terça-feira, 26 de outubro de 2010

Gráfico espaguete

O que fazer quando precisamos representar várias curvas num gráfico de tendência?

A Donna Wong em seu livro "The Wall Street Journal Guide to Information Graphics: The Dos and Don'ts of Presenting Data, Facts, and Figures" diz, em primeiro lugar, para não fazermos um espaguete.
Veja um exemplo: a Folha do último sábado trouxe um bom infográfico explicando a tal guerra cambial, mas junto veio uma bela macarronada como gráfico principal. Há quem veja nele algo de "Miojo"...



O gráfico traz a queda do valor do dólar em relação a várias moedas. A proposta é ótima, vemos que o dólar caiu em relação a todas as moedas rapidamente. O que dá trabalho é acompanhar o trajeto de queda em relação a uma moeda específica. Explico: todas as curvas estão da mesma grossura, com cores diferentes e com suas legendas afastadas, no alto. Isso dificulta localizá-las e segui-las ao longo do gráfico. No livro citado há três dicas: usar grossuras diferentes, tons diferentes de cinza e posicionar a legenda de cada curva proximo a ela, ou no final da curva do lado direito. Fiz um teste observado-se essas dicas e veja o que se deu:



Parece o mesmo gráfico, mas agora eu consigo identificar e percorrer cada curva muito mais facilmente. Para um daltônico, não misturar cores é fundamental (é o meu caso). Você sabia que cerca de 8% da população masculina de origem caucasiana tem daltonismo? Pense nisso antes de usar cores belas e formosas...
Outra coisa, vocês notaram que coloquei o Yuan também no gráfico? Pois bem, quem leu o infográfico da Folha viu que a todo momento se fala que o dólar não se desvalorizou frente ao Yuan, mas não o puseram no gráfico! Deslize de contexto.
Mais uma dica: nunca deixe sua curva ser suavizada pelo Excel. Num gráfico de tendência, ligue os pontos com segmentos de reta indicando que entre um ponto e outro não há informação.
É isso aí, o gráfico de tendência é um dos mais poderosos. Use-o com destreza.

Até
Roberto

4 comentários:

  1. Como sempre, excelente análise. Clara e ojetiva.
    COmo deveriam ser as pesquisas eleitorais (mas não são). Usam cotas e fazem cálculo de erro probabilístico. Não conseguiriam nem o título de GREEN Belt.

    Abs
    André

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  2. Caro Roberto
    Mais uma vez, belíssimo post. Direto ao ponto.
    Complemento com mais uma dica: não usar mais do que 5 linhas neste tipo de gráfico; com mais de 5 linhas, nem com as dicas fornecidas fica fácil para extrair as informações que o gráfico pretende transmitir. Aliás, vale a mesma regra para os gráficos de pizza.
    Um abraço.
    Fisher

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  3. Boa, Roberto!
    Proveito correto e sábio das ferramentas e técnicas estatísticas que devem ser utilizadas.

    E não é só "o que", mas "como" você compartilha conhecimento.

    Forte abraço!
    Fábio Gomara

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  4. André, você tá bem bravo com as pesquisas, né? Já viu o post do Alfredo? "Pau nas pesquisas, sim!". É luxuoso, vale a pena. Obrigado pelo incentivo!

    O Fisher está corretíssimo, não usar mais de cinco linhas, senão vira mesmo uma bela pasta. E o que vale pra macarrão, vale também pra pizza. Agradeço a colaboração!

    Fábio, agradeço o comentário e retribuo o abraço! Mande também pra Renatinha (do Fantástico!)...

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