terça-feira, 14 de junho de 2016

Metas de curto e longo prazos

Cumprir metas diárias, semanais ou mesmo mensais é importante. É por meio desse esforço que alcançamos o resultado desejado, a verdadeira meta. Além disso, bater metas de curtíssimo prazo - dentro do dia mesmo - dá uma sensação agradável de dever cumprido. Mesmo se a tarefa for algo desagradável ou indesejado, livrar-se dela com a consciência de tê-la realizado bem, traz certa felicidade. Os neurocientistas associam isso à produção de dopamina, o neurotransmissor das recompensas e motivações.

Por isso, o gestor precisa desdobrar adequadamente grandes metas em metas de curto prazos desafiadoras, mas alcançáveis. Para que, ao serem cumpridas a equipe se motive ainda mais para o próximo desafio.

Outro ponto é não se esquecer do longo prazo e perder o controle. Os indicadores ajudam a gente a avaliar como estamos nos saindo frente ao desfecho desejado.

Na semana passada saiu novamente o resultado do IPCA, indicador de inflação do qual já falamos bastante aqui. Vários jornais mostraram o gráfico do IPCA acumulado 12 meses como este da Folha:



O que você me diz sobre a inflação? Está melhorando? Bateremos a meta no fim do ano? Com esse indicador vemos alguma melhora, mas ele não nos fala sobre nossa meta final: chegar a 4,5% de inflação anual no final de 2016. Vejamos os indicadores mensais, então. Fizemos aqui o gráfico de controle mensal do IPCA, lembra-se dele? Vamos atualizá-lo para 2015 e para 2016:





O que vemos: 2015 foi péssimo e este ano está bem ruim. Há vários pontos fora de controle, mas não deixaram de aparecer os efeitos sazonais que formam um V ao longo do ano.

Não fiquei satisfeito com esses gráficos para responder se bateremos ou não nossa meta do final do ano. Então, construí um indicador diferente, o de afastamento da meta. Seu cálculo é afastamento no mês = soma até o mês dos desvios da metas mensais. Seria muito simples se as metas mensais fossem resultado de uma regra de três, ou seja, meta do mês=4,5%/12meses. Mas, como há um tal efeito sazonal, podemos incluir isso no cálculo. Fiz isso para vários anos. Veja o resultado para o centro da meta (4,5%):



Só 2006, 2007 e 2009 se salvaram nesse caso. Notem que 2015 o acumulado de afastamento da meta ao final do ano foi de perto de 6% (como o acumulado de inflação em 2015 foi de 10,67% e ficamos devendo 6,17% para a meta de 4,5%, ok?). Hoje, já estamos devendo quase 2% para a meta. Hummm, acho que não vai dar pra recuperar isso... Mas, faz tempo que a gente não dá conta dessa meta, então a gente apela para o teto dela pra tentar obter alguma dose de dopamina (?!!).

Vejamos o que acontece quando se persegue o teto da meta (6,5%):



Nem isso de lambujem salvou 2015, que continuou perdido, e 2016 tá indo pro brejo também. É, e como se não soubéssemos disso... Problemas nacionais à parte, gostei do indicador. Veja uma aplicação para uma equipe de vendas que tem uma meta orçada mensal e também a principal, que é anual. Pode-se usar o mesmo princípio:



Nesse caso, mesmo batendo metade das metas mensais até agosto, eles estavam indo pro brejo. Ações gerenciais implementadas, e eles conseguiram inverter o quadro a partir de setembro. Terminando o ano acima do orçado. Parabéns!

Até
Roberto

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Planejamento pessoal a vista

Quem conhece a estória de Alice nos País das Maravilhas, talvez se lembre de quando ela, numa encruzilhada, pergunta ao Gato de Cheshire qual o caminho a seguir. O Gato lhe volta com uma nova pergunta: "aonde é que você quer chegar?". Ela diz que não se importava com isso, e o Gato lhe responde que não importa, então, qual o caminho tomar.

Essa estorinha serve pra gente se lembrar de como nossos objetivos deveriam direcionar nossas ações do "aqui e agora". E talvez isso também ajude a organizar nossa agenda diária. A Alice poderia perguntar ao Gato: "o que devo fazer esta semana?". É provável que o Gato dissesse: "o que você quer realizar?".

Eu me fiz essa pergunta, e vi que muitas das atividades da minha semana não se relacionavam com as coisas que eu gostaria de realizar. Então, decidi criar um quadro de gestão a vista em que aparecesse essas duas dimensões: Realização x Agenda Semanal, veja só como ficou:



A parte de cima do quadro começa pelos desafios ou temas de realização que organizam as colunas do quadro. Escolhi cinco para Pessoal (lado esquerdo) e cinco para Profissional (lado direito). Abaixo deles, no próximo nível, descrevo os objetivos importantes de médio prazo para cada tema. No terceiro nível, temos as atividades de curto prazo (próximos passos). Nesse nível eu descrevo coisas que devem entrar na agenda nas próximas semanas. E abaixo de tudo vem minha agenda da semana. E é no "aqui e agora" desta semana, que eu posso realmente construir o futuro que desejo, assim eu decido as coisas que vão fazer parte do meu dia-a-dia.

Segue um quadro esquemático para lhe ajudar, caso você queira fazer um seu.



Tem dado certo, fique à vontade para copiar ou fazer um quadro parecido com esse e me dê um feedback se está funcionando para você.

Até
Roberto

P.S.: talvez você tenha de fazer um esforço extra para resolver quais temas a adotar, ou quais objetivos a escolher. Eu fiz isso com a ajuda de um competente coach pessoal que se chama Luiz Felipe Ormonde: http://coachingdeintegracao.com.br

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Tabela Dinâmica do Excel 1: tutorial inicial

Já ministrei muitos cursos de Análise de Dados. Recentemente um participante me revelou ao final do treinamento que se sentia realfabetizado na linguagem dos gráficos. Noto que muita gente também gostaria de se aperfeiçoar nessa linguagem, e os próximos posts serão dedicados a ajudar as pessoas a lidarem melhor com seus dados no Excel. Especialmente por meio da Tabela Dinâmica que evita o vício de ficar filtrando e perdendo a noção do todo na análise.

Neste primeiro tutorial você verá como entrar com dados na tabela dinâmica e como iniciar seu uso. Nos próximos você verá:

Tutorial 2: Gráficos a partir da tabela dinâmica

Tutorial 3: Hierarquia de variáveis

Tutorial 4: Agrupamento de casos

Tutorial 5: Cálculo de percentuais

Tutorial 6: Desafios

A Tabela Dinâmica do Excel é uma ferramenta das mais úteis para a análise e exploração de uma base de dados. Com ela você pode entender melhor quais padrões se escondem numa quantidade enorme de registros de casos ao agrupá-los da maneira mais conveniente para você. Tornar-se um bom usuário de tabelas dinâmicas é muito fácil. Mas primeiro é preciso algum esforço para compreender bem sua estrutura, começando por pelo formato de uma base de dados. É o que você verá a seguir.

O que é uma base de dados?

Precisamos saber isso porque a tabela dinâmica só funciona se os dados estiverem dispostos no formato padrão de uma base de dados.

Você terá indicadores e informações quantitativas do seu processo se você coletar dados dos casos gerados por ele. Por exemplo, para acompanharmos o consumo de combustível do nosso carro, deveríamos coletar dados a cada abastecimento realizado (os casos desse processo são os abastecimentos). Mas quais dados deveriam ser anotados? Vai depender da análise que você quer fazer. No caso do consumo de combustível, uma tabela com Data, Litros de combustível consumido, Quantidade de km rodado, Local de abastecimento e Tipo de uso do veículo poderia ser útil.

Podemos dizer que uma base de dados é o registro das características e medições coletadas para um conjunto de casos que foram observados. O nome base de dados é como todos conhecem, eu acho mais apropriado se se chamasse base de casos, não é?

Há um formato padrão para uma base de dados? Sim, trata-se de uma tabela com linhas e colunas que, por convenção, cada linha é um caso observado, e as colunas são as variáveis cujos dados foram coletados para cada caso. Vejamos um exemplo:



Note, portanto que nem toda tabela pode ser chamada de base de dados. A tabela a seguir contém os dados de faturamento para cada resort e em cada ano. Foi usada para montar um gráfico 3D terrível que nem mostrarei aqui. Já adianto: ela não está no formato de base de dados.



Você poderia alegar que os casos são os anos e as variáveis, os resorts, certo? Não é bem assim, veja que os três diferentes resorts poderiam formar uma única variável, simplesmente uma só coluna chamada de Resort. Na verdade, essa tabela é chamada de relatório e foi produzida por meio de manipulação de uma outra base. Portanto eu lhe pergunto: quais seriam os casos que originam essas informações?

Para defini-los, pense no processo que nesse caso é o de faturamento de hospedagens nos resorts. Ao final de cada check-out, dados de Faturamento, Resort, Data entrada, Data saída etc. são registrados.

Mesmo esse relatório não sendo uma base de dados, poderíamos analisar seus dados com a tabela dinâmica? Sim, desde que façamos uma tabela que se “pareça” uma base, isto é, colocando casos em linhas e variáveis em colunas.

Observe o relatório acima e me responda: quantas e quais são as variáveis que estão ali presentes? Você respondeu: Ano, Resort e Faturamento? OK! Os casos serão os cruzamentos de Ano x Resort dispostos empilhados. Veja o resultado:



Pronto, agora a tabela tem o formato de uma base de dados. O próximo passo é usar a tabela dinâmica para manipulá-la.

Usando uma tabela dinâmica

Copie esses dados numa planilha de Excel (ou baixe aqui). Clique em qualquer célula preenchida da tabela e peça: inserir > tabela dinâmica



Clicando OK, teremos essa nova planilha:



Duas coisas aparecem: o local do relatório e o formulário de Controle de Campos para a construção do relatório. É nesse formulário que trabalharemos. O Excel já sabe que a 1a linha da sua base de dados corresponde aos nomes das variáveis, e ele as chama de campos.

Na parte de baixo do formulário há quatro áreas para onde arrastaremos os campos (variáveis). A área de Filtros não será usado por enquanto. Cuidado com os filtros, só use em caso de extrema necessidade! As outras áreas vão ser usadas para a engenharia do relatório.

Um relatório é feito do cruzamento de linhas e colunas e, em cada cruzamento, haverá (ou não) casos agrupados. Faça isso então, clique e arraste a variável Ano para Colunas, assim, cada coluna terá um dos anos. Colocando Resort nas Linhas, cada linha será um resort (temos três deles). E levando Faturamento para  Valores, os cruzamentos do relatório serão preenchidos pela soma de Faturamento dos casos que ali se encontram. Soma é a configuração default para essa área.

Como temos um caso em cada cruzamento, veja o resultado:



Note o que acontece trocando-se linhas por colunas:



Percebeu como controlamos o formato do relatório? Agora ele se parece com a tabela original de dados, ok? No próximo tutorial veremos como controlar o eixo X do gráfico por meio de agrupamento de casos, não percam!

Até
Roberto

Tabela Dinâmica do Excel 2: gráficos a partir dela

Nosso assunto aqui é: como fazer gráficos usando a Tabela Dinâmica?

Estamos no Tutorial 2 de uso da Tabela Dinâmica do Excel. Se você não fez o Tutorial 1, recomendo começar pelo nosso post Tabela Dinâmica do Excel 1: tutorial inicial. Caso contrário, vamos em frente:

Podemos fazer gráficos diretamente a partir da Tabela Dinâmica do Excel, isso facilita muito nosso trabalho. Começamos sempre pensando num formato gráfico que seria interessante de se produzir para nossa análise. Por exemplo, no eixo X podemos colocar os Anos, no eixo Y o valor de faturamento e para representar o valor de cada resort para cada ano, podemos escolher barras (veja que seria bom Resort estar “dentro” de Ano).

Para fazer isso no Excel mantenha a última configuração do relatório da tabela dinâmica do tutorial - parte 1 (baixe aqui a planilha, se precisar), isto é, Ano nas linhas e Resort nas colunas. Selecione uma célula do relatório e peça para inserir um gráfico de colunas agrupadas. Veja o resultado:



Importante: a variável que você arrastar para Linhas será o X do gráfico e o que você colocar nas Colunas vai servir de Legenda. Isso serve para o Excel. Em outros Softwares como o Tableau, por exemplo, é o contrário.

Note que há mais dois outros tipos de gráficos de barras 2D, além desse que fizemos. Obviamente você não usará o 3D, claro. Clicando no gráfico e pedindo para alterar o tipo você poderá produzi-los. Vamos comentar sobre eles.

Colunas Empilhadas: preservam-se os valores e empilham-se as barras, simplesmente. Bom pra ver o total de faturamento dos três resorts juntos.



Colunas 100% Empilhadas: Em cada ano, calculam-se os percentuais de cada resort relativos ao total do ano. Bom pra ver a proporção de contribuição de cada resort nos anos.



Podemos também usar gráficos de linha neste caso: bom pra ver a evolução de cada resort ao longo dos anos.



Agora que começamos a fazer gráficos com a Tabela Dinâmica, o próximo passo é controlar bem a configuração do eixo X. No próximo post você verá como fazer isso por meio do conceito se Hierarquia de Variáveis. Clique aqui para ir ao Tutorial 3:

Até
Roberto