terça-feira, 19 de julho de 2016

Dois usos do Gráfico de Dispersão

Neste post comentamos dois usos muito importantes do Gráfico de Dispersão que são:

  1. Observar relações entre variáveis num processo;
  2. Posicionar itens ou indivíduos para fazer sua gestão

Veja o vídeo e deixe seu comentário:


Link para post da Dani citado no vídeo:
Uma análise dos dados de Cesáreas no Brasil - parte 1

Até
Roberto

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Uma análise dos dados de Cesáreas no Brasil - parte 1

Muito se tem falado sobre a elevada taxa de parto cesáreo no Brasil. O assunto voltou à tona com a recente resolução do Conselho Federal de Medicina, que estipula que o parto cesáreo por escolha da gestante não poderá ocorrer antes da 39ª semana de gestação, conforme o critério de maturidade fetal adotado em 2013 pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas.

Através da consulta ao Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) obtivemos os dados de partos em todo o território nacional ao longo dos anos de 1994 a 2014. O gráfico abaixo mostra o percentual de cesáreas ano a ano neste período.

Até o ano de 2003 o indicador se mostra estável, variando em torno de 38%, mas a partir daí vem crescendo ano após ano, encontrando-se na faixa dos 57% em 2014, último ano com dados disponíveis no SINASC.



A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta o Brasil como o líder mundial na taxa de partos por cesárea. Desde 1985, a comunidade médica internacional considerava que a taxa ideal de cesárea estaria entre 10% e 15%, mas em 2015 a OMS divulgou documento recomendando a adoção de uma classificação universal para a medição da taxa de cesáreas (veja aqui).

Segundo o Ministério da Saúde, considerando as características do Brasil, a taxa de referência ajustada pelo instrumento desenvolvido pela OMS estaria entre 25% e 30% (veja aqui)

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão regulador vinculado ao Ministério da Saúde responsável pelo setor de planos de saúde no Brasil, divulga as Taxas de partos cesáreos por operadora de plano de saúde.

Estão disponíveis os dados de 2013 a 2015. Por diferença com os dados do SINASC obtivemos a informação para o SUS, para o ano de 2014. Os dados estão organizados na tabela abaixo:



Chama a atenção a diferença de 86% para 51% quando analisamos o percentual de cesáreas conforme o parto tenha sido feito através de Planos de Saúde ou SUS, respectivamente.

O índice geral fica na casa dos 57%, levando-se em conta que cerca de 18% do total de partos é feito através de Planos de Saúde e os 82% restantes através do SUS.

Infelizmente o SINASC não traz essa informação, de financiamento do parto (SUS ou plano de saúde), impossibilitando assim analisarmos esse indicador num período mais longo.

Mas voltando à Resolução do CFM, nos perguntamos se de fato as cesáreas estão ocorrendo mais cedo.




A escolha pelo indicador %cesáreas<37 semanas, quando a resolução fala em 39, deve-se ao fato que este dado já está agrupado nas seguintes faixas: menos de 22 semanas; se 22 a 27; de 28 a 31; de 32 a 36; de 37 a 41 e 42 semanas ou mais.

Claramente vemos uma mudança no comportamento a partir de 2011, mas há de se dizer aqui que o sistema traz uma nota, que em 2011 houve uma mudança no conteúdo da Declaração de Nascidos Vivos, com maior detalhamento das informações coletadas.

Não temos como saber se a mudança vista no gráfico acima deve-se a uma mudança de comportamento ou à forma como os dados são coletados e classificados a partir de 2011.

E como será que é o percentual de cesáreas por estados? Vejamos o gráfico para 2014.



Mesmo que o estado de São Paulo não seja o “campeão” no critério de percentual de cesáreas, com um índice de 61%, por esse último gráfico vemos que ele representa mais de um quinto dos nascimentos no Brasil. Vamos ver então com mais detalhes o que acontece por aqui.

Esse será o assunto do nosso próximo post.


Até breve!

Dani

terça-feira, 14 de junho de 2016

Metas de curto e longo prazos

Cumprir metas diárias, semanais ou mesmo mensais é importante. É por meio desse esforço que alcançamos o resultado desejado, a verdadeira meta. Além disso, bater metas de curtíssimo prazo - dentro do dia mesmo - dá uma sensação agradável de dever cumprido. Mesmo se a tarefa for algo desagradável ou indesejado, livrar-se dela com a consciência de tê-la realizado bem, traz certa felicidade. Os neurocientistas associam isso à produção de dopamina, o neurotransmissor das recompensas e motivações.

Por isso, o gestor precisa desdobrar adequadamente grandes metas em metas de curto prazos desafiadoras, mas alcançáveis. Para que, ao serem cumpridas a equipe se motive ainda mais para o próximo desafio.

