segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Preferência pela democracia

Um histórico de levantamentos feitos pelo Datafolha revela aumento de preferência pela democracia entre os brasileiros. Perfeito, oxalá sigamos assim. O que não ficou bem foi mostrar os resultados em gráficos de setores circulares, um por levantamento, prejudicando a visualização das tendências. Vejam a sequência publicada na sessão Poder da Folha de hoje:



Há várias opções de gráficos de tendência ou de barras que são melhores para isso. Usando o Tableau para fazer exercícios, fiz o quadro abaixo com as seguintes sugestões:

1 Gráficos de tendências: podemos usar o próprio calendário no eixo X, ou a sequência de levantamentos (mantendo a ordem cronológica, mas sem espaçar conforme o calendário). Este último é a minha preferência.

2 Gráficos de barras verticais: podemos usar empilhadas (é muito usado, mas não recomendo, pois não se visualiza a tendência das barras no meio do sanduíche), ou barras deslocadas (gosto porque vemos a tendência de todas as categorias).

3 Gráficos de barras horizontais: não são minha opção, mas poderiam ser usadas para espaços largos e de pouca altura, como o do texto da Folha.

Cliquem abaixo nos tópicos para visualizar essas opções:



Qual sua preferência? Democracia, espero. E quanto ao gráfico a ser mostrado na matéria?

Até
Roberto

sábado, 15 de novembro de 2014

Como nascem os paulistas?

Em 2012 nasceram 610 mil bebês em São Paulo. Mais de 60% desses paulistinhas vieram ao mundo via cesariana. 60 é muito? Sim, muito. A OMS diz que o percentual de cesáreas não deveria passar de 15%. Minha irmã Priscila, parteira contemporânea da Primaluz, diz que há uma histórica epidemia de cesáreas no Brasil e que somos os campeões nesse procedimento.

Há um mês, a ANS lançou algumas propostas para enfrentar o problema que foram mostradas pela Folha do dia 15/out, veja:



Esse gráfico me deixou mais curioso sobre os dados dos nascidos vivos disponíveis no SINASC. Deu um certo trabalho porque tive de extrair as bases do velho TABWIN que atualmente está bem tabajara, com perdão do trocadilho.

Coletei os últimos dados publicados sobre São Paulo (2012), e resolvi fazer uma história. Como eram mais de 610 mil casos, tomei uma amostra aleatória de 10 mil para facilitar o estudo dos comportamentos por tipo de parto (cesárea e normal).

Foi fácil achar coisas interessantes nesses dados. Na história contada no Tableau abaixo, você terá três tópicos cujas conclusões principais são:

Tópico 1: Durante o ano de 2012, as cesáreas oscilaram entre 60 e 65% ao mês. Abrindo-se por dia da semana, vemos que há uma redução delas nos finais de semana, sobretudo no domingo. Vemos também uma redução durante a madrugada. Isso me parece associado a um comportamento de agendamento das cesáreas por parte de médicos e mães.

Tópico 2: Entre as mães mais jovens há menor proporção de cesáreas, assim como para as solteiras. As cesáreas aumentam com o aumento da escolaridade da mãe.

Tópico 3: Nas principais cidades de SP, as cesáreas são bem acima dos 15% preconizado pela OMS

Agora convido você a manipular os gráficos do Tableau e tirar suas próprias conclusões. Comece clicando no tópico que desejar, espero que goste:

Diante desse quadro, sugiro a você, que está grávida ou pretende estar, procurar mais informação a respeito. Minha comadre Marici Braz, que é médica, recomenda um grupo do qual ela faz parte, o Sumaúma, cujo objetivo é levar informações à gestate para que ela tenha seu parto com escolha consciente e não passe por uma cesariana desnecessária.

Até
Roberto

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Mapa do trânsito selvagem

Ontem saiu na Folha uma reportagem sobre a queda das mortes em acidentes de trânsito no Brasil de 2012 para 1013. E hoje, o mesmo assunto ocupou destaque no seu editorial. Os textos destacaram o Rio de Janeiro com a maior queda, 44% em valores absolutos. Mas os gráficos mostram um quadro ainda assustador, vejam:



Fiquei curioso sobre os dados. Gostaria de vê-los por estado e em valores relativos (índice de óbitos por 100 mil habitantes), mas não havia as fontes declaradas da matéria.

Penei um pouco para achar os valores absolutos no site do DATASUS e as populações estimadas dos estados no IBGE. Feitas as contas, fui tentar fazer mais um exercício no Tableau. Veja o gráfico que produzi abaixo. Escolhi começar com um mapa em que podemos escolher o ano de medição, coloquei abaixo dois gráficos de tendência (Regiões e Estados).

Eu sei que o gráfico por Estado está meio poluído, mas como podemos interagir com ele, achei conveniente manter todas as curvas. Inseri também a meta que o Brasil se comprometeu com a OMS para 2020 (50% de redução do valor de 2011) que é de 11,25 mortes para cada 100 mil habitantes.

Diante dessa grande variação entre os Estados, vemos que o esforço será grande para atingirmos a meta. Só apertar a gravidade das multas não será, com certeza, suficiente.

Até
Roberto