quarta-feira, 7 de março de 2012

Estimativas: não viva sem elas.

Outro dia um colega me perguntou se deveríamos acreditar em estimativas. Respondi que o importante não é acreditar nelas, e sim ter o hábito de fazê-las.

Quando a gente faz estimativas estamos exercitando nosso poder de elaborar, e por em pratica, as nossas teorias. É isso que é fundamental para a gestão do que quer que seja: uma nação, uma organização, ou mesmo sua vida pessoal.

Veja, por exemplo, o caso da inflação do Brasil, trata-se de uma questão de gestão ou de algo que "fica ao Deus dará"? Claro que se trata de gestão. Nós comentamos aqui mesmo no Atirei em "Quem tem medo do Dragão da Inflação?" o assustador gráfico de que a meta de inflação estava indo para o espaço. Fizemos as estimativas dos meses seguintes e concluímos que a inflação atingiria sim a meta do governo.

Veja o gráfico que publicamos na época (sem saber os resultados futuros, claro):


Hoje, após seis meses de resultados podemos verificar se nossas estimativas estavam boas.
Veja os dados:


Bom né? No gráfico fica até melhor:

Não foram as estimativas que estavam boas, a nossa teoria é que se mostrou eficaz. Eficaz é uma palavra boa aqui, pois segundo George Box, "nenhuma teoria é correta, mas algumas são muito úteis".

Nossa teoria:
O que pensamos na época era que a inflação estava sob controle estatístico, fizemos o gráfico de controle e comprovamos isso. Então adotamos a média como melhor teoria a ser aplicada (até o fim do ano) e calculamos as estimativas. Certamente os analistas do BC tinham outras teorias para afirmar que a meta seria batida,  suas estimativas eram que ao final do ano a inflação seria de 6,38%.

Quem tinha razão então? Não se sabe, mas todos ganharam em conhecimento ao fazerem suas estimativas.

Até
Roberto


2 comentários:

  1. Que beleza Roberto! E o que vocês estimam agora, volta a subir como no ano passado ou continua a trajetória descendente? Minha estimativa: continua a trajetória descendente.
    Abraço e parabéns!

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    1. Carlos, não fizemos as contas. Mas o maior interessado nisso as fez. Segundo o Alexandre Tombini, presidente do Bacen, "A inflação mensal brasileira está descendente e em patamar compatível com a convergência para a meta central de 4,5% em 2012". Isso foi dito no último dia 28 para os parlamentares. Ele deve ter suas teorias, que devem ser úteis!

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