, e lhe pergunta: "Já tinha percebido o problema de digitação, porém o que gostaria de saber é como o senhor pode afirmar que a causa do aumento das vendas foi a queda do preço? Há outras hipóteses, por exemplo, aumento de exposição na mídia, aumento de modelos disponíveis, aumento de pontos de distribuição... O que me diz? Você acha que pode provar a sua hipótese com esse seu gráfico?"

Sua melhor alternativa nesse momento é recuar e dizer: "Ok, o senhor tem razão, o preço é somente uma hipótese que estou defendendo. Vou completar a análise para lhe trazer um quadro mais completo..."

Fica aqui minha dica: a observação de dados históricos serve para levantarmos nossas hipóteses mas não para prová-las. Seja prudente nas suas apresentações colocando palavras como "provavelmente", "possivelmente". Atente-se às suas certezas!

Até
Roberto


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Gráficos de controle do Ártico

Na semana passada tivemos o recorde de degelo do Ártico, uma péssima marca dos nossos tempos. Apesar de lamentar muito a notícia, gostei do gráfico usado para monitorar o fenômeno:
 

Trata-se de uma espécie de gráfico de controle com referências de média e limites de variação que acompanham a sazonalidade dos dados (normalmente são retas horizontais). Vejam que o recorde já está na metade do caminho do degelo total:

 

Mas nenhum gráfico estatístico é mais poderoso que uma imagem mostrando a realidade:

 

A linha amarela representa o perímetro mínimo médio normal (média da curva normal naquele gráfico anterior).

Até
Roberto

referências:
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1157686-marcelo-leite-norte.shtml
http://nsidc.org/arcticseaicenews/
http://www.nasa.gov/topics/earth/features/2012-seaicemin.html

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O primeiro Black Belt da história...



Era uma vez na Inglaterra do século 17, um Rei desesperado pela crise financeira que abalava o seu reino. Havia vários fatores para isso:
- guerra contra a França
- cerca de 20% de moedas falsas
- mais de 50% de moedas eram aparadas
- os métodos de cunhagem eram da idade média
- as moedas em circulação eram velhas e havia muita variação de tipos
- outros países recusavam moedas inglesas em acordos comerciais

Diante disso, o Rei nomeou um novo "Inspetor da Casa da Moeda" para dar conta do recado. Para mim, ele foi o primeiro Black Belt da história. Usando modernos conceitos e ferramentas do Lean e do Six Sigma para atuar em diversas estratégias, ele atingiu seu objetivo. Seu MOP (Mapa de Organização do Plano) explica como foi isso:



Os resultados foram ótimos! Ele conseguiu trocar todas as moedas em apenas um ano, aumentando a de produção inicial de 15k para 100k libras/semana, e zerou falsificações e raspagens.

Você saberia me dizer quem seria esse Black Belt?



a) Adam Smith
b) Isaac Newton
c) William Shakespeare
d) Francis Bacon
e) Ricardo Coração de Leão

Aguardo sua resposta nos comentários...

Até
Roberto

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Vejamos o spread bancário...

Hoje a Folha (Mercado-B3) trouxe um quadro bastante didático sobre o spread bancário no Brasil. A matéria analisa as taxas dos juros cobrados e o spread que não caíram na mesma proporção ao longo dos anos. Vejamos o quadro:



Como alternativa, podemos usar a definição de spread (juros cobrados - juros pagos) para refazer o gráfico à moda de Playfair . Assim podemos "ver" o spread:

 

Note que a linha de baixo não é mais o spread, e sim os juros pagos.

Com os mesmos dados eu fiz um gráfico de dispersão para analisar a relação juros pagos x cobrados e encontrei forte relação linear (r = 0,97).

Ajustei a seguinte reta de regressão: juros cobrados = 20 + 1,5*juros pagos



Sabemos que os bancos têm áreas de precificação com corpo técnico do mais alto gabarito, mas será que essa equação é a mãe de todos os cálculos, simples assim?

Até
Roberto