domingo, 28 de novembro de 2010

Meio ambiente: monitorar para preservar

Medir é geralmente difícil e custa caro, mas é fundamental para gerenciar as coisas. A Cetesb presta um enorme serviço há décadas ao avaliar sistematicamente a qualidade das praias de São Paulo. É um exemplo de constância de propósito em melhorar o meio ambiente. Neste último domingo a Folha trouxe a reportagem: "Em dez anos, S.Sebastião perde a excelência de praias" com este gráfico:



Trata-se do mesmo tipo de gráfico encontrado no site da Cetesb. Este tem sua função: a de um banco de dados que o cidadão pode consultar para decidir qual praia frequentar.

Ocorre que não é fácil notar a piora da qualidade das praias pelo excesso de cores e informações analíticas de cada praia. É preciso resumir isso. Minha sugestão é fazer um gráfico mostrando a quantidade de praias com classificação Boa ou Ótima pela Cetesb. Veja abaixo:



Aprendemos com ele que a manchete da Folha infelizmente parece ter razão. O percentual encontra-se em torno de 35%, quando já esteve em torno de 70% no início da década. Isso pode ser efeito da variação, que já abordamos aqui no post "Titirica, o filósofo". Importante é continuarmos acompanhando.

De volta aos gráficos, aqui é uma boa oportunidade para usar gráficos interativos (para publicações digitais). Trago a seguir um exemplo publicado pelo NY Times que poderia ser seguido: http://nyti.ms/dBhv4h.

O leitor tem bastante controle das informações que deseja obter navegando pelos gráficos. A Cetesb poderia usar essa tecnologia pois já coleciona muita informação a respeito de nossas praias. Pode ser um atrativo para que, com os indicadores em mãos, cada vez mais pressionemos nossos eleitos a exercer a gestão das mudanças necessárias para melhoria do nosso ambiente.
Até,
Roberto

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Quem nunca levou uma nota vermelha no boletim?

Quem é do tempo do boletim, que vinha com as notas ou conceitos escritos a mão pela professora, sabe que levar nota vermelha era sinônimo de problema. Bom mesmo era ter no boletim só notas azuis.

Numa escala, em verde, amarelo e vermelho, como num semáforo, o verde é o "tudo bem, pode seguir", o amarelo "preste atenção" e o vermelho "pare".

Na folha de São Paulo do último domingo, encontrei dois gráficos (páginas a6 e b2) que me chamaram atenção pela escala de cores utilizadas.

O primeiro fez uma escolha de cores acertada e ainda leva ponto positivo pela escolha do tipo de gráfico. Um de barras e um mapa. Ótimos!



Já o segundo começou pelo laranja na categoira "Excelente", depois vermelho para o "Boa", passando pelo azul, cinza e por fim o verde para a categoria "Não sabe". Ficou no mínimo estranho.




Uma possibilidade, usando as mesmas cores, seria:



Quanto ao tipo de gráfico utilizado, este aí parece estar na última moda. Uma versão repaginada do bom e velho gráfico de setores.

:Dani

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Tabelas também facilitam a compreensão do leitor

Neste blog a gente foca a comunicação com gráficos, mas nem sempre essa é a melhor forma de se apresentar dados. Existem ocasiões em que uma tabela traz mais ganhos para o leitor. Elas já apareceram no post "Nada se cria, tudo se copia". Veja, também, o exemplo abaixo onde o objetivo é comparar a força bélica da Índia com a do Brasil, publicado na FSP, dia 16/11/2010, A14.


Usando um pequeno espaço, o jornal me convenceu de que a força bélica da Índia se encontra muito superior a nossa.
Se fossemos transmitir esta informação através de gráficos faríamos várias barras, como no exemplo abaixo (publicado na mesma matéria).


Seriam necessários mais oito gráficos como esse, um para cada tipo de armamento.
Portanto, tenha sempre em mente qual o objetivo do gráfico, qual a conclusão que se quer transmitir ao receptor, e depois pense nos instrumentos disponíveis, seja um gráfico ou uma tabela.

No caso analisado a tabela resumo facilita a compreensão do fato (força bélica da Índia é superior a do Brasil). Isso se deve à diferença na ordem de grandeza dos números, ao bom uso da pontuação do milhar, e ao alinhamento à direita. A tabela apresentada está, também, bem leve, isto é, com linhas horizontais finas e sem as linhas verticais desnecessárias. Mas nem tudo saiu perfeito. Há um desalinhamento das figuras com o texto a que se referem. Deve ter havido um descuido de revisão final.

Resultado: Show de tabela, mas não se esqueça da revisão!
Abraços,
Satomi

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Não à CPMF, mas cuidado com os números!

