segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Pau na Pesquisa?

Eu defendo os institutos de pesquisa: existe uma coisa que se chama tendência. Numa eleição aparentemente morna, a coisa esquentou na última semana. Um fenômeno absolutamente plausível e bom para a democracia.
Veja o gráfico dos dados do Datafolha abaixo e me diga se o resultado das urnas (últimos pontos) é, ou não, verossímil em função da evolução histórica das pesquisas de intenção de voto.

Registro aqui minha indignação com relação aos comentaristas chamados para encher lingüiça na TV com suas explicações das urnas culpando o pessoal de pesquisa por ter de mudar seus argumentos após o pleito.
Pau no blá-blá-blá!
Até,
Roberto

5 comentários:

  1. Vixi, a frigideira esquentou! Já levei umas bordoadas via e-mail me contestando e querendo explicações para os furos de pesquisas de boca-de-urna. Nesse caso, tenho de admitir que os istitutos fizeram lambança... Qual é sua opinião? Pau-ni-mim?

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  2. Roberto
    E como explicar o boca de urna realizado pelo maior instituto de pesquisas então? Colocou 51% para a Dilma, com margem de erro de 2% (como diz o Boner para mais ou para menos) mesmo com 4.000 entrevistas feitas após a votação. Aliás, depois das 3.000 entrevistas, qualquer tamanho de amostra fornece uma margem de erro de 2%, incrível. O mesmo vale para índices muito baixos, com 5% de intenção de voto, onde a variabilidade é bem menor do que com 50% e a margem de erro é sempre de 2%. Mas este é outro assunto. Voltando os 51% da Dilma com 2% de margem de erro: explique por favor o resultado da Dilma nas urnas, com menos de 47% dos votos válidos.
    E o presidente de outro grande instituto, que com a última pesquisa de intenção de votos finalizadas às vésperas da eleição apontando a Dilma com 53%, escreveu uma carta aberta à população garantindo que não haveria segundo turno.
    Sem contar que Serra liderava as pesquisas de intenção de voto apenas no Paraná: em todas as outras UFs, incluindo SP, daria Dilma com folga.
    Concordo que as pesquisas são mal interpretadas pela imprensa, como você sugere. Os jornalistas, em sua formação, infelizmente não têm a devida educação estatística necessária para pode fazer inferências. No entanto, os institutos, que não usam pesquisas com amostras aleatórias (ou pelo menos o mais próximo possível das amostras aleatórias, dada a impossibilidade de realizá-las), colaboram muito para a má credibilidade das mesmas.
    Se a intenção de voto é tão polêmica assim, dada a verdade das urnas, o que pensar da audiência, onde não existe urna para fornecer a verdade.
    Abs.
    Rodrigo

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  3. Vejam um post mais esclarecedor a respeito das diferenças em: http://t.co/qM6BLZn

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  4. Fazendo coro com o Roberto na crítica à imprensa, a Lúcia Hipólito fez um comentário na CBN dia 3/out em que sugere que os institutos de pesquisa façam 100.000 (sim, cem mil!) entrevistas nas pesquisas nacionais para reduzir a margem de erro. Meu queixo caiu... de onde será que ela tirou esse número? O aumento do tamanho da amostra não vai ter o efeito que ela gostaria, mas sim a forma de selecionar os entrevistados, como sugere o Rodrigo no comentário acima.

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  5. A audiência aqui é muito boa, portanto vou colocar mais alguns ingredientes e pontos para consideração sobre alguns dos temas já abordados nesse blog e outros que aparecem em outros fóruns e que muitas vezes não são discutidos como deveriam principalmente nessa época onde as pesquisas estão muito em foco.
    O objetivo não é avaliar a qualidade do instituto A ou B, mas levantar questões pertinentes que deveriam ser observadas e que influenciam as estimativas finais, principalmente porque no final das contas o que valer é a diferença entre essas estimativas e valores observados, vou tentar não utilizar muitos jargões estatísticos:
    1-Erro Amostral: em delineamentos por Cotas não existe procedimento para calcular a margem de erro porque não é uma amostragem probabilística, aliás sempre que se estiver trabalhando com amostras não probabilísticas não existe meios de calcular margens de erros. O fato de ser probabilística é que permite admitir a distribuição de probabilidade que permite calcular tais probabilidades.
    2-Cálculo de Margem de Erro: supondo uma amostragem probabilística a distribuição que deveria ser utilizada na maioria dos casos para cálculo das margens de erro em pesquisas de Opinião Pública seria a Multinomial e não a Binomial no caso de perguntas fechadas. Se a questão for aberta essa possibilidade pode ser difícil de ser modelada.
    3- Erro Não Amostral: aqui incluo os entrevistadores, e basicamente eles podem errar em pelo menos duas maneiras: proposital ou preenchimento, é claro que uma equipe bem treinada, coordenadores acompanhando o trabalho e algoritmos de validação orientando o trabalho de checagem são fundamentais e minimizam bem esses problemas.
    4-Inferência para os indecisos (ou eles são desconsiderados?): me parece estranho, muito simplificado e não usual fazer inferência na intenção de voto de eleitores indecisos baseado apenas na distribuição dos índices globais de cada candidato, para realização dessas inferências no mínimo deveria ser levado em consideração também o perfil demográfico, econômico, etc da pessoa indecisa bem como indicadores de rejeição aos demais candidatos e mesmo assim não é uma tarefa fácil.
    5-Por fim, a questão dos votos não computados é claro que também causam efeitos nas estimativas, quando um eleitor é entrevistado ele diz qual é a intenção de voto, em uma eleição com tantos cargos é natural que muitos dos votos que deveriam ocorrer na prática não ocorram.
    Vou parar por aqui, novamente volto a salientar que pesquisa não é algo simples, nem todas as variáveis estão sob controle e que uma discussão sobre o tema deveria ser bastante profunda e não se limitar “a 2% para mais ou para menos” baseado apenas na quantidade de entrevistas feitas.
    Abraços e pau nesse comentário!
    Alfredo

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