quinta-feira, 15 de julho de 2010

Nada se cria, tudo se copia.

O texto "Haiti está à míngua 6 meses após tragédia" foi publicado na Folha de S.Paulo do dia 12 de Julho de 2010. Junto à ele veio o quadro abaixo:




O gráfico da esquerda é daqueles que, só de ler o título, a gente vai sozinho sem explicação de ninguém. Show de gráfico! Se você o estivesse apresentando numa reunião, bastaria ler com calma o título e dizer que a largura das setas azuis representam a quantidade de migrantes. Então você poderia tranquilamente continuar sua fala: "notem que houve uma maior tendência de blá, blá, blá..."

Se você também achou o gráfico super legal, pode estar pensando que se trata de uma novidade. Concordo que a gente não o vê por aí todo dia, mas nada há de novo. Um sujeito francês genial chamado Charles Joseph Minard (http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Joseph_Minard), que viveu há 200 anos, fez um gráfico extremamente parecido cujo título original era "Carte figurative et approximative des quantités de vin français exportés par mer en 1864", que no português é mais ou menos "Carta fugurativa das quantidades aproximadas de vinho francês exportados via mar em 1864". Notem abaixo as semelhanças com o nosso gráfico em estudo:



Viu só? Apenas com o título a gente entende o gráfico todo. Até percebe umas curiosidades tipo não havia ainda, é claro, o canal do Panamá. E como bebiam nossos hermanos! Imagina hoje com todo aquele chocolate que a Alemanha deu na Argentina... Tá provado então: nada se cria, tudo se copia. Na maioria dos casos, isso é ótimo. Gráficos bons ensinam a gente e devem ser copiados.

Agora, nem tudo são flores. Voltem, por favor, ao gráfico original da Folha. Observem o lado direito do quadro. Que confusão é aquela? Cada leitor perde, no mínimo, um minuto indo e voltando nos "labels" das informações. Com 300 mil leitores (tiragem do jornal), 5 mil horas de leitores são perdidas, é mole?

Será que gráfico serve pra tudo? Porque os dados dos desastres são tão discrepantes, nenhum gráfico fica bom neste caso. O jeito é adotar nossa velha e boa tabela. A informação fica clara e organizada. Veja só:



Qualquer hora, quero voltar pra falar mais sobre tabelas.
Conclusão: pau no segundo gráfico! (eu já estava com saudade...)

Até...
Roberto

2 comentários:

  1. Já estava fazendo um post com esse gráfico... então como já estava estudado, chamo a atenção para um erro no gráfico: a seta que vai para a direção norte (13.531 pessoas) está mais grossa que a seta que vai para o noroeste (45.862 pessoas).

    Isso mostra como é bom o gráfico que mostra os valores, não deixa a gente acreditar cegamente na figura!

    E gostei da parte sobre o Minard: bela pesquisa!

    ResponderExcluir