terça-feira, 28 de setembro de 2010

Esqueceram de mim! O gráfico - episódio 2

A Folha de São Paulo veiculou ontem, na página 6 do caderno C, a seguinte notícia: “População brasileira está mais velha, aponta Censo 2010”.

A matéria, que se refere aos dados parciais do Censo 2010, divulgados na terça, 27, pelo IBGE, apresenta resumidamente algumas mudanças na estrutura etária da população brasileira e me chamou atenção, pois sou particularmente interessada nos dados do censo, mas principalmente porque não há sequer um gráfico ilustrando as informações.

Por exemplo, o trecho -“Em 2000, o censo revelou que 40,17% da população brasileira tinha entre 0 e 19 anos. Em 2010, esse percentual caiu para 32,95%. Já a proporção de idosos com 60 anos ou mais passou de 8,57% para 11,16% no mesmo período” - poderia ser ilustrado com o seguinte gráfico:



Curiosa, fui pesquisar no site do IBGE como foi a divulgação dos resultados parciais. Encontrei um release, igualmente sem gráficos, e uma apresentação, disponível para download.

UFA, encontrei os gráficos! Mas que gráficos?!?! Eis uma amostra:



Pau-no-gráfico!

As barras em três dimensões não contribuem em nada, pelo contrário, atrapalham. O fundo roxo é totalmente desnecessário. Além disso, não foi uma boa escolha representar esses dados num gráfico de barras. No primeiro post do blog o Roberto já disse
“Para dados regionais, use um MAPA!”.

Ficar comparando as alturas das 27 barras, além de tedioso, não é o grande objetivo. Um mapa ilustra melhor estes dados e facilita comparações entre estados e regiões, ainda mais se usarmos uma escala em degradê, dica dada pelo Satomi no post
"Cores que ajudam".

Vejam como fica o mapa:



O que acharam? Mais fácil de visualizar assim?

:Dani

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quando o "outros" é a maioria

Na capa do caderno B-Mercado da Folha de São Paulo de hoje, 14/setembro, foi publicada uma matéria com a seguinte manchete: “Nova classe B deve consumir R$1 tri”. O quadro abaixo ilustra a matéria, que discute a expansão das compras da classe B em 2010.





O primeiro gráfico, de barras formadas por pilhas de cédulas em cima de uma caixa registradora só causa confusão visual. Está em três dimensões, os rótulos com as classes sociais identificando as barras ficou na diagonal e os rótulos com os valores do potencial de consumo têm casas decimais desnecessárias (pra que duas casas decimais no gráfico, se na manchete da matéria os 973 bi foram arredondados para 1 tri?)

Pau-no-gráfico!

Veja o mesmo gráfico sem a confusão:




Nos dois gráficos intermediários, o ponto positivo vai para o destaque em verde mais escuro para as barras correspondentes às classes B1 e B2, foco da matéria. Note que no gráfico da renda familiar média houve um deslize, e o verde mais escuro ficou indevidamente na barra C1.

Mas o ponto que me chamou atenção, e inspirou o título desse post, está no último gráfico, de consumo por principais categorias.




A categoria “Outras despesas” ficou maior que as demais, o que é estranho, ainda mais quando vemos na observação que esta inclui compras parceladas, dívidas em geral e gastos relacionados à construção civil.

"Compras parceladas" não me parece uma categoria de consumo, e sim de pagamento (compras à vista, a prazo, parceladas etc.). Estas compras parceladas referem-se a compras de bens de consumo? Vestuário? Farmácia? Viagens? Se sim, o resultado das outras barras está distorcido. Seria interessante ver estas outras despesas mais detalhadas e se possível as compras parceladas distribuídas pelas categorias corretas.

:Dani

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Detalhes que ajudam o leitor

  Vi este gráfico na Folha de São Paulo do dia 31/08/10 - caderno informe publicitário p.02, e decidi aproveitá-lo para dar uma dica aqui no blog.

  Não vou comentar que não consigo ver que o Brasil é sexto no ranking ou que o gráfico de tendência é o mais indicado para acompanhar evolução ao longo do tempo. Hoje vou comentar sobre um detalhe que normalmente nos passa despercebido.
  Veja o exemplo abaixo, adaptado do teste de QI de Design Gráfico do site Perceptual Edge, e responda em qual dos gráficos os rótulos são mais fáceis de ler.

  Acredite, a grande maioria ao ler este post escolheu a letra “A”, pois trata-se da varredura natural da leitura. Quanto maior a inclinação maior a complexidade de leitura.
  Veja o exemplo abaixo, adaptado do livro The Wall Street Journal Guide to Information Graphics: The Dos and Don'ts of Presenting Data, Facts, and Figures, da especialista em visualização gráfica Dona Wong

e como ficaria o gráfico do número de navios com rótulos na horizontal:
  Portanto a dica é: procure dispor os rótulos de maneira horizontal, pois colocá-los em ângulo dificulta a leitura.
  Abraços,
        Satomi