Mesmo morta, acho que nunca a CPMF foi tão “Twittada”. Tá todo mundo apavorado com a possibilidade dela voltar, mas tem notícia precisando revisão pra não cair na leviandade.
Neste último sábado (06/11) a Folha publica em Primeira Página com letras garrafais:

Desconfiei das orações, não pela sintaxe, pois parecem duas perfeitas coordenadas sindéticas adversativas, mas fui à caça de dados ou de um gráfico na certeza de que poderiam condená-las quanto ao conteúdo. Dentro do caderno, lá estava ele boiando no meio de uma página:



O seu impacto visual leva a uma confirmação instantânea da manchete. Embora gráfico e manchete concordem entre si, vamos atirar o pau nesse gráfico, e na manchete também...
O problema, como em muitos gráficos, está na escolha da escala. Aqui há algo muito particular. Ao colocar duas curvas de magnitudes bem distantes sob a mesma escala, a visualização da variação fica bastante prejudicada. Não percebemos, por exemplo, qualquer variação na curva da despesa com saúde que é visualmente constante.

A dica neste caso é fazer as duas curvas em gráficos separados tomando um cuidado especial com a escolha das escalas. Elas deverão ter suas amplitudes calculadas em função da curva de maior variação relativa. Para a curva da receita total, temos uma variação de 4,1 pontos percentuais, ou seja, 20% relativamente ao menor valor. Para o gasto com saúde, os 0,16 pontos percentuais de variação correspondem a 10% do valor inicial. Portanto, adotaremos as duas escalas com amplitude de 20% de variação relativa. O Resultado é esse:



A conclusão visual é bem diferente daquela inicial. O gasto da saúde cresceu proporcionalmente à metade do crescimento da receita total.
Pau no gráfico e na Manchete!
Até
Roberto

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Resposta para o QUIZ - Gráfico de Barras

Hoje é sexta e, conforme prometido no QUIZ - Gráfico de Barras e aguardado ansiosamente pela nossa legião de seguidores, estou de volta para falarmos sobre as gafes do gráfico abaixo, que ilustra a reportagem "O Brasil a preço de ouro", publicado na VEJA do último dia 27, páginas 94 e 95.





Já no primeiro comentário, que reproduzo a seguir, o Cochran nos apontou as duas gafes.

"Anônimo disse...
Cara Daniela (sem trocadilhos)
Em minha visão, são duas as gafes principais do gráfico apresentado, muito comum a meu ver em análises a partir de gráficos de barras:
1) Valor aonde se inicia o eixo
2) Fazer a barra tridimensional
Para mostrar como as conclusões rápidas (aliás, como as que tiremos quando lemos manchetes num jornal), sugiro que você refaça o gráfico, sem a barra tridimensional e com o eixo dos valores começando do ZERO.
Um abraço.
Cochran
3 de novembro de 2010 10:48"

Vamos deixar o 3D de lado e comparar o gráfico com a escala original e com a escala correta (começando do zero).



Notem como começar a escala no meio distorce a comparação entre as cidades. No primeiro gráfico, com a escala original, temos a impressão que o subsídio para um oficial que trabalha em São Paulo é cerca de 15 vezes maior que o subsídio de um oficial que trabalha em Luanda, quando na verdade é 1,3 vezes (ou 30%) maior.

Outro comentário foi do Walker, que trouxe um ponto de vista diferente.
"Walker disse...
Quem é do tempo do papel milimetrado há de se lembrar que não se começam as escalas pela metade mas que ficaria chata uma fita cumprida pra burro ficaria. Olhando daqui de baixo, eu não saberia se seria melhor ser oficial do exército americano em SP ou em ROMA.
Agora, como eu sou publicitário e adoro um gráfico tridimensional que só mostre o pedacinho do fim, pra mim as duas gafes são destacar SP em laranja (no xerox vi ficar com o mesmo tom de cinza) e não fazer uma pilha de dólares para representar essa diferença no bônus.
3 de novembro de 2010 18:22".

Mesmo que fique "chata" ou "sem graça" a barra comprida e sem o efeito 3D, num gráfico de barras não há necessidade da terceira dimensão e nunca devemos começar escalas pela metade, sem exceções.

Quanto ao destaque em laranja para São Paulo, não é de fato uma gafe (talvez o laranja não seja o mais adequado, mas confesso que não fiz o teste do xerox). Neste caso a cor diferente se justifica pelo fato da reportagem falar sobre o alto custo de vida no Brasil (para mais detalhes sobre cores, vejam o post Cores que ajudam).

Gostei da sugestão da pilha de dólares, mas essa vou deixar para os publicitários, pois confesso que estes efeitos especiais não são a minha praia.

Agradeço a participação e contribuição do Cochran, do Walker e do André, que nos deu sua opinião no terceiro comentário:
"Anônimo disse...
Concordo com os outros comentários: tridimensional e começando deslocado do "zero".
Abs
André
5 de novembro de 2010 00:34"



Obrigada!
:Dani

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

QUIZ - Gráfico de Barras

Observem o gráfico abaixo, que ilustra a reportagem "O Brasil a preço de ouro", publicado na VEJA do último dia 27, páginas 94 e 95.



Há duas gafes que comumente estão presentes nos gráficos de barra.

Quais são elas?

Volto na sexta para comentar as respostas.
:Dani

Incluído sexta, 05/11/2010

Vejam novo post com a Resposta para o QUIZ - Gráfico de Barras