domingo, 27 de novembro de 2016

Furo de reportagem vira Reportagem Furada...

Um erro de cálculo deu um caráter bombástico a uma notícia do Estadão, e pode ainda causar muito transtorno. Aconteceu na matéria publicada hoje na página B4 de Economia:



Tanto o título como o texto, são pautados no resultado do gasto com servidores federais em relação ao PIB que chegou ao recorde de 5,7% em 2016, segundo o jornal. O curioso é que o gráfico não mostra o indicador em relação ao PIB, mas em relação à receita corrente líquida do governo.

Os dados em relação ao PIB estão só impressos no pé de cada ano, mas não plotados no gráfico. Incluindo uma linha com esses dados, veja o que temos:



Note o salto brusco em 2016 na série do % do PIB. Você não desconfiaria desse resultado? Fui aos dados originais e fiz eu mesmo as contas. Todos os pontos da série % do PIB estão corretos, exceto pelo último valor (2016), que em vez de 5,7%, no cálculo que fiz deu 4,4%.

O gráfico certo seria assim:



Mas, isso é muita coisa? Muitíssima coisa! Estamos falando de um erro que corresponderia a uma diferença de R$80,4 Bilhões de aumento do funcionalismo.

Mas, como foi que o Estado errou? Minha hipótese é que houve confusão porque as tabelas de PIB e de gasto com funcionalismo são distintas, e os indicadores são calculados sob meses diferentes em 2016 (que não terminou ainda). Esse é o cuidado que devemos ter usando dados de um ano em curso ainda.

Outra coisa,  com um simples gráfico de tendências eles notariam a discrepância do último resultado, né? Será que não fizeram? Por que não plotaram a série de interesse da matéria?

Então, visando reduzir os possíveis estragos que o jornal fez, avisa lá o pessoal pra desconsiderar essa matéria toda, ok?

É Pau na Reportagem!

Até
Roberto

P.S. para quem quiser conferir, segue links para as tabelas para fazer o cálculo:
Gasto Servidores
PIB



quarta-feira, 23 de novembro de 2016

China expande presença, só que não.

Veja se você nota algo estranho nesses gráficos que Folha trouxe hoje:



Tá difícil? Veja mais de perto, então:



Pra me certificar, fui ao dicionário. Expandir é sinônimo de dilatar, estender. Mas, não é o que mostra um simples gráfico de linhas desses mesmos dados:



Folha, melhor mudar o título da matéria para "China expande presença na América Latina, só que não".

É Pau no Gráfico!

Até
Roberto

sábado, 19 de novembro de 2016

Gráficos inúteis ou bregas do Excel (parte 2)

Pra continuar a lista de perigos do Excel, vou usar um simples gráfico de linhas que saiu hoje na Folha e que ilustra a notícia: "Patrimônio de mulher de Cabral cresceu durante sua gestão":



Dei meu "curti" para o gráfico (não para o feito da família Cabral, óbvio!) porque trouxe a informação precisa e de maneira eficiente pra mim. Mas, e se nosso redator quizesse tentar algo mais "criativo" com o menu de gráficos do Excel, será que se daria bem? Vejamos alguns "mirabolismos" que ele poderia criar.

Gráfico de Pizza:



Tome cuidado ao usar os gráficos de Pizza pra não fazer coisas do outro mundo. Veja os dado do Cabral em Rosca:



Gráfico de Dispersão:



São usados para ver relações entre variáveis numéricas ou para posicionar tens, não use para dados ao longo do tempo senão...

É Pau no Gráfico!



Gráfico de Radar:



Tome muito cuidado ao usar esse gráfico. Eu diria pra você fazer só use se seu chefe pedir... Veja o que pode acontecer:



Então vamos combinar, cuidado ao usar o Excel pra fazer seus gráficos. Como já dizia um ditado, acho que chinês,"O certo é o simples e o simples é o certo".

Mais uma dica, veja outro exemplo de "criatividade excessiva" no nosso post: "Um caso para gráficos com dois eixos".

Até
Roberto

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Gráficos inúteis ou bregas do Excel (parte 1)

Todo mundo usa o Excel, mas não é por isso que quaisquer dos seus gráficos estão liberados para uso. Dos mais populares (barras, pizza, linhas, áreas e dispersão), a metade considero adequada, a outra é inútil, ou até mesmo brega. Veja a classificação por tipo de gráfico:

Gráfico de Barras (equivalente ao de coluna):



As três primeiras opções, "Colunas Agrupadas", "Empilhadas" e "100% Empilhadas" são muito úteis e você pode ver como usá-las no nosso post de gráficos com a tabela dinâmica.

Eu não recomendo as opções na forma 3D porque, além de distorcer a informação, eu diria que hoje é uma coisa brega. Você por acaso vê o Google ou o Facebook usando em seus relatórios atuais? Os gráficos 3D fizeram sucesso na década de 90 do século passado. E não pense em usar a última opção 3D, parece uma cidade em Lego.

Gráfico de Linhas:



Para uso diário escolha o simples "Linha", com ou sem marcadores. Não use o "Linha Empilhada", esse nem deveria existir no Excel porque ele empilha as linhas umas sobre as outras. Isso só confunde as pessoas e prejudica a análise. O "Linha 100% Empilhada" só serve para fazer indicadores de %Y categóricos binomiais (tipo comprou, não comprou). Mas isso é um uso particular. Os dois de linhas empilhadas devem ser substituídos pelo de área, veja mais adiante. Ah, de jeito nenhum use o de linha 3D, faça-me o favor!

Gráfico de Área:



São ótimos gráficos para mostrar perfil de uma variável categórica Y versus outra variável X que pode ser numérica, categórica ou mesmo o calendário. Veja esse exemplo em que vemos o perfil de estado civil por idade de mães de crianças nascidas em 2014 em SP:



Mas cuidado, a primeira opção, ou simplesmente "Área", não deve ser usada nunca. Ela esconde as categorias umas atrás das outras, e isso não tem literalmente nada a ver. Use o "Área Empilhada" e o "Área 100% Empilhada" para substituir o de "Linha Empilhada" sem medo. E você já sabe, não arranhe sua reputação com as opções em 3D.

No próximo post vou comentar sobre os gráficos de Pizza e os de Dispersão do Excel. Quais seriam os perigos que os cercam?

Até
Roberto