segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Playfair: da Balança Comercial ao Google Imagens

Podemos dizer que o engenheiro e economista político escocês William Playfair (1759–1823) foi o inventor dos gráficos estatísticos mais usados atualmente: gráficos de tendência, de setores e os versáteis gráficos de barras. Vários autores afirmam que a publicação de gráficos estatísticos começa com o aparecimento do Commercial and Political Atlas (Playfair, 1786). Nessa publicação, os gráficos de tendência são vistos essencialmente da mesma forma que atualmente. Complementando nosso último post (Responda rápido), um assunto que motivou Playfair a inventar os gráficos de tendêcia foi como representar a Balança Comercial, veja um exemplo do resultado de seus esforços abaixo:



Para demonstrar que essa solução ainda está aí, veja o quadro publicado na FSP neste último domingo, no caderno sobre a era Lula:



O primeiro gráfico do quadro é conceitualmente idêntico ao de Playfair. Seus gráficos são quase sempre construídos para que comparações em diferentes domínios (linhas, cores, legendas etc.) não excedam a capacidade de trabalho e atenção da memória humana. As séries temporais e cores nunca excedem três ou quatro em número, as legendas são posicionadas próximo às linhas em vez de ficarem em quadros distantes. O cuidado na escolha do título, legenda dos eixos, formato, escalas, linhas de referência, não deixam dúvidas que ele intuitivamente aderiu às convenções pregadas pela moderna psicologia experimental de percepção gráfica.
Abra agora o Google Imagens e digite "Balança Comercial Brasileira".



Infelizmente vem muito lixo gráfico. Para nós isto é até bom, porque usamos o Google Imagens para nossos alunos praticarem a crítica aos gráficos. Faça você mesmo um teste, digite simplesmente "gráficos" e comece a "atirar". Mas vá com calma, advertimos que pode ser prejudicial à saúde, pois pode causar lesões por esforço repetitivo (LER), de tanta bobagem gráfica que há na internet. Até.
Ah, até o ano que vem, pois vamos dar uma paradinha de final de ano. Obrigado pela audiência e participações. No ano que vem incluiremos questões sobre a relação da habilidade em se lidar com dados e a Ciência de Melhoria.

Até!
Roberto

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Responda rápido


Qual gráfico você faria no lugar deste, publicado sexta, dia 12, pela Folha de São Paulo (B2)?

Se pensou num simples e objetivo gráfico de tendência, concordo com você. Veja o resultado:

Mas espere um pouco, não seria legal compararmos também outros blocos? Encontrei as informações na mesma fonte (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Neste caso teremos problemas com o efeito macarrão (veja o post Gráfico Espaguete). Então podemos repetir o gráfico, deixando de fundo o anterior, com as novas linhas mais em evidência. Veja:

Não há fórmulas prontas, mas o que vale é a informação bem passada, possibilitando que o próprio leitor tire suas conclusões.

Até,
Roberto

Resposta para o QUIZ Gráfico de Setores

Hoje é sexta e, conforme prometido no QUIZ - Gráfico de setores, estou de volta para falarmos sobre os deslizes cometidos no gráfico abaixo, publicado na terça, dia 7, pela Folha de São Paulo (pág. B2) em nota divulgando o resultado de uma pesquisa de Intenção de Gastos para as compras de Natal, realizada por um shopping de São Paulo.



Na minha opinião há vários pequenos deslizes, alguns deles reconhecidos nos comentários que reproduzo mais adiante e um grande "escorregão"...

Veja os dois gráficos abaixo, com os mesmos dados:





O grande "escorregão" é que para mostrar estes dados, o gráfico escolhido não foi adequado.
Um gráfico de barras cumpre muito melhor a função de compararmos o percentual cada faixa de gasto. Percebemos muito mais facilmente as diferenças, inclusive entre a barra dos R$100 e a barra do mais de R$ 200, mesmo que omitíssemos os valores 43% e 39%.

Outros deslizes foram bem identificados pelo Luciano e pelo Carlos.

"Luciano Peloche disse...
Na minha humilde opinião:
1 - cores. A falta de cores deixa o gráfico ruim de ser lido;
2 - mistura de percentual com os valores (R$). Tb complicado de entender;
Basicamente é um gráfico que perde-se mais de 30 segundos pra ser entendido, ou seja, ruim!
8 de dezembro de 2010 23:50"


"Carlos disse...
Também concordo com o Luciano. Me parece que as escolha das cores - ou falta delas, foi infeliz. Também costumo ordenar o gráfico de setores das frações maiores para as menores.
Por último, e aí sim é um preciosismo meu, o gráfico diz respeito a uma informação secundária da notícia. O título e o texto buscam mostrar que as pessoas não estão com pressa para fazer as compras de natal. Já o gráfico trata do quanto cada um pretende gastar. Esta é uma informação secundária na notícia.
9 de dezembro de 2010 11:06"

Se for usar gráfico de setores, use cores para diferenciar as fatias.

A mistura do percentual com valores ocorre pela escolha inadequada do tipo de gráfico. Agora, que os rótulos são ruins, isso são! "R$50" significa "até R$50", "em torno de R$50", "de R$50 a R$100" ou outra coisa? O mesmo vale para o "R$100".
Agora, o "mais de R$200" e o "acima de R$1000" são os piores. Pode ser preciosismo meu, plagiando o Carlos, mas na minha escola acima de R$1000 é maior que R$200.
Resumindo: uma confusão danada!

Quanto à ordenação das fatias, em geral ordenamos o gráfico de setores das frações maiores para as menores, porém, neste caso, se insistíssemos em usar setores, melhor manter a ordenação natural das fatias, pela intenção de gasto declarada.

Por último, concordo com o Carlos que o gráfico não se refere ao título da reportagem, NATAL SEM PRESSA, mas eu não saberia dizer qual é secundária. Ou seja, não sei se mudo o gráfico ou se mudo a manchete!

Agradeço ao Luciano e ao Carlos pelas suas contribuições.

Obrigada!
:Dani

Em tempo!
"Walker disse...
Já que Carlos e Luciano fizeram o trabalho sério, só me resta a preocupação de saber que estou ente os 4% que têm clara intenção de ultrapassar o milhar de reais e aqueles que presentear-me-ão estão entre os 15% cujo teto dos gastos bate em meia centena de reais.
10 de dezembro de 2010 20:47"

Sugiro uma pesquisa entre seus amigos e familiares. Você já sabe que gráfico utilizar para mostrar os resultados!



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

QUIZ - Gráfico de setores

Em nota publicada ontem, a Folha de São Paulo (pág. B2) divulgou o resultado de uma pesquisa de Intenção de Gastos para as compras de Natal, realizada por um shopping de São Paulo.

Veja o resultado abaixo:



Quais os deslizes cometidos no gráfico?

Volto na sexta para comentar as respostas.
:Dani