domingo, 1 de agosto de 2010

Tudo é relativo

Uma das fontes da mídia que eu mais gosto para gráficos é o NY Times. A equipe deles, liderada por Matthew Ericson (http://www.ericson.net/), é super criativa além da execução das idéias ser absolutamente primorosa. Há vários gráficos interativos muitíssimo interessantes e vale a pena seguir o twitter deles (https://twitter.com/nytgraphics).

O Matthew deixou no seu site uma apresentação que fez na Where 2.0 do ano passado (http://www.ericson.net/infovis/InfoVis_Raster.zip). Lá pelo meio da apresentação, ele fala que sempre devemos adicionar o contexto no qual os dados aparecem. Concordo plenamente, todo mundo ao receber uma informação sempre se pergunta : "E daí? Isso é grande ou pequeno? Tá muito ou tá pouco?". Não dá para absorver um dado sem compararmos com algo, somos seres comparadores. Pudera, a gente se mede o tempo todo, haja vista o tanto de fofoca que rola por aí.

Chega de embromeixon e vamos ao gráfico. Trouxe o exemplo de contexto do Matthew aqui para analisarmos . Ele mostra três eslaides. No primeiro vemos a quantidade mensal de combatentes americanos mortos na Guerra do Iraque. Há uma linha de referência de 100 por mês. Você já vai comparando: "puxa 100 mortos é um acidente aéreo grave, por mês é bastante, hein...?"



No segundo eslaide é mostrado um gráfico emparelhado comparando com a guerra do Vietnã. A escala é mudada e logo a gente percebe que a barra dos 100 por mês fica lá em baixo. O Iraque foi "fixinha" perto dessa outra...



Achei ótima essa comparação. Ele coloca um gráfico ao lado do outro e não vê a coisa quem não quer. O terceiro gráfico é arrasador e faz qualquer um se consternar. Ele mostra a comparação dessas duas guerras com a Segunda Grande Guerra. A barra sobe para 20mil por mês. São dez Vietnãs e duzentos Iraques!



É um exemplo perfeito de contexto, se não fosse tremendamente trágico.

Não desprezando a perda que foi a guerra para os Estados Unidos, mas querendo fazer uma quadro um pouco mais abrangente, fui atrás dos dados do "outro lado", o lado dos civis iraquianos. O mesmo lado cuja "proteção contra Sadam" foi o motivo alegado pelos americanos para bombardearem o Iraque. Encontrei os dados no site http://www.iraqbodycount.org/database/
Coloquei no lado vazio do segundo eslaide um gráfico nos mesmos moldes dos propostos pelo Matthew.

E é melhor vocês mesmos verem, porque eu já não tenho mais nada a dizer...


Até,
Roberto

2 comentários:

  1. E você criou um efeito interessante, fazer as barras de mortes ultrapassarem as fronteiras do gráfico. Na minha visão, é interessante, mas tem potencial de gerar viés na análise: "puxa vida, nem coube no gráfico", o que não acontece no gráfico anterior, com a inclusão dos dados da segunda guerra mundial, onde a escala é revista.
    Duas questões me ocorreram ao final de minha leitura: 1) que percentual destes iraquianos foram mortos por soldados americanos? e 2) quantos soldados iraquianos foram mortos neste período?
    Acho que vou acessar o link no site sugerido e continuar meu processo iterativo de geração de conhecimento. Ou não.

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  2. Seja muito bem-vindo, Formigari. A casa é toda sua! Seu comentário sobre o viés é muito pertinente e corretíssimo. Eu queria mesmo refazer a barra e só comparar Iraque com Iraque (soldados americanos e civis iraquianos. Mas testando a inclusão do gráfico, notei e gostei do tal efeito de extrapolar a área do gráfico. É um recurso incomum. Sobre suas novas questões, que bom que apareceram. Questões são o motor do aprendizado, né?

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