terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quando o "outros" é a maioria

Na capa do caderno B-Mercado da Folha de São Paulo de hoje, 14/setembro, foi publicada uma matéria com a seguinte manchete: “Nova classe B deve consumir R$1 tri”. O quadro abaixo ilustra a matéria, que discute a expansão das compras da classe B em 2010.





O primeiro gráfico, de barras formadas por pilhas de cédulas em cima de uma caixa registradora só causa confusão visual. Está em três dimensões, os rótulos com as classes sociais identificando as barras ficou na diagonal e os rótulos com os valores do potencial de consumo têm casas decimais desnecessárias (pra que duas casas decimais no gráfico, se na manchete da matéria os 973 bi foram arredondados para 1 tri?)

Pau-no-gráfico!

Veja o mesmo gráfico sem a confusão:




Nos dois gráficos intermediários, o ponto positivo vai para o destaque em verde mais escuro para as barras correspondentes às classes B1 e B2, foco da matéria. Note que no gráfico da renda familiar média houve um deslize, e o verde mais escuro ficou indevidamente na barra C1.

Mas o ponto que me chamou atenção, e inspirou o título desse post, está no último gráfico, de consumo por principais categorias.




A categoria “Outras despesas” ficou maior que as demais, o que é estranho, ainda mais quando vemos na observação que esta inclui compras parceladas, dívidas em geral e gastos relacionados à construção civil.

"Compras parceladas" não me parece uma categoria de consumo, e sim de pagamento (compras à vista, a prazo, parceladas etc.). Estas compras parceladas referem-se a compras de bens de consumo? Vestuário? Farmácia? Viagens? Se sim, o resultado das outras barras está distorcido. Seria interessante ver estas outras despesas mais detalhadas e se possível as compras parceladas distribuídas pelas categorias corretas.

:Dani

Um comentário:

  1. Realmente o entendimento de categorias é estranho nesse gráfico, a categoria veículo próprio talvez fosse de transporte, pois posso tanto gastar com gasolina (veículo próprio) como com ônibus, metrô, taxi etc. Outro ponto é o agrupamento alimentação, qual a necessidade de especificar se o gasto é dentro ou fora de casa? Acho que o grande problema aqui é que o gráfico mistura os níveis de granularidade.

    Valeu Dani...Pau no gráfico!

    Luis Abreu

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