segunda-feira, 21 de junho de 2010

Manchete 0 x 0 Gráfico

FSP, 22/05/2010, pg. E7




Terminou sem gols o embate entre a Manchete e o Gráfico. Isso porque um fala uma coisa, o outro desmente e vice-versa. Nessa peleja, quem perdeu foi o leitor que ficou sem saber o que opinar com tanta lambança em campo.

Quando li a manchete, estava claro que iria encontrar informações da explosão de consumo de cinema na China em proporções tsunâmicas, como qualquer dado que vem do país vermelho. Mas espere um pouco, vamos apreciar esse espetáculo no gráfico, né?. Cadê? Nada. Nada bate entre gráfico e manchete.

Antes de continuar, vamos logo atirar o pau no gráfico. Há dois pecados básicos: o primeiro é um erro de classificação de duas das barras, note a cor da última barra da Espanha e a última da China, elas correspondem à cor do ano de 2008 quando, pela lógica, deveria ser da cor de 2010. Um segundo pecado é não dispor as barras numa ordem decrescente, feito um Pareto, isso focalizaria melhor a informação para o leitor.

Nem tudo está perdido, as bandeiras dos países fazem bem ao leitor. Maior adesão à informação com baixo esforço.

Voltando à questão da informação, não se encontra no gráfico o aumento no faturamento de 43% de 2008 para 2010, e sim 33% (de 0,9 para 1,2). E o mais aberrante é declarar que o cinema chinês conquista “o mercado” sendo que o gráfico posiciona a China lá embaixo, em penúltimo lugar, com destaque enorme para Japão, Reino Unido e França.

Para tirar todas as dúvidas, temos de recorrer à matéria. Nela o autor explica do que se trata o tal mercado. Trata-se de um saguão do Festival de Cinema de Cannes na França em que são feitos negócios de títulos de filmes. Não há, porém, nenhuma informação de quanto foi a movimentação desse “mercado”.

Resultado: pau no gráfico e pau na manchete, verdadeiros quebra-cabeças.
Até...
Roberto

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