segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Celulares ferem 4 de 8 princípios

O post anterior, aquele dos celulares clandestinos, trouxe um gráfico e o desafio de criticá-lo mais tarde. O gráfico é esse:



Vou exercitar, nessa análise, os oito princípios psicológicos para uma boa comunicação com gráficos de Kosslyn, publicado em seu livro “Graph Design for the Eye and Mind”. Coloquei um resumo deles no final, após a análise do gráfico. Os nomes dos princípios são:

1. Relevância
2. Conhecimento Apropriado
3. Saliência
4. Discriminação
5. Organização da Percepção
6. Compatibilidade
7. Interpretação de Mudanças
8. Limitação de Capacidade

O princípio da Compatibilidade (núm.6) é, para mim, ferido gravemente. Note que os anos são ordenados inversamente ao senso comum (da esquerda para a direita). Confesso que da primeira vez que vi, pensei "esquisito, a venda de celulares esta caindo?". O gráfico deveria ser pelo menos assim:



Outro princípio ferido é o da Discriminação (núm.4), as barras do Brasil são tão pequenas que não dá pra analisar sem ler os números. O princípio da Saliência (núm.3) aparece, pois somos imediatamente atraídos para a enorme barra referente ao mundo. Porém, quem leu a notícia, viu que a informação do mundo é pouco explorada. O importante é a situação do Brasil. Finalmente, o princípio da Relevância (núm.1) é violado pois o objetivo do gráfico na matéria era explicar a evolução do percentual de venda de celulares clandestinos. E por que não colocar logo isso no gráfico? Os leitores têm de fazer a conta se quiserem levar essa informação pra casa.
Minha sugestão de gráfico para ajudar no objetivo da matéria é:



Poderia ser uma gráfico de tendências com duas linhas, mas para três pontos, ele ficaria ruim esteticamente.

Agora, a maior mancada mesmo é o enorme barulho que a matéria faz porque a venda de clandestinos no Brasil está aumentando, mas quem escreveu a matéria não notou que o mundo está com uma taxa maior.

E você, concorda comigo? É pau no gráfico e pau na análise!

Até
Roberto



P.S. Os oito princípios:

1. Relevância
Antes de começar a criar um gráfico, tenha clareza do objetivo de comunicação a ser alcançado. Foque no que é importante a comunicar, evite ruídos ou falta de informação.

2. Conhecimento Apropriado
A comunicação requer que seu público tenha em seu repertório os conceitos, jargões e símbolos que você está usando.

3. Saliência
A atenção é orientada para o aspecto mais “gritante” do seu gráfico, então é esse o ponto que terá a mensagem que você quer passar.

4. Discriminação
Duas propriedades têm de diferir suficientemente para serem distinguidas ou então passarão despercebidas.

5. Organização da Percepção
Nosso sistema visual não é uma câmera, ele guarda pedaços da informação e recompõe quando necessário. As pessoas automaticamente agrupam elementos e então os usam em blocos para economizar memória.

6. Compatibilidade
As formas usadas têm de ser compatíveis com seu significado. Por exemplo, variáveis crescem da esquerda para a direita e de baixo para cima, se invertermos isso, só os atentos às escalas levarão a informação correta.

7. Interpretação de Mudanças
As pessoas esperam que uma mudança de padrão (de cor, de textura, adição ou ocultação de elementos) tenha significado. Mudanças sem propósito causam confusão e ruídos de comunicação.

8. Limitação de Capacidade
As pessoas têm capacidade limitada de retenção de informações e não entenderão a mensagem se houver necessidade de reter mais que o possível.

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