terça-feira, 29 de junho de 2010

Esqueceram de mim! O gráfico - parte 1

Na edição 2169 (pgs 86/87) de 16 de junho de 2010, a Veja apresenta uma comparação entre Brasil e China, e de como cada economia reage às altas taxas de crescimento econômico verificadas no primeiro trimestre deste ano.

Começa a matéria, intitulada “o Brasil não pode (ainda) crescer em ritmo chinês”, com a seguinte informação sobre o Brasil: “O total de mercadoria e serviços produzidos pelo país (o produto interno bruto, PIB) cresceu 9% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2009, o maior valor para a série histórica, iniciada em 1995.”.

Citar a série histórica e apresentar apenas o último ponto (9%) me deixou com a sensação de que ficou faltando informação. Ponto negativo pela ausência do gráfico!

Restou-me o trabalho de procurar no site do IBGE a tal série. Obtive no site a informação da Série Encadeada do Índice Trimestral, fiz as contas para obter o percentual dos trimestres de referência em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e por fim construí um gráfico de tendência.


Fonte: www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/pib/



Vendo a série toda, observamos que o recorde de 9% está relacionado à queda do PIB registrada no ano de 2009. Sem essa queda (causa especial, devida a Crise econômica de 2008-2009) não haveria recorde algum, mas vamos em frente...

A matéria faz uma analogia, de cada um dos países sendo um carro de corrida. No artigo, a China seria o carro mais potente, mais seguro, aquele que, mesmo acelerando mais, não assustaria o piloto e esse pisaria ainda mais no acelerador. Já o Brasil, diante dos números, tenderia a por o pé no freio. Para ilustrar, usa velocímetros de carros, com alguns indicadores: taxa de poupança, taxa de investimento, contas externas, produtividade total dos fatores e inflação.




Então vem a pergunta: porque os velocímetros da China vão apenas até 70 e os do Brasil até 100? Essa diferença de escala só confunde o leitor. Tão mais simples, a meu ver, seria usar alguns gráficos de barra e assim explicar as diferenças entre os dois países e por que o Brasil não pode (ainda) crescer em ritmo chinês.



Pau na falta de gráficos!

:Dani

2 comentários:

  1. Esta comparação com o Trimestre do ano anterior acontece muito nas empresas também. E como um gráfico de tendência pode deixar mais claro o que realmente acontece.
    Parabéns pelo post!

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  2. Olha, Dani, você me ajudou muito. Eu não havia lido em profundidade nada que me explicasse os tais 9%. Só pegava carona de comentaristas de rádio e TV. A informação de que são 9% em relação ao tri do ano anterior, que foi horroroso segundo seu gráfico, é matadora.
    Adorei mesmo foi o comentário dos reloginhos, a malandragem do fim de escala. E a escolha do tipo de reloginho brasileiro, onde acharam tanto Ford Bigode?

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