Outro ponto é não se esquecer do longo prazo e perder o controle. Os indicadores ajudam a gente a avaliar como estamos nos saindo frente ao desfecho desejado.

Na semana passada saiu novamente o resultado do IPCA, indicador de inflação do qual já falamos bastante aqui. Vários jornais mostraram o gráfico do IPCA acumulado 12 meses como este da Folha:



O que você me diz sobre a inflação? Está melhorando? Bateremos a meta no fim do ano? Com esse indicador vemos alguma melhora, mas ele não nos fala sobre nossa meta final: chegar a 4,5% de inflação anual no final de 2016. Vejamos os indicadores mensais, então. Fizemos aqui o gráfico de controle mensal do IPCA, lembra-se dele? Vamos atualizá-lo para 2015 e para 2016:





O que vemos: 2015 foi péssimo e este ano está bem ruim. Há vários pontos fora de controle, mas não deixaram de aparecer os efeitos sazonais que formam um V ao longo do ano.

Não fiquei satisfeito com esses gráficos para responder se bateremos ou não nossa meta do final do ano. Então, construí um indicador diferente, o de afastamento da meta. Seu cálculo é afastamento no mês = soma até o mês dos desvios da metas mensais. Seria muito simples se as metas mensais fossem resultado de uma regra de três, ou seja, meta do mês=4,5%/12meses. Mas, como há um tal efeito sazonal, podemos incluir isso no cálculo. Fiz isso para vários anos. Veja o resultado para o centro da meta (4,5%):



Só 2006, 2007 e 2009 se salvaram nesse caso. Notem que 2015 o acumulado de afastamento da meta ao final do ano foi de perto de 6% (como o acumulado de inflação em 2015 foi de 10,67% e ficamos devendo 6,17% para a meta de 4,5%, ok?). Hoje, já estamos devendo quase 2% para a meta. Hummm, acho que não vai dar pra recuperar isso... Mas, faz tempo que a gente não dá conta dessa meta, então a gente apela para o teto dela pra tentar obter alguma dose de dopamina (?!!).

Vejamos o que acontece quando se persegue o teto da meta (6,5%):



Nem isso de lambujem salvou 2015, que continuou perdido, e 2016 tá indo pro brejo também. É, e como se não soubéssemos disso... Problemas nacionais à parte, gostei do indicador. Veja uma aplicação para uma equipe de vendas que tem uma meta orçada mensal e também a principal, que é anual. Pode-se usar o mesmo princípio:



Nesse caso, mesmo batendo metade das metas mensais até agosto, eles estavam indo pro brejo. Ações gerenciais implementadas, e eles conseguiram inverter o quadro a partir de setembro. Terminando o ano acima do orçado. Parabéns!

Até
Roberto

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Planejamento pessoal a vista

Quem conhece a estória de Alice nos País das Maravilhas, talvez se lembre de quando ela, numa encruzilhada, pergunta ao Gato de Cheshire qual o caminho a seguir. O Gato lhe volta com uma nova pergunta: "aonde é que você quer chegar?". Ela diz que não se importava com isso, e o Gato lhe responde que não importa, então, qual o caminho tomar.

Essa estorinha serve pra gente se lembrar de como nossos objetivos deveriam direcionar nossas ações do "aqui e agora". E talvez isso também ajude a organizar nossa agenda diária. A Alice poderia perguntar ao Gato: "o que devo fazer esta semana?". É provável que o Gato dissesse: "o que você quer realizar?".

Eu me fiz essa pergunta, e vi que muitas das atividades da minha semana não se relacionavam com as coisas que eu gostaria de realizar. Então, decidi criar um quadro de gestão a vista em que aparecesse essas duas dimensões: Realização x Agenda Semanal, veja só como ficou:



A parte de cima do quadro começa pelos desafios ou temas de realização que organizam as colunas do quadro. Escolhi cinco para Pessoal (lado esquerdo) e cinco para Profissional (lado direito). Abaixo deles, no próximo nível, descrevo os objetivos importantes de médio prazo para cada tema. No terceiro nível, temos as atividades de curto prazo (próximos passos). Nesse nível eu descrevo coisas que devem entrar na agenda nas próximas semanas. E abaixo de tudo vem minha agenda da semana. E é no "aqui e agora" desta semana, que eu posso realmente construir o futuro que desejo, assim eu decido as coisas que vão fazer parte do meu dia-a-dia.

Segue um quadro esquemático para lhe ajudar, caso você queira fazer um seu.



Tem dado certo, fique à vontade para copiar ou fazer um quadro parecido com esse e me dê um feedback se está funcionando para você.

Até
Roberto

P.S.: talvez você tenha de fazer um esforço extra para resolver quais temas a adotar, ou quais objetivos a escolher. Eu fiz isso com a ajuda de um competente coach pessoal que se chama Luiz Felipe Ormonde: http://coachingdeintegracao.com.br