segunda-feira, 28 de março de 2011

Folha x USP: muito barulho por nada

Já são 17 dias de rusgas. Uma série de reportagens provocativas e de respostas aparentemente polidas trocadas entre o jornal Folha de São Paulo e a USP, foi o cenário de uma batalha dissimulada devido a erro de análise e falta de informações. O título disso poderia ser "Muito barulho por nada", não fosse o nome de uma antológica peça de Shakespeare. Acompanhe os fatos:

10/mar/2011 – Reportagem de primeira página diz que USP é preterida por 25% dos alunos selecionados.


10/mar/2011 – Na mesma edição, segue matéria “Um em cada quatro aprovados desiste da USP” tentando explicar esse resultado através de várias hipóteses, sempre com a tendência de apontar desprestígio da universidade em função do suposto grande aumento de desistências.


11/mar/2011 – Nota no site da Fuvest contesta os dados da Folha, apresentando a tabela contendo os “treineiros” considerados indevidamente na análise, e revela que o valor que a Folha deveria ter publicado é de 16% e não de 25%. Veja em: http://www.fuvest.br/vest2011/informes/ii162011.html

16/mar/2011 – No editorial da edição, “Alerta na USP”, o jornal continua cutucando a USP. Mesmo dizendo que dados poderiam estar errados, o jornal levanta três fatores para explicar o fenômeno: alunos optando por faculdades de elite mais prestigiosas, estudantes de poucos recursos preferindo locais mais próximos de seus domicílios ou trabalho e perspectiva de inserção rápida no mercado de trabalho.

23/mar/2011 – A matéria “Fuvest convocou 479 alunos sem ensino médio para a USP” esclarece os dados equivocados: “Esses alunos inflaram dados sobre desistência na USP; mesmo assim, abandono de aprovados é recorde: 16,35%”. Note que, para a correção, usaram outro tipo de gráfico:


24/mar/2011 – Na coluna Tendências e Debates de título “A Preferência pela USP” a pró-reitora da USP, Telma Zorn, se defende explicando que “A complexidade dos fatores nos obriga a realizar uma profunda anamnese, que dê informações precisas sobre as causas do fenômeno" e afirma estar em andamento "consulta direta àqueles que não se matricularam.”

27/mar/2011 – Em “Esnobando a USP” a Ombudsman do jornal puxa a orelha da reportagem porque não seguiu o manual de redação e deveria realizar a correção na sessão “Erramos”.

Duas conclusões, então:
Pau na Análise 1) Antes de se levantar hipóteses a respeito de resultados encontrados, uma hipótese básica deve ser sempre verificada: a de que os dados podem estar incorretos.
Pau na Análise 2) Várias hipóteses foram levantadas, todas vindas de fontes muito especializadas e confiáveis, mas continuam como hipóteses. Há que se esperar o resultado da pesquisa com os desistentes para se realizar uma boa análise. Melhor seria se tivéssemos pesquisas de outros anos para comparação.

Por enquanto, meus amigos, vale mais a pena ver "Muito barulho por nada". Viva Shakespeare!

Até,
Roberto

quinta-feira, 10 de março de 2011

Enquete: Barras ou Dispersão?

Caro leitor, gostaria de saber sua opinião sobre a facilidade de compreender a informação abaixo. Escolha, por favor, o gráfico que melhor descreve o posicionamento da bolsa de São Paulo (Bovespa) em termos de número de aberturas e volume de captação, em relação a outras bolsas do mundo.

Gráfico 1:

Este é o gráfico escolhido pela Folha em 05/03/11 (B1) para ilustrar a matéria "Pequena empresa não chega a bolsa"

Gráfico 2:

Este gráfico foi feito a partir dos dados do gráfico 1, porém utilizando o conceito de gráfico de dispersão, ou o popular X-Y.

Agradeço se deixar sua resposta como comentário, na semana que vem a gente conversa mais a respeito.
Até
Roberto

quinta-feira, 3 de março de 2011

Publicitários, coragem! Mostrem a opinião dos clientes.

Você certamente consegue ver o gráfico na foto abaixo, não é?



Ela compõe uma peça da Bradesco Seguros que está nos jornais desta semana. Ao contrário do post "Quanto vale um Gráfico", em que abordamos o bom uso de gráficos em peças de publicidade, o de hoje vai levantar alguns questionamentos a esse respeito.
Veja a peça toda:



Ela começa dizendo que houve "crescimento", e sem os dados ao longo do tempo, temos de crer nisso (não dá pra confiar no foto-gráfico, rs). O que há é uma enxurrada de dados absolutos e pontuais de indicadores da companhia: faturamento, ativos, pagamentos efetuados, atendimentos realizados, número de segurados, valor total de pagamento de sorteios, número de autos e residência segurados. São esses os dados que me farão confiar nessa instituição? Como é que sei que há algum crescimento? Como é que sei se esses números são bons ou ruins? O gráfico criativo da foto me persuadirá para comprar um seguro da Bradesco?

Falando em persuasão, o prof. Izidoro Blikstein, no seu livro "Como falar em público: técnicas de comunicação para apresentações", diz: "Comunicar não é simplesmente transmitir informações. A comunicação tem a grande função estratégica de gerar efeitos positivos a fim de persuadir o público destinatário a confiar e acreditar no conteúdo, bem como produzir a resposta esperada pelo comunicador (aderir a uma campanha, compreender as informações, tomar uma decisão, apoiar uma iniciativa)". Baseado nisso, pergunto: quem é o destinatário dessa peça? Qual o efeito ou a resposta esperada? Os destinatários têm condições de avaliar as informações apresentadas para agir?

Gostaria de estar mais bem informado para aderir a essa campanha, por exemplo, através de dados relativos aos outros concorrentes, ao crescimento do mercado, dados ao longo do tempo. O que mais me interessa mesmo é a opinião e comportamento dos clientes. Informações de retenção, recompra, idade e intensidade de relacionamento dos clientes atuais, por exemplo. Melhor ainda seriam dados de pesquisas de satisfação de clientes (comparando também a concorrência), dados de reclamações (procons e órgãos de defesa de consumidores, "reclame aqui", imprensa etc).

Há um indicador que pra mim é "matador", o NPS (Net Promoter Score). Ele foi proposto por Fred Reichheld e é bem descrito no seu livro "A pergunta definitiva". Trata-se de pesquisa em que a questão apresentada aos clientes é parecida com "Você nos recomendaria a um amigo?". A partir das respostas, podemos fazer uma relação entre clientes promotores (aqueles que recomendam o produto ou serviço) e clientes detratores (aqueles que não recomendam). Acabei de voltar de uma viajem e respondi uma pesquisa sobre a minha experiência no site de reserva de hotéis booking.com. A pergunta estava lá:




Publicitários, coragem! Cadê essas informações?

Até
Roberto