segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Internet móvel mais lenta que pombo-correio??

  Recentemente me chamou atenção a notícia de que o número de usuários de internet banda larga por celular superou o de usuários pela rede fixa, mas o que mais me impressionou foi que poderão ocorrer apagões na rede de banda larga móvel a partir de 2012, como mostra o gráfico veiculado pela Veja, edição 2179 - pg 119.

 
  Bom gráfico. Mostra claramente que o fluxo de dados cresce e que a capacidade limite da rede é de 700 Gbits/seg. É fácil perceber que em 2012 podemos ter problemas. Detalhe: uma das soluções propostas é a instalação da tecnologia 4G, que está prevista para 2013.
  A reportagem, na realidade, se concentrou em falar sobre a velocidade atual da rede e tinha como título “Tá lento, mas vai melhorar”. O primeiro gráfico apresentado foi este.



  Gostei do gráfico, pois tem como idéia um velocímetro e mostra uma lesma remetendo à velocidade lenta da internet no país e a conseqüente colocação que o Brasil ocupa no ranking. Outro ponto positivo é o destaque para o Brasil. Eu só alteraria a ordem das cores, isto é, verde quanto mais rápido e vermelho para os mais lentos. Caso o verde tenha sido colocado para dar maior destaque ao Brasil, alteraria o vermelho, pois tem um significado negativo, e na realidade quanto maior a velocidade melhor. Mas não leva pau no gráfico.
  Já o outro gráfico da mesma reportagem...

  O título, “Internet mais lenta que pombo correio”, me chamou muita atenção. Recentemente, no post Tudo é relativo, falamos da importância do contexto em um gráfico, mas cuidado com as análises para montar o contexto.
  Espera aí, como é que fizeram esta comparação? Ah, tomaram como base uma distância de 30 km. Mas, por que fazer este comparativo com base nessa distância? Os usuários estão a uma distância média de 30km? Acredito que não. E se transmitíssemos o dado para China, qual dado chegaria primeiro, via internet ou pombo correio?
  Resultado: Pau na análise
  Abraços,
       Satomi

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ainda sobre apresentação, Hans Rosling é show!

   No seu último post, Não leve pau na apresentação, o Roberto escreveu sobre apresentação de gráficos e deu algumas dicas bem legais. Imediatamente me veio à cabeça a palestra do sueco Hans Rosling, professor do Karolinska Institutet (Suécia).
   No momento que assisti à apresentação dele fiquei impressionado com sua habilidade no uso do recurso gráfico, com a interação dele com o gráfico, com seu carisma e em como ele consegue chamar atenção para a mensagem que quer passar.
   O tema central da palestra é a divisão dos países em duas categorias: os “desenvolvidos” e os “em desenvolvimento”. Vale a pena ver o vídeo! Se quiser colocar legenda basta clicar em subtitles e terá diversas opções, inclusive português.



    Em seu livro, Now You See It, o especialista em visualização gráfica Stephen Few sugere que Hans Rosling foi a primeira pessoa na história a tornar um gráfico de dispersão fascinante para uma multidão de pessoas,
em sua primeira conferência conferência no TED (Tecnology, Entertainment, and Design). Ele acredita em dois motivos: pela própria história ser atrativa e importante, e porque as bolhas animadas trouxeram vida à história de uma maneira fácil de ser compreendida.
   O software utilizado na apresentação chama-se Gapminder e você pode utilizá-lo diretamente do site para  fazer análises com outras variáveis ou baixá-lo gratuitamente.
   Abraços,
        Satomi

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Não leve pau na apresentação

Você já se enrolou ao apresentar um gráfico? Seus ouvintes fizeram careta e ficaram confusos com sua explicação? Então vale a pena se preparar melhor para mostrar seus resultados. Dedico esse post pra trazer algumas dicas...
Ao expor um gráfico seja rápido, mas sistemático ao descrevê-lo. Lembre-se: você é que está no comando. Comece pelo título. Aponte para ele e leia-o sem interrupções e explicações. Siga em seguida diretamente ao eixo X, faça uma descrição sucinta começando pelo nome da variável, o range de variação mostrado e como são divididos os intervalos. Siga então para o eixo Y, faça o mesmo. Isso não durou mais de cinco segundos em cada uma dessas três operações. O quarto passo é identificar elementos no interior do gráfico. Explique “o que são” cada um deles, o que representa cada linha, cada marca, cores e quebra. Pronto, você agora estará com seu ouvinte bem posicionado e agradecido pelo apoio dado. Comece, somente agora, a interpretação dos padrões encontrados nos dados. Veja um exemplo:



Na figura acima temos um gráfico cuja explicação básica poderia ser assim:

1) Mostre o título: “este é o gráfico da evolução do absenteísmo na Central de atendimento no ano de 2009”
2) Mostre o eixo X: “vejam no eixo X que os dados são mensais começando em janeiro até dezembro do ano de 2009”
3) Mostre o eixo Y: “aqui no eixo Y temos o percentual de faltas dos analistas escalados variando de zero a 16%. Note que esse indicador é do tipo quanto menor, melhor (aponte para a seta do lado direito), e nosso objetivo era reduzir abaixo de 3% (mostre a linha horizontal do objetivo)”
4) Mostre os elementos internos: “vemos neste gráfico, três linhas, a que está no meio é o absenteísmo total da central. A linha superior é relativa aos sites receptivos e a inferior é a dos sites ativos”
5) Mostre elementos complementadores: “a partir de meados de julho, começamos o projeto de melhoria”
6) Mostre o padrão encontrado mais importante: “vejam a evolução do absenteísmo total. Notem como melhorou a partir do projeto e alcançamos a meta já em outubro”
7) Mostre explicações: “conseguimos isso focando nos sites receptivos (de altos índices) e fizemos algumas mudanças, apontadas com asterisco: incentivos de assiduidade, acerto de escalas e intercâmbio de analistas”
8) Pergunte se a platéia foi esclarecida: “por favor, gostaria de saber se o gráfico ficou claro para vocês”

Agora sim, sei que você não mais vai levar pau na apresentação!

Até,
Roberto

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Comunicando resultados

Durante a semana diversas empresas divulgaram seus resultados semestrais. Para isso, lançaram mão, além dos tradicionais relatórios e balancetes, de diversos gráficos. Escolha acertada, afinal, um gráfico é a tentativa de se expressar visualmente os dados para facilitar a compreensão dos padrões formados por eles.

Trago aqui dois exemplos. O primeiro, publicado na Folha de São Paulo, na terça, dia 10 (caderno B pág. 8), refere-se aos resultados da BrasilPrev.



Pau-no-gráfico! Por quê?


Barras em três dimensões, por si só, já justificam a reprovação, mas aqui, o problema vai além. Os gráficos mostram a evolução dos resultados ao longo do tempo, logo, usar gráficos de tendência seria a escolha correta.

Veja abaixo como ficaria o quadro:




O segundo exemplo foi publicado ontem, dia 12, também na folha (caderno B - pág. 2) e refere-se aos resultados do banco Pine.



Aprovado ou reprovado? Quem arrisca um palpite? Acertou quem escolheu pau-no-gráfico!

Usar um gráfico de setores (ou pizza) para mostrar partes de um todo é correto, porém, isso quando temos poucas fatias (cinco é uma boa referência). Neste caso são dezesseis e fica difícil comparar alguma coisa assim. Além disso, outro problema é com a legenda. Ficar procurando pelas cores, cada um dos dezesseis setores representados, é uma tarefa inglória.

Dica: procure dispor os rótulos de legendas no próprio gráfico, isto faz com que o leitor não tenha que ficar buscando a legenda a todo o momento para compreensão do gráfico.

Neste caso, o melhor mesmo é usar um gráfico de barras.




Optei pelas barras horizontais para facilitar a leitura das legendas.

:Dani

Fonte:
Os gráficos foram obtidos em http://edicaodigital.folha.com.br (12/08/2010 - 14h)

domingo, 1 de agosto de 2010

Tudo é relativo

Uma das fontes da mídia que eu mais gosto para gráficos é o NY Times. A equipe deles, liderada por Matthew Ericson (http://www.ericson.net/), é super criativa além da execução das idéias ser absolutamente primorosa. Há vários gráficos interativos muitíssimo interessantes e vale a pena seguir o twitter deles (https://twitter.com/nytgraphics).

O Matthew deixou no seu site uma apresentação que fez na Where 2.0 do ano passado (http://www.ericson.net/infovis/InfoVis_Raster.zip). Lá pelo meio da apresentação, ele fala que sempre devemos adicionar o contexto no qual os dados aparecem. Concordo plenamente, todo mundo ao receber uma informação sempre se pergunta : "E daí? Isso é grande ou pequeno? Tá muito ou tá pouco?". Não dá para absorver um dado sem compararmos com algo, somos seres comparadores. Pudera, a gente se mede o tempo todo, haja vista o tanto de fofoca que rola por aí.

Chega de embromeixon e vamos ao gráfico. Trouxe o exemplo de contexto do Matthew aqui para analisarmos . Ele mostra três eslaides. No primeiro vemos a quantidade mensal de combatentes americanos mortos na Guerra do Iraque. Há uma linha de referência de 100 por mês. Você já vai comparando: "puxa 100 mortos é um acidente aéreo grave, por mês é bastante, hein...?"



No segundo eslaide é mostrado um gráfico emparelhado comparando com a guerra do Vietnã. A escala é mudada e logo a gente percebe que a barra dos 100 por mês fica lá em baixo. O Iraque foi "fixinha" perto dessa outra...



Achei ótima essa comparação. Ele coloca um gráfico ao lado do outro e não vê a coisa quem não quer. O terceiro gráfico é arrasador e faz qualquer um se consternar. Ele mostra a comparação dessas duas guerras com a Segunda Grande Guerra. A barra sobe para 20mil por mês. São dez Vietnãs e duzentos Iraques!



É um exemplo perfeito de contexto, se não fosse tremendamente trágico.

Não desprezando a perda que foi a guerra para os Estados Unidos, mas querendo fazer uma quadro um pouco mais abrangente, fui atrás dos dados do "outro lado", o lado dos civis iraquianos. O mesmo lado cuja "proteção contra Sadam" foi o motivo alegado pelos americanos para bombardearem o Iraque. Encontrei os dados no site http://www.iraqbodycount.org/database/
Coloquei no lado vazio do segundo eslaide um gráfico nos mesmos moldes dos propostos pelo Matthew.

E é melhor vocês mesmos verem, porque eu já não tenho mais nada a dizer...


Até,
Roberto