sexta-feira, 16 de julho de 2010

Esteriótipos têm perna curta...

O brasileiro tem uma certa fama de ser um sujeito alegre e caloroso, que sabe levar a vida numa boa. Ao contrário dos alemães, por exemplo, que são tidos como sisudos e metódicos, mais disciplinados. A partir destes esteriótipos, me parece natural pensar que os alemães são mais estressados no trabalho, ou seja, levam mais a sério os problemas profissionais e tendem a ser mais afetados por eles... será?

Olhe o gráfico abaixo que saiu na matéria “Brasileiros estão entre os mais estressados do globo”, Folha de São Paulo, publicada no dia 14 de julho de 2010, pág. C8. Ela mostra o percentual da população economicamente ativa atingida pelo chamado “burn out”, que é o nível mais elevado de estresse, caracterizado por um esgotamento extremo, normalmente associado ao trabalho.



O gráfico mostra que o Brasil é o segundo país com maior índice de “burn out” dentre os destacados, com o Japão na liderança isolada. Não é difícil ver isso no gráfico e a visualização no mapa é agradável, inclusive porque mostra que há dados de várias regiões do planeta, e isso é interessante.

Mas tem uma coisa que me incomoda nele: o fato de comparar os países pelo tamanho do círculo associado a cada país, pois os círculos estão bastante apartados, ora com texto dentro, ora com texto fora. Não seria muito mais fácil – e simples – comparar altura de barras, como no exemplo abaixo?



De todo modo, achei bacana esta matéria porque usou muito sabiamente um gráfico para ajudar no entendimento deste estudo, que vai contra o senso comum. Eis aí um um uso muito nobre para os gráficos!

É isso aí,
Leo

Fonte dos dados: Pesquisa de 2009 do Isma-BR (International Stress Management Association no Brasil)

3 comentários:

  1. Talvez no futuro vocês pudessem comentar não só como os gráficos foram utilizados (ou mal utilizados) nos artigos da mídia, mas também se a metodologia estatítica é consistente.

    Por exemplo, na matéria sobre "burn out", qual foi o critério utilizado para definir que a pessoa está "burned out"? Como eles definem população economicamente ativa? Essas definições não variam de país para país? Qual a influência da cultura do país na definição de "burn out"?

    Além disso, qual o critério usado na amostragem? Será que ela é representativa para o país como um todo? Em países grandes como o Brasil e os EUA, me parece que deveria haver muita variação regional (o estereótipo diria que os paulistas são os mais estressados...). Se há muita variabilidade nos dados para alguns países, será que faz sentido comparar os países entre si com uma simples porcentagem? Como ela foi calculada?

    Não li o artigo da Folha e talvez os pontos acima tenham sido explicados na reportagem. De qualquer forma, é um "food for thought" para você explorar no seu blog no futuro.

    Abraços,

    Marcos

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  2. Marcos,
    Muito obrigado pelas sugestões, serão levadas em conta com certeza.

    Concordo com você que a mídia raramente - se não nunca - discute os pontos que você apontou. E não foi diferente com o artigo acima.

    Abraço,
    Leo

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  3. perfeita a observação sobre o gráfico.

    quanto ao estudo, lembro de ter estudado nos EUA em 2001 como as culturas corporativas globais influenciam a relação entre empresa e funcionário:

    Brasil - cultura do medo - faz o que eu mando que eu não te demito.
    Japão - cultura familiar - fica ai quieto, joga a regra da família que ela te protege.
    EUA - cultura do "eu preciso de você e você precisa de mim para ganhar din din".

    Vou procurar o professor da época, pois pelo visto, mudou muita coisa.

    Quanto à Europa, tem uma questão trabalhista forte por lá: é quase impossível demitir, então o cara nao estressa! Quatro da tarde cai a caneta e tchau, patrão. Mas isso deve mudar também nos próximos anos, quando enxergarem o quanto essa legislação está assassinando os empregos.

    Gustavo

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