quinta-feira, 8 de julho de 2010

Boa noite William

Em curta passagem pelo Maranhão, acompanhei a Aparecida, senhora de 50 e poucos anos, dar boa noite ao William Bonner a cada final do Jornal Nacional.

Como ela, outros tantos milhões de brasileiros, público fiel do JN, vêem o William comentando os resultados das pesquisas eleitorais.

É um tal de “fulano” tinha tantos por cento das intenções de voto, foi a x%, caiu para y% e agora tem z%. Aí, sempre vem aquele “a margem de erro é de dois pontos percentuais pra mais ou pra menos”.

Na edição da última sexta, dia 02/jul, a apresentação da matéria "Pesquisa mostra empate técnico entre José Serra e Dilma Rousseff" não foi diferente.



Em primeiro lugar quero dizer que já foi um avanço a divulgação da margem de erro nas pesquisas eleitorais. E isto devemos à lei nº 9.504/97 e à Resolução - TSE nº 23.190.

A partir da margem de erro, chegamos a um intervalo de confiança para o percentual de intenção de votos de cada candidato. No caso, a intenção de voto em Dilma vai de 43% a 47% e a intenção de voto em Serra vai de 45% a 49%.



Como os intervalos se sobrepõem (dos 45% aos 47%) dizemos que há empate técnico. Não dá pra dizer que tem um candidato na frente do outro. Numericamente na pesquisa há uma diferença, porém a pesquisa tem incerteza, afinal, é feita com base em uma amostra. Certeza mesmo, só em outubro.

A escolha da margem de erro da pesquisa está diretamente ligada ao número de entrevistas necessárias (conhecido como tamanho da amostra) para estimar a intenção de votos de um determinado candidato. Quanto menor a margem de erro, maior o tamanho de amostra necessário. Na última pesquisa o Datafolha entrevistou 2.650 eleitores. Se quisesse uma margem de erro de um ponto percentual precisaria entrevistar cerca de 10.000 eleitores.

Outro parâmetro importante é o nível de confiança, que no caso foi de 95%. Como eu disse, a obrigatoriedade da divulgação da margem de erro já foi um avanço. Os mais técnicos, como eu, sentem falta da informação do nível de confiança. Mas será que essa informação ajudaria a Aparecida? Ou só traria confusão? Acho que a segunda opção. Por isso vou deixar esse assunto prá uma outra oportunidade.

De qualquer forma, a mesma lei 9504 obriga o registro do nível de confiança adotado e de outros detalhes técnicos da pesquisa e o TSE disponibiliza todos estes dados através do sistema PesqEle.

Ah! Pra não dizer que não falei das flores, ops, do gráfico, a escolha de um gráfico de tendência para mostrar o resultado das pesquisas é acertada, afinal, são dados ao longo do tempo e como todos se referem às pesquisas do mesmo instituto (no gráfico acima o Datafolha) não é demais assumir que a metodologia é a mesma em cada pesquisa e os resultados comparáveis.


:Dani


Fontes:
O gráfico apresentado foi baixado em 07/jul às 15h de http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/07/pesquisa-mostra-empate-tecnico-entre-jose-serra-e-dilma-rousseff.html.

A Resolução - TSE nº 23.190 pode ser encontrada em http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/2010/Pesquisas_eleitorais.html.

A Lei nº 9.504/97 foi obtida em http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L9504.htm.

Informações sobre as pesquisas do Datafolha (BANCO DE DADOS DE SÃO PAULO LTDA.) foram obtidas no sistema TSE-PesqEle em http://www.tse.gov.br/sadAdmPesqEleConsulta/pesquisa.jsp.

Um comentário:

  1. Dani, é um tema relevante mesmo. Já vi certo deputado dizendo que não confiava em pesquisa porque nunca havia sido abordado, lógico que ele não estava na frente na pesquisa em questão.